Seis respostas: como falar de morte com as crianças

O vovô foi para o céu, o cachorro virou uma estrelinha. Será que essas explicações ajudam a criança a lidar com a morte?

Livia Valim, especial para o iG

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Sinceridade é palavra-chave na hora de ajudar os filhos a lidar com a morte

A morte é um assunto difícil de entender até para os adultos. Para os pequenos é ainda mais confuso. Por isso, eles precisam de todo o apoio e sinceridade nos momentos em que devem encarar a perda de uma pessoa próxima. Especialistas explicam o que fazer ou não nessas horas.

1. A partir de que idade se deve falar de morte com as crianças?

Não existe idade certa para tocar no assunto. O ideal é que se espere a necessidade, seja pelo falecimento de alguém conhecido ou a curiosidade do pequeno. “Aos 4 ou 5 anos as crianças começam a entender as relações da vida e a ter acesso maior às informações”, explica o coordenador do curso de Tanatologia (Educação para a Morte) da Disciplina de Emergências Clínicas da FMUSP, Franklin Santana Santos. O que se deve fazer é ir educando seu filho através de exemplos práticos do ciclo da natureza. Semeie uma plantinha e vá mostrando como ela nasce, cresce, adoece e morre. Aquele feijãozinho plantado no algodão pode ser um ótimo aliado. Cantigas, livros infantis e filmes que tratam do assunto também ajudam.

São três pontos que as crianças precisam ir compreendendo com a sua ajuda: a universalidade – tudo que é vivo um dia vai morrer –, a irreversabilidade – quando morre, não há volta – e a não funcionabilidade – depois de morto, o ser não corre, não dorme, não pensa, não age. “As crianças personificam a morte. Imaginam que ela seja uma figura da qual podem escapar ou enganar. É preciso explicar que não é assim”, diz Franklin.

2. Crianças podem ir a velórios ou enterros?

Não se pode forçar, mas elas se beneficiam de participar junto aos adultos deste ritual de passagem. “Explique direitinho o que é um velório e um enterro e pergunte se ela quer ir. Mas nunca decida pela criança a deixá-la de fora”, indica Silvana Rabello, professora do curso de psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Os rituais servem para que todos vivenciem melhor a despedida, inclusive os pequenos. E não se preocupe: os especialistas concordam que velórios e enterros não traumatizam as crianças.

3. Como contar para elas que alguém que conhecem morreu?

Não esconda nada, muito menos invente histórias para poupar os pequenos. Frases como “ele dormiu para sempre”, “descansou” ou “fez uma longa viagem” só vão confundir a cabeça infantil. Crianças levam tudo ao pé da letra e podem achar que a vovó vai acordar ou que todo mundo que viaja nunca volta.
É muito comum também usar a famosa “o vovô virou uma estrelinha”, que pode levar a criança a acreditar nisso literalmente e ficar elaborando maneiras de chegar até ele. “As crianças de até cerca de 10 anos não abstraem. O seu psiquismo em construção não consegue captar os conceitos subjetivos. Elas pensam de forma concreta e constroem os conceitos a partir do concreto”, enfatiza Deusa Samú, psicóloga clínica especialista em luto.

4. E se a pessoa for muito próxima?

Se a morte for por doença, a criança deve estar a par de todo o processo. Explique que a pessoa está doente e que é grave, lembre do ciclo da vida da plantinha. “Não fale de sopetão. Mas, quando acontecer, use sempre a palavra ‘morte’. Isso é bastante importante para que ela entenda”, ensina Franklin. Se a morte for inesperada, é preciso ser direta e sincera. Abra espaço para tirar todas as dúvidas que podem estar passando pela cabeça do pequeno. Não é necessário esconder as emoções, mas observe se sua atitude não está traumatizando as crianças.

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A morte de um animal de estimação também deve ser administrada com cuidado pelos pais

5. Quando ela pergunta o que significa morrer, como explicar?

“Primeiro, elabore seus próprios conceitos sobre a morte e sobre a possível continuidade da vida, porque só poderemos responder às crianças respeitando nossa própria verdade”, aconselha Deusa.

Depois, explique que nem todos pensam como papai e mamãe. Dê as versões de outras religiões, inclusive do ateísmo. Mais uma vez vem o conselho de todos os especialistas: “seja honesta”. Nem sempre você terá todas as respostas. Que tal dizer “não sei” e se propor a buscar as explicações junto com seu filho?

6. Qual