A participação feminina no setor de tecnologia segue aquém do esperado no Brasil. Dados da pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, produzida pelo departamento de inteligência do IT Forum, apontam que apenas 20% dos profissionais de TI no país são mulheres.
O desequilíbrio começa antes da entrada no mercado: somente 15% dos concluintes de cursos superiores da área pertencem ao público feminino.
Ao iG, a CEO do Instituto Itaqui, Gabriela Vicari, afirmou que a disparidade é resultado de fatores históricos e culturais.
“A tecnologia foi associada durante décadas a um imaginário masculino, afastando meninas desde cedo. Faltam referências femininas, ambientes inclusivos e incentivo na base educacional. Mas existe também uma questão cultural: tecnologia é poder e decisão. Quando apenas homens ocupam esses espaços, a desigualdade se perpetua”.
Segundo a executiva, enfrentar o problema exige ações que vão além da qualificação técnica.
“Precisamos criar ambientes onde mulheres não sejam exceção, mas parte natural do ecossistema”.
O desafio se intensifica quando o tema é liderança. Para Gabriela, o caminho até cargos estratégicos envolve barreiras menos visíveis.
“Liderança não depende só de competência técnica. Ela passa por visibilidade, rede e apoio interno. Muitas mulheres enfrentam barreiras invisíveis, como menor acesso às redes de decisão, necessidade constante de provar competência e o acúmulo de responsabilidades fora do trabalho”.
Ela defende que a ampliação da presença feminina também passa por escolhas estruturais no ambiente corporativo.
“Grupos de apoio são fundamentais, mas precisamos ir além. Como fazemos negócios juntas? Como contratamos mulheres? Como estruturamos redes para ocupar as vagas disponíveis? A transformação também é uma decisão econômica”.
Na avaliação da CEO, a mudança precisa começar ainda na infância, com outra abordagem sobre o papel da inovação na sociedade. “Em vez de perguntar: ‘Você quer estudar tecnologia?’, deveríamos perguntar: ‘Qual problema do mundo você quer resolver?’ Tecnologia é ferramenta para transformar saúde, clima, educação e mobilidade. Quando conectamos a área a propósito, mais meninas se identificam”.
Além da formação, Gabriela destaca a importância de garantir permanência e crescimento profissional.
“Precisamos garantir espaço, oportunidade e continuidade. Não basta entrar - é preciso permanecer e crescer”, finaliza.