Clarisse Och, Natali Gutierrez e Camila Gentile
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Clarisse Och, Natali Gutierrez e Camila Gentile

A história do filme "De Pernas Pro Ar" é o enredo da vida delas. Assim como a personagem Alice Segretto (Ingrid Guimarães),  essas mulheres apostaram no mercado de artigos eróticos e deram muito certo. Camila Gentile, proprietária da Exclusiva Sex, Clarisse Och, gerente de vendas da Fun Factory e Natali Gutierrez, fundadora da Dona Coelha comandam os maiores sexshops do Brasil.

Mulher falando e lidando com assuntos relacionados a sexo ainda parece um tabu que precisa ser quebrado para muitas pessoas. Para elas não só é algo natural, como se tornou um negócio bem sucedido e em franco crescimento. Por anos esse mercado foi liderado por homens e hoje, grande parte dos sexshops são liderados por mulheres. "Além do desafio, ser uma mulher nesse mercado estereotipado é revolucionário e enriquecedor", diz Gutierrez. 



Como tudo começou 


Antes de embarcar no mundo dos sextoys, Gentile trabalhou em grandes empresas do ramo da tecnologia. Tudo mudou quando em 2018, um acidente cardiovascular a refez pensar na sua profissão. "Após ter sobrevivido a tudo isso e com 3 meses em casa de licença médica, a ‘bad’ bateu. Passava horas buscando o que fazer e me sentia improdutiva, desmotivada", conta. 

A empresária já tinha a sexshop com três sócios e passou a se dedicar integralmente ao empreendimento, o que considera fundamental para o sucesso da empresa. "Pedi demissão com o apoio dos meus sócios e aqui estou, muito feliz!", diz.

Para Clarisse, as coisas aconteceram de forma diferente. A entrada no mercado veio por acaso. "Me mudei para a Alemanha com a minha família e procurei empregos em empresas que faziam negócios internacionais. Fiquei encantada, o projeto era tudo o que eu buscava. Adoro o fato de 'vender orgasmos', vender momentos de bem-estar sexual e, acima de tudo, prazer." 

Uma viagem em casal fez Gutierrez se aproximar dos produtos eróticos, que foram comprados por ela para testar com o marido. "Depois do primeiro contato, criamos um blog onde falávamos sobre experiências que tínhamos com sexshops. Em um determinado momentos, fomos convidados por uma empresa para conhecer alguns produtos e revendê-los”, conta. No começo, foi difícil de vender os produtos, mas a fundadora começou a oferecê-los em churrascos, encontros e sempre que surgia a oportunidade. O investimento deu muito certo e em 2017, ela passou a se dedicar totalmente ao negócio. 

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Uma pesquisa realizada pelo Portal Mercado Erótico mostrou que em 2020, o número de empreendedores do setor triplicou em relação a 2019, sendo 76,13% mulheres. Para as três líderes, há um bom retorno financeiro e a chave do sucesso é se doar ao negócio. "Outro ponto é a tratativa com as pessoas que estão envolvidas em todo o processo. Se for apaixonante com certeza vale a pena!", conta Gentile.


Lidando com os desafios 


Depois de tantos anos onde o sexo e o prazer eram focados apenas nos homens, ser uma mulher atuante no mercado erótico também significa travar lutas diárias com o machismo e a misoginia. Para Och, o público alemão aborda o tema de forma descontraída, sem preconceito e julgamento. Já no Brasil, o olhar muda. "Fazem piadas totalmente sem graça, já ouvi comentários misóginos e machistas", conta. 

"Em algumas situações, sempre notamos uma estranheza de um motorista de táxi quando me deixa em alguma loja, na época de escola das minhas filhas notava um pouco mais. Mas se acontece algumas dessas situações pode ter certeza que é algo que não me aflige", diz Gentile. 

A maior dificuldade e desafio para elas é lidar com os comportamentos desagradáveis de homens e ser vistas como aventureiras, como conta Gutierrez. "Ser questionada sobre o porquê dessa profissão (como se fosse um problema), ter dificuldade nos quesitos de crescimento de empresa, falta de apoio e visibilidade", diz. 

“Eu tenho total liberdade para desenhar as estratégias para cada mercado. Na hora da negociação, quando quem está do outro lado é um homem, nem sempre eles aceitam fechar a negociação com mulher, as vezem pedem para incluir o diretor ou CEO como forma de intimidar, lamentavelmente um comportamento comum com clientes no Brasil”, conta Och.

Gentile também ressalta a importância de saber se posicionar e lidar com as críticas e frustações. "Os números de mulheres no comando de empresasa mostram que temos muito que avançar, mas existe uma luz gigante no fim do túnel".


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