
A chegada de um bebê também transforma a relação da mulher com o próprio corpo. Durante a gravidez e nos primeiros meses após o parto, mudanças hormonais, alterações na pele, maior sensibilidade a cheiros e a rotina de amamentação podem fazer com que produtos usados diariamente precisem ser reavaliados.
Dados das Estatísticas do Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil teve 2,37 milhões de nascimentos em 2024.
Do total, 65,4% foram de mães com 25 anos ou mais. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro de produtos voltados à maternidade movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão em 2025, segundo a IMARC Group, que estima crescimento para US$ 1,8 bilhão até 2034.
Para Alex Rebelo, gerente de trade marketing da Cottonbaby, a mudança também aparece no comportamento das consumidoras.
Ao iG, Alex afirma que a mulher está mais atenta aos produtos que utiliza e às próprias necessidades durante esse período.
Nossa leitura é de uma consumidora cada vez mais atenta àquilo que incorpora à sua rotina. Também existe uma mudança importante na forma de enxergar essa fase: o olhar deixa de estar direcionado exclusivamente ao bebê e passa a incluir o cuidado com a própria mulher Alex Rebelo
Pele pode reagir de maneira diferente
Entre as mudanças mais perceptíveis está a alteração na pele. As oscilações hormonais da gravidez podem modificar a oleosidade, a sensibilidade e a pigmentação, além de fazer com que produtos anteriormente bem tolerados provoquem algum tipo de incômodo.
A dermatologista Paula Sian explica que não existe uma fórmula única de cuidados para todas as gestantes.
“Durante a gestação, a pele pode responder de maneira diferente por causa das alterações hormonais. Algumas mulheres percebem aumento da oleosidade, outras ficam mais sensíveis ou apresentam mudanças na pigmentação. Por isso, não existe uma rotina única que funcione para todas. O mais importante é observar a resposta da pele e priorizar cuidados básicos, sem excesso de produtos”, afirma.
A especialista também recomenda cautela com produtos que já faziam parte da rotina antes da gravidez. Segundo ela, a gestação é um momento para revisar os itens utilizados e buscar orientação profissional quando houver dúvidas sobre determinados componentes.
A gestação é um momento adequado para rever a rotina de skincare e os produtos de uso corporal. Não é necessário criar uma sequência longa de cuidados, mas é importante avaliar se aquilo que já era utilizado continua adequado para esse período. Quando existe dúvida sobre algum ativo ou tratamento, a orientação é conversar com o dermatologista em vez de simplesmente manter ou suspender produtos por conta própria Paula Sian
Fragrâncias podem causar desconforto
Além da pele, o olfato também pode ficar mais sensível. Durante a gravidez, aromas que anteriormente eram agradáveis ou passavam despercebidos podem provocar incômodo, principalmente em mulheres que enfrentam náuseas.
Para a dermatologista, a presença de fragrância não está relacionada à eficiência de um produto.
“Cheiro não é sinônimo de eficácia. Durante a gestação, algumas mulheres ficam mais incomodadas com determinadas fragrâncias e, em peles sensíveis, fórmulas muito perfumadas também podem causar desconforto. A escolha deve considerar a tolerância individual e a simplicidade da composição, principalmente quando a pele já apresenta algum grau de irritação”, afirma.
Depois do parto, praticidade ganha importância
Com a chegada do bebê, o tempo disponível para os próprios cuidados também muda. Entre consultas, amamentação, sono irregular e adaptação à nova rotina, procedimentos demorados podem perder espaço para alternativas mais simples.
Segundo Alex, a praticidade também passou a ter peso nas escolhas das consumidoras. “O que percebemos é a procura por soluções que façam sentido para necessidades específicas desse período e que possam ser incorporadas ao dia a dia sem criar mais uma obrigação para a mulher”, diz.
O cuidado após o nascimento também faz parte do acompanhamento da saúde materna. O Ministério da Saúde inclui o período posterior ao parto entre as etapas de atenção à mulher, dentro das ações voltadas ao acompanhamento integral e à prevenção de complicações maternas e neonatais.
Para Alex, o mercado tende a ampliar a atenção às necessidades da mulher durante a gravidez e o puerpério, período que tradicionalmente recebe menos atenção do que os cuidados destinados ao bebê.
“Durante muito tempo, grande parte da atenção esteve concentrada nos produtos para o bebê. Hoje, vemos mais espaço para falar também sobre quem está cuidando e sobre as mudanças, desconfortos e necessidades que a própria mulher vivencia nesse período”, finaliza.