A relação dos brasileiros com o lar nunca foi tão dinâmica. Itens de decoração e utilidades domésticas são comprados com frequência, em média, a cada 2,4 meses, mostrando que a casa está em constante transformação.
Mais do que reposição, esse movimento revela um consumidor atento a tendências, que busca unir funcionalidade, estética e bem-estar no dia a dia.
Esse comportamento também reflete uma mudança mais profunda: o lar passou a ocupar um papel central na vida das pessoas, influenciando hábitos de consumo e decisões de compra.
Além de preço e qualidade, entram em cena fatores como inspiração digital, personalização e até sustentabilidade, que já impacta diretamente a escolha de produtos.
Com um mercado aquecido e consumidores cada vez mais conectados e exigentes, a forma de viver e decorar os espaços acompanha essa evolução e aponta para novas tendências que vão além da estética.
Em 2026, a decoração deixa para trás o minimalismo e passa a priorizar identidade, afeto e personalidade.
Mais do que seguir padrões, os ambientes passam a expressar memórias e histórias. O lar deixa de ser apenas funcional e assume o papel de refúgio emocional, com forte influência do olhar feminino nas escolhas.
As tendências apresentadas na 16ª edição da ABCasa Fair indicam que o minimalismo perde espaço para composições mais expressivas, marcadas pela mistura de estilos, cores e significados.
Maximalismo afetivo ganha força
O conceito de “menos é mais” perde espaço para o chamado maximalismo afetivo. A proposta é criar ambientes com mais elementos, misturando cores, materiais e histórias.
Peças decorativas deixam de ser apenas estéticas e passam a carregar significado, como louças especiais, almofadas, objetos de memória e itens que estimulam o convívio.
A tendência reforça o papel da casa como refúgio e também evidencia o protagonismo feminino, especialmente na criação de espaços mais acolhedores e personalizados.
Mistura de materiais valoriza o design brasileiro
A combinação de madeira, vidro e cerâmica aparece como destaque, evidenciando a diversidade e a riqueza do design nacional.
Segundo expositores, essa mistura traz mais autenticidade aos ambientes e reforça a ideia de que a decoração deve refletir a pluralidade cultural.
Fibras naturais
O uso de fibras naturais se expande para além dos móveis. Materiais como algodão, linho e sisal aparecem em almofadas, tapetes e até quadros.
No mobiliário externo, peças com tricô náutico substituem o tradicional trançado, oferecendo mais conforto e um visual renovado. Espreguiçadeiras, poltronas, pufes e balanços seguem essa linha, levando mais personalidade a varandas e quintais.
Tons neutros com toques vibrantes
A base neutra continua em alta, com cores como off-white, champanhe e pérola, influenciadas por tendências internacionais.
A novidade está na combinação com tons mais quentes e intensos, como terracota, verde e azul, criando contraste e trazendo mais vida aos espaços.
Estilo mediterrâneo se reinventa
A estética inspirada no mar ganha uma nova leitura. Antes restrita a casas de praia, agora aparece também em ambientes urbanos.
Elementos como peixes, corais e escamas surgem de forma mais criativa, e a lagosta se consolida como destaque da vez na decoração.
“A lagosta está em evidência e carrega essa atmosfera da Sicília e do verão europeu, que conversa muito com o desejo de frescor e descontração na decoração”, explica André Loreny.
O item aparece em louças, estampas, quadros e acessórios, ampliando sua presença também em festas e eventos.
Formas orgânicas e personalização
As linhas retas dão lugar a curvas e formatos mais fluidos. Espelhos, luminárias, vasos e tapetes passam a ter design orgânico, trazendo sensação de movimento e leveza.
A personalização também ganha destaque, permitindo que cada peça se adapte ao estilo e às necessidades do morador.