O aumento da longevidade feminina tem transformado também o perfil das pacientes nas clínicas estéticas. Procedimentos antes associados a mulheres mais jovens começam a aparecer com mais frequência entre quem já passou dos 60, e um deles tem chamado atenção: os cuidados com a região glútea .
Mas, ao contrário do que se imagina, a motivação não é apenas estética.
Segundo especialistas, a busca por tratamentos nessa área está cada vez mais ligada ao conforto, à qualidade de vida e ao bem-estar no processo de envelhecimento. A chamada harmonização glútea, por exemplo, passou a surgir com mais frequência nas consultas médicas.
Esse movimento acompanha uma mudança cultural mais ampla. De acordo com dados do IBGE, o Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento populacional, com predominância feminina entre pessoas acima dos 60 anos. Ao mesmo tempo, a relação com a estética também mudou: menos transformação, mais cuidado contínuo .
Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) reforçam essa tendência: procedimentos como aplicação de toxina botulínica em pessoas acima de 65 anos já somam centenas de milhares de casos por ano no mundo, mostrando que o autocuidado passou a fazer parte do conceito de envelhecimento ativo.
Olhar pro bumbum também é cuidado
No caso da região glútea, a procura vai além da aparência. Com o passar do tempo, o corpo sofre mudanças naturais, como a perda de colágeno, a diminuição da gordura subcutânea e da massa muscular. Isso impacta não só o contorno, mas também o conforto no dia a dia, especialmente ao ficar muito tempo sentado.
A dermatologista Carla Manoela Nechar, da Revion International Clinic, explica que essas alterações estão entre as principais queixas das pacientes.
Com o envelhecimento ocorre perda progressiva de colágeno e redução da espessura da pele, além da diminuição da gordura que funciona como amortecimento natural da região glútea. Muitas mulheres passam a perceber perda de sustentação e até desconforto ao permanecer sentadas por muito tempo Carla Manoela Nechar
Segundo a médica, os tratamentos atuais têm outro foco. “ Hoje trabalhamos com estratégias que estimulam a produção natural de colágeno e ajudam a recuperar firmeza e textura da região. Não se trata de transformar o corpo, mas de restaurar características que se perdem com o tempo ”, explica.
Ela também destaca que o perfil das pacientes maduras é diferente do público mais jovem. “ Na terceira idade, a paciente geralmente busca conforto e melhora da firmeza da pele, não mudanças radicais de contorno. O tratamento passa a ser parte de uma abordagem de qualidade de vida” , diz.
Para especialistas, o crescimento dessa procura revela uma mudança importante: o envelhecimento deixou de ser visto apenas como perda e passou a ser encarado como uma fase que também pode, e deve, ser vivida com bem-estar, autonomia e autoestima.