Um casamento budista em terras brasileiras
Casal abriu mão de pista de dança, cerveja e entrada tradicional em uma cerimônia budista que primou pela intimidade e pela paz
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Quando decidiram se casar, Eloisa e Italo sequer consideraram celebrar em outra tradição. O budismo foi a escolha mais espontânea que poderiam ter feito, já que nenhuma outra filosofia acompanhava tão de perto a história do casal. “Ela sempre me levou ao templo que frequentava”, conta Italo (veja galeria de fotos ao final da página)
.
Mas não foi exatamente neste templo que o casal se uniu. As restrições impostas pelo templo chinês frequentado por Eloisa foram tantas – como a exigência de um cardápio estritamente vegetariano e a ausência completa de bebidas – que o casamento acabaria saindo pouco ao gosto do casal. Eloisa e Italo gostariam de ser um pouco mais flexíveis e procuraram o templo tibetano Odsal Ling, em Cotia, na Grande São Paulo. “As pessoas do templo foram bem compreensivas. Afinal, não fomos cem por cento tradicionais”, ressalta a noiva.
Parecido com um cenário de filme, o templo impôs apenas duas restrições: proibiu calçados e cigarros em suas dependências. Satisfeitos, Eloisa e Italo receberam, em um sábado ensolarado, cerca de 80 amigos e familiares para celebrar o casamento. Desde a chegada do convite de casamento
, todos só se perguntavam uma coisa: afinal, como é um casamento budista?
Muito diferente de uma cerimônia católica tradicional, o casamento budista não envolve ritos como a entrada de padrinhos , madrinhas e damas de honra. Eloisa e Italo entraram juntos no templo e dividiram o momento em que todos os planos se tornaram reais.
Lado a lado, eles foram recepcionados pela Lama Tsering Everest, que realizou toda a cerimônia recitou mantras e leu alguns ensinamentos de vida. Dentre os presentes, Eloisa e Italo eram os únicos budistas. Mas os convidados, devotos de diversas religiões, ficaram tão comovidos quanto o casal.
No momento mais especial da cerimônia, padrinhos e madrinhas não contiveram as lágrimas. Eloisa e Italo os presentearam com katags, lenços com escrituras tibetanas. “Foi o momento mais emocionante do casamento”, concordam os noivos.
Durante a celebração religiosa, o casal vestiu a chuba , um manto tradicional budista. Para a festa, Eloisa não dispensou um vestido curto off white com rendas pretas e sapatilha, enquanto Italo usou calça social e camisa. Um pé na tradição oriental, outro no conforto brasileiro secular – como muitas escolhas do casal.
A festa fez um par perfeito com a personalidade e o estilo de vida do casal, que planejou tudo por conta própria, desde a decoração ao cardápio da recepção.
O buffet serviu finger food, uma boa opção para um clima informal. Nas bebidas, apenas vinho e espumante. Outro ponto em que o casal quis fugir do tradicional foi o bolo : nada de vários andares ou pasta americana. “Fizemos uma torre de bem casados e o bolo já foi servido cortado para os presentes”, lembra Eloisa.
O saldo final da celebração foi uma experiência única, tanto para os convidados como para os fotógrafos. “Para nós, o templo budista foi um lugar inédito e muito bonito para se trabalhar”, afirma o fotógrafo Ricardo Jayme, da Foco Estúdio.
As dúvidas dos convidados, curiosos para saber como seria um casamento budista, foram todas respondidas à maneira dos noivos. O casamento de Eloisa e Italo não teve bolo, cerveja ou pista de dança. Alguma decepção? Nenhuma. No final das contas, os noivos têm a mesma impressão: estavam cercados das pessoas certas, o que mais importa no dia de um casamento.
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