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Colunista do Delas, Mônica Cruz, ensina os pais a identificarem uma adolescência saudável e o que fazer quando a reclusão vira um problema

Hoje vou escrever sobre crianças um pouco maiores, tenho sido muito questionada sobre o motivo de os adolescentes estarem sempre fechados no quarto, quais os motivos que fazem com que eles prefiram estar sozinhos em seus quartos, seus cantos, do que em outros lugares da casa, no convívio com a família.

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Adolescente recluso pode ser problema

Primeiramente vamos definir quando acontece a adolescência. Não existe uma data exata, mas devemos considerar a partir dos 11 ou 12 anos e até perto dos 20. Nesse período esta incluída a pré-adolescência e o inicio da vida adulta.

A adolescência, não dura para sempre, ainda bem, mas é um longo período de alterações hormonais, e de identidade, quando o jovem tem que desligar-se do seu eu infantil e descobrir quem ele realmente é, ou quem quer ser.

Porque é tão bom ficar no seu canto sozinho?

Quando o adolescente se tranca no quarto ele esta construindo essa nova identidade. No seu espaço ele pode expressar-se com toda a liberdade, ele usufrui de sua necessidade de intimidade, ele redescobre o seu corpo com todas as modificações, nessa fase ele tem o seu despertar sexual, ele tem mais sono, ele sente necessidade de privacidade.

Mas o que diferencia um isolamento normal, de um que parece ser um problema? Quando o adolescente adora se isolar, mas continua executando todas as tarefas normalmente, não devem haver grandes preocupações, ele frequenta a escola, faz as lições e trabalhos solicitados, tem amigos, tem vida social, divide seu tempo entre estudar, fazer tarefas, se divertir, namorar, viajar e passar pelo menos um pouquinho desse tempo com a família, ele é um adolescente modelo.

Os pais devem passar a se preocupar quando o adolescente além de se isolar da família também se isola dos demais, fica apático, dorme muito mais que o necessário, e apresenta disfunções claras com relação à sociedade. Nesses casos os pais devem agir e procurar ajuda clínica.

Procure lembrar como era você na adolescência, as coisas que gostava e não gostava de fazer, o que te deixava a vontade e o que te constrangia, fazendo isso, talvez você consiga entender um pouco mais o seu filho.

Alguns pais reclamam que os filhos, hora são meigos, carinhosos, doces, frágeis e desamparados, e em outros momentos se transformam em agressivos, contestadores, rebeldes, e mal humorados. É que é muito difícil entendê-los dessa maneira, porém para o adolescente também é muito difícil entender a si próprio, e o "porque" de terem sentimentos tão contraditórios. Devemos nos lembrar que nessa fase não são crianças e não são adultos, estão construindo a si mesmo e estão testando todos os caminhos.

Aos pais resta entender e criar maneiras de comunicar-se com os filhos . Fique atento e reconheça os momentos em que ele baixa a guarda, seja no final de semana comendo uma pizza, seja no carro na carona para a escola, ou qualquer outro momento que você perceba que a comunicação é mais fácil. Aproveite esses momentos, fale sobre os problemas dele, fale sobre os seus problemas, coisas importantes coisas triviais, comunique-se.

Estabeleça limites e regras que sejam boas para os dois lados, se for importante para você, estabeleça refeições com a família, uso do celular, do computador, horários para chegar em casa depois da balada. As regras que te satisfaçam, mas faça isso levando em conta as suas necessidades e as dele, mostre a ele que você se importa, que o respeita como um ser humano.

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Não ha problema em deixar claro para o seu filho que sua casa não é um hotel, onde ele entra e sai e não precisa interagir com ninguém, mas faça isso com amor, respeito e bom senso. Respeite o seu filho e ele ira respeitar você.