Seu filho sofre bullying? Pense um pouco antes de agir

Para experts, ao resolver todos os problemas de relacionamento dos filhos, pais podem estar apenas prejudicando futuro das crianças

Renata Losso, especial para o iG São Paulo | 22/09/2011 07:19

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Foto: Getty Images Ampliar

Bullying: envolvimento imediato dos pais priva filhos de aprender a resolver conflitos

Com a repercussão de tragédias como a de Realengo, no Rio de Janeiro, e a criação de políticas de “tolerância zero” – em Nova Jersey, nos Estados Unidos, uma lei já foi aprovada para obrigar as escolas públicas a desenvolver programas de combate ao problema – o bullying definitivamente virou assunto de adulto. E afastou as crianças da oportunidade de resolverem, elas mesmas, seus conflitos.

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Muitas vezes o bullying escolar pode atingir proporções suficientes para exigir a intervenção de um adulto. Mas nem sempre este é o caso. De acordo com Monica J. Harris, professora de psicologia da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, e autora de “Bullying, Rejection and Peer Victimization: A Social Cognitive Neuroscience Perspective” (“Bullying, Rejeição e Vitimização dos Colegas: uma Perspectiva da Neurociência Sócio-Cognitiva”, ainda sem tradução para o português), o bullying é um fenômeno complexo e engloba desde insultos leves a comportamentos criminosos, como um assassinato direto. Do lado menos preocupante do amplo espectro, está aquilo que é chamado de “apenas uma brincadeirinha” ou “somente uma gozação”. Este tipo de situação é mais comum do que se pensa – e, como os adultos de hoje em dia podem se lembrar, já acontecia nas décadas passadas.

A psicóloga Helene Guldberg é professora de Desenvolvimento Infantil da Open University, na Inglaterra, e autora de “Reclaiming Childhood: Freedom and Play in an Age of Fear” (“Reivindicando a Infância: Liberdade e Brincadeira em uma Era de Medo”, ainda sem publicação no Brasil). Para ela, muito do que é definido como bullying não deveria ser visto como tal: na maioria das vezes são apenas brincadeiras turbulentas ou disputas usuais no campo das brincadeiras que poderiam – e deveriam – ser resolvidas sem a intervenção de um adulto.

O que é bullying?

De acordo com Monica, o bullying é definido por três características: a intenção de machucar, a ocorrência repetida e o desequilíbrio de poder (um menino fortão que atormenta um magrinho, por exemplo). Acontecimentos trágicos relacionados ao bullying, como o massacre de Columbine, em 1999, e o suicídio de Phoebe Prince, em 2010, ganharam atenção mundial e deixaram os pais sensibilizados. Mas até que ponto as crianças não conseguiriam resolver conflitos leves, às vezes já considerados bullying logo de cara, antes de chamarem os pais?

A britânica Jenny Alexander é autora de vários livros sobre o tema, entre eles “When Your Child is Bullied: An Essential Guide for Parents” (“Quando seu Filho Sofre Bullying: um Guia Essencial para os Pais”, ainda sem tradução para o português). Quando um de seus quatro filhos foi vítima do problema na escola, ela não ficou de fora. Mas defende o envolvimento consciente dos pais. “A escola não foi capaz de resolver o problema e eu não podia dizer a meu filho para fingir que não se importava. Ele já tinha tentado de tudo para resolver por si mesmo”, conta. “Os pais devem se envolver com o problema e tentar apoiar e ajudar os filhos, mas isso não significa tomar as rédeas de toda a situação”.

Ela sugere aos pais disposição e abertura para conversar com o filho se este é vítima de bullying, mas deixando-o livre para determinar como quer lidar com a questão. “A maioria dos adolescentes, por exemplo, preferiria tentar resolver os próprios problemas sozinhos”, diz. Mas ela ressalta: se a manifestação do bullying é muito agressiva ou envolve um grupo, lidar com a situação por conta própria é quase impossível. Quando isso acontece, definitivamente os pais devem estar atentos.

Segundo Monica J. Harris, os pais devem perceber quando é hora de entrar em campo e procurar a escola ou os pais das crianças agressoras. A recusa a ir para a escola ou o envolvimento em agressões físicas são bons termômetros de que é hora de agir.

Ensinando a crescer

Os indivíduos são naturalmente diferentes uns dos outros na hora de lidar com conflitos. Mas os pais podem colaborar para tornar seus filhos mais (ou menos) habilidosos neste campo. “Se a criança cresce com os pais sempre dando uma mãozinha na hora de resolver conflitos, ela pode não desenvolver as habilidades necessárias para lidar com situações adversas no futuro”, afirma Monica. “Crianças que aprendem a lidar com conflitos por si mesmas estarão mais bem equipadas para encarar a vida adulta de forma independente”, completa.

