Tamanho do texto

Apesar de ser proibido no Brasil, o formol ainda é usado em salões de beleza para alisar os cabelos. Porém, pode ser bastante prejudicial ao organismo

Na sexta-feira (6), Lidiane Ferreira dos Santos, de 31 anos, estava indo para casa após fazer uma escova progressiva em um salão de beleza em Ilha Solteira, São Paulo, quando começou a passar mal. Sentindo queimação pelo corpo, irritação na pele e falta de ar, ela foi internada no Hospital Regional da cidade, onde informaram que ela estava com muito formol no corpo. A mulher teve uma uma parada cardiorrespiratória e morreu na segunda-feira (16).

Leia também: Reação alérgica a cosméticos: saiba identificar este problema com teste

Lidiane Ferreira dos Santos arrow-options
Reprodução/TV Tem
Os médicos de Lidiane Ferreira dos Santos, 31, afirmaram que ela ingeriu uma quantidade grande de formol

A morte de Lidiane foi noticiada pela imprensa e está sendo apurada pela Polícia Civil. Além disso, abriu uma discussão sobre os riscos de usar formol  - um tipo de álcool bastante tóxico à saúde - em procedimentos de beleza, como é o caso da  escova progressiva  , um tipo de alisamento bastante popular. 

Na realidade, o uso da substância para fazer  alisamentos é proibida no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ainda há, porém, produtos que contêm formol, inclusive alisantes capilares, mas estes devem seguir um limite de concentração de 0,2% - quantidade que não funciona para alisar os cabelos. 

"Normalmente, esses produtos para alisamento contém concentrações bem maiores", afirma a dermatologista Ana Carolina Sumam ao Delas . Segundo ela, o formol tem vários riscos, não só para o cabelo, que fica danificado, mas para o organismo como um todo. 

"Alguns dos sintomas quando uma grande quantidade da substância é inalada são vermelhidão na pele e nos olhos, descamação, coceira, além de desencadear quadros de bronquite e asma, e dermatite de contato tanto no cliente, quanto no profissional", diz. Câncer de boca, pulmão e de pele também estão entre os efeitos mais graves do uso dessa química. 

Como o formol age e por que ainda é usado para alisar os fios?

Caio Lamunier, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e do Hospital das Clínicas de São Paulo, comenta que alguns salões de beleza continuam insistindo nessa química porque é barata e eficiente, considerando que, comparado com alternativas, a progressiva com formol dura pelo menos três meses e permite lavar o cabelo normalmente. 

Porém, essa longa duração é resultado de um desequilíbrio nas células que compõe o fio. "O nosso cabelo tem uma forma, que é dada por uma estruturas moleculares chamadas pontes de dissulfeto (que mudam de pessoa para pessoa). Quando você faz alisamento, essas pontes são destruídas e o cabelo fica liso e sem forma", explica.

Leia também: "Deu ruim" no preenchimento labial? Saiba o que fazer para corrigir isso

"No início, o cabelo fica lindo e brilhante, mas isso acontece às custas de um 'encapamento' ao redor do fio. O problema é que essa 'capa' impede a penetração de ativos e o fio não recebe os nutrientes, ficando cada vez mais ressecado e quebradiço", completa Ana Carolina. 

Riscos para quem usa formol

Para chegar ao resultado, o formol é aquecido e se torna vapor. Com isso, além do contato direto com o couro cabeludo, também é absorvido pela pele e entra no organismo através das vias aéreas. "É extremamente raro que seja letal, mas ele é sempre danoso porque é como veneno. Ele provoca maturação de proteína, o que causa danos celulares e os efeitos já mencionados", diz Caio. 

Existem alternativas ao formol que são menos agressivas?

Sim, é possível usar pelo menos outras dez substâncias para alisar o cabelo, como Tioglicolato de Amônia, Guanidina, Carbocisteína, Carbosericina, Ácido Glioxilico, entre outros. A questão, afirma a dermatologista, é prestar atenção na certificação da Anvisa. 

"As pessoas devem procurar sempre ativos que tenham um registro da Anvisa, mas isso não quer dizer que não vai danificar o fio", fala Ana Carolina. Segundo ela, qualquer tratamento para alisar o fio, controlar o frizz, etc. contém química e isso vai e, maior ou menor grau, causar impacto - da mesma forma que a tintura, a temperatura do secador e várias outras coisas. 

"Não é preciso entrar pânico, só tomar os devidos cuidados. Meu conselho é tentar evitar alisar o cabelo, pensando principalmente que hoje existem produtos para cuidar do cacheado e que o fio natural sempre é mais saudável, mas sei que não é algo possível para todas as pessoas."

Leia também: De alergia a câncer: o que pode dar errado no alongamento de unhas?

"Então, se não for possível, além de não usar formol e procurar os produtos de boa qualidade e com registro na Anvisa, a dica é cuidar do cabelo, fazendo hidratação, nutrição, reconstrução e todos esses tratamentos que ajudam a manter o fio mais bonito e saudável", completa.