Para Helene, a obsessão da sociedade pelo bullying pode sair pela culatra e, em vez de proteger as crianças, acabar prejudicando-as. Quando a criança sofre bullying e os pais imediatamente tratam o caso como um trauma eterno, a mensagem recebida é que é impossível se recuperar de uma experiência dolorosa. “Assim estaremos mais propensos a enfraquecer a autoestima dela, tornando-a menos capaz de lidar com dificuldades no futuro”, alerta.


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9 Comentários |

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  • val | 27/09/2011 22:09

    ,,

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  • Luciano H. | 23/09/2011 20:43

    muito interessante o comentário do Wanderley. Contra os perversos só tem um jeito: a Lei. É um caminho difícil pois as atenções do perverso se voltam totalmente prá vc. No primeiro momento vc ficará inseguro mas logo verá que o perverso se dirigirá para outra vítima. O perverso é antes de tudo um covarde.

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  • Helio Moura | 23/09/2011 08:14

    Para os donos de estabelecimento de ensino sempre existirá a possibilidade de serem processados pelos pais dos alunos que sofrem bullying dentro de seu colégio, curso ou universidade. Temos o seguro que protege sua escola contra este tipo de processo. Solicite uma visita de nossos consultores de negócios.

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    Wanderley Marcos do Nascimento | 24/09/2011 03:01

    Creio que a postura de pessoas e empresas com este tipo de pensamento, TORTO e PEÇONHENTO, vai na contramão da ÉTICA e do BOM SENSO, isto para não dizer, na contramão da inteligência humana. Ora, tal postura é HIPÓCRITA por natureza! Um verdadeiro DESRESPEITO a inteligência e dignidade da vítimas de bulling (e de seus responsáveis legais).\nPessoas e corporações OPORTUNISTAS como vocês são uma verdadeira VERGONHA para a espécie humana.\nHIPÓCRITAS, HIPÓCRITAS, HIPÓCRITAS.\nCriem vergonha na cara e adotem uma postura diferente e mais sintonizada com as idéias de vanguarda conscienciais!\nComo fazer isto? Bom o primeiro passo é conscientizar-se da pequenez humana de seus atuais pensamentos e atitudes. O segundo, é passar a focar na SOLUÇÃO E NO COMBATE à prática do bulling, e não em apenas tentar minimizar seus possíveis efeitos financeiros, vendo nisto apenas mais uma OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO, HIPÓCRITAS!\nAtitudes como estas, doentias, apenas corroboram para que haja mais confusões com relação a este assunto tão polêmico quanto perigoso, que nos dias atuais gera cada vez mais resultados trágicos e negativos, pois, agindo desta maneira HIPÓCRITA, pessoas e corporações vendem (literalmente) a ideia TORTA e MAQUIAVÉLICA, de que o principal problema não é o COMBATE e a PUNIÇÃO à prática do bulling, e sim, apenas precaver-se de eventuais ações judiciais de ressarcimento por danos morais.

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  • Adriany | 23/09/2011 07:57

    Estou com esse problema, meu filho tem sofrido na escola, mas a agressoraé a própria professora, que xinga e humilha as crianças. Já procurei saber com outras mães e o mesmo acontece com outras crianças, já conversei no colégio e nada mudou, inclusive escutei como resposta que era um hábito da professora tratar as crianças assim, pois ela também dá aulas em escola pública. Quando li a reportagem do menino de 10 anos que atirou na professora e se matou, fiquei muito apreensiva pois é a idade de meu filho, e imagino o que esse menino tenha passado para chegar a cometer esse ato de desespero. Vou tirar meu filho do colégio e ele já está sendo acompanhado por uma psicóloga, mas e as crianças da escola pública que essa monstra dá aulas...vão ficar à merce dos seus xingamentos cruéis. Alguns educadores precisam repensar seus métodos.

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  • Wanderley Marcos do Nascimento | 23/09/2011 03:17

    Creio que o bulling é um assunto de polícia, dos manicômios e dos tribunais, pois os que o praticam, normalmente são pessoas desiquilibradas emocionalmente e participantes do grupo psicológico dos PERVERSOS.\n\nQuem já teve o desprazer de conviver com estes tipos de personalidades doentias, sabe que apenas diálogo não resolve o problema, seja nas creches, escolas primárias, secundárias ou Faculdades e Universidades. Pelo contrário, argumentar contra as agressões sofridas, junto aos agressores, normalmente apenas aumenta o apetite voráz destes agressores, que tentarão a todo custo firmarem-se em seu papel dominante, amplificando seu poder de fogo e destruição da auto-estima de suas vítimas, com um intuito cruel e sórdido de destruí-las, emocionalmente falando.\n\nOs PERVERSOS estão por toda a parte, incluindo os ambientes de trabalho, e prejudicam a qualidade de vida de muita gente boa por aí. Penso que as únicas maneiras realmente eficientes que temos para lidar com este tipo humano, são: (1) A rédea curta (com a criação de mecanismos punitivo-educativos, graduais em relação ao tipo de agressão praticada, nos regulamentos e códigos de conduta das escolas, faculdades e ambientes de trabalho); (2) O Judiciário e (3) As Delegacias de Polícia.\n\nEspantados com minha análise? Não deveriam, pois na verdade, tais pessoas são BANDIDOS travestidos de gente honesta, que encapsulam sua BANDIDAGEM sob a forma de brincadeiras e escárnios, normalmente ofensivos e que podem evoluir para agressões físicas, morais e psicológicas, gerando traumas e consequências inimagináveis em suas vítimas, tanto maiores quanto menor for a sua idade e capacidade de racionalização e contextualização das agressões sofridas, em sua maioria, de forma gratuita.\n\nTais pessoas PERVERSAS acham, em sua visão insana do mundo, que tem o direito de maltratar as outras pessoas que eles, de maneira doentia, julgam ser mais fracas e tolas, ou apenas diferentes do perfil dominante do "status quo" social.\n\nSou a favor da tolerância zero contra os PERVERSOS, pois, achar que suas vítimas em tenra idade conseguirão defender-se por si só, é pura utopia, ou negligência com os PERVERSOS que existam em suas próprias casas, talvez espelhando suas próprias personalidades doentias.

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  • Wanderley Marcos do Nascimento | 23/09/2011 03:16

    Creio que o bulling é um assunto de polícia, dos manicômios e dos tribunais, pois os que o praticam, normalmente são pessoas desiquilibradas emocionalmente e participantes do grupo psicológico dos PERVERSOS.\n\nQuem já teve o desprazer de conviver com estes tipos de personalidades doentias, sabe que apenas diálogo não resolve o problema, seja nas creches, escolas primárias, secundárias ou Faculdades e Universidades. Pelo contrário, argumentar contra as agressões sofridas, junto aos agressores, normalmente apenas aumenta o apetite voráz destes agressores, que tentarão a todo custo firmarem-se em seu papel dominante, amplificando seu poder de fogo e destruição da auto-estima de suas vítimas, com um intuito cruel e sórdido de destruí-las, emocionalmente falando.\n\nOs PERVERSOS estão por toda a parte, incluindo os ambientes de trabalho, e prejudicam a qualidade de vida de muita gente boa por aí. Penso que as únicas maneiras realmente eficientes que temos para lidar com este tipo humano, são: (1) A rédea curta (com a criação de mecanismos punitivo-educativos, graduais em relação ao tipo de agressão praticada, nos regulamentos e códigos de conduta das escolas, faculdades e ambientes de trabalho); (2) O Judiciário e (3) As Delegacias de Polícia.\n\nEspantados com minha análise? Não deveriam, pois na verdade, tais pessoas são BANDIDOS travestidos de gente honesta, que encapsulam sua BANDIDAGEM sob a forma de brincadeiras e escárnios, normalmente ofensivos e que podem evoluir para agressões físicas, morais e psicológicas, gerando traumas e consequências inimagináveis em suas vítimas, tanto maiores quanto menor for a sua idade e capacidade de racionalização e contextualização das agressões sofridas, em sua maioria, de forma gratuita.\n\nTais pessoas PERVERSAS acham, em sua visão insana do mundo, que tem o direito de maltratar as outras pessoas que eles, de maneira doentia, julgam ser mais fracas e tolas, ou apenas diferentes do perfil dominante do "status quo" social.\n\nSou a favor da tolerância zero contra os PERVERSOS, pois, achar que suas vítimas em tenra idade conseguirão defender-se por si só, é pura utopia, ou negligência com os PERVERSOS que existam em suas próprias casas, talvez espelhando suas próprias personalidades doentias.

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  • Yra doce | 23/09/2011 01:35

    E precisointervenção do adulto quando a criança não consegue resolver sózinha.\n\nNem toda criança sabe se defender.....\n\nÉ preciso ficar atento e ajudar sim,,,quando precisa.\n\nSocorro,,,help.....s.os para as crianças que sofrem bullying.\n\nNinguém é igual a ninguémmm................\n\nNem as crianças....\n\nUmas são fortes e decididas,,,outras são frágeis.

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  • Yra doce | 23/09/2011 01:35

    E precisointervenção do adulto quando a criança não consegue resolver sózinha.\n\nNem toda criança sabe se defender.....\n\nÉ preciso ficar atento e ajudar sim,,,quando precisa.\n\nSocorro,,,help.....s.os para as crianças que sofrem bullying.\n\nNinguém é igual a ninguémmm................\n\nNem as crianças....\n\nUmas são fortes e decididas,,,outras são frágeis.

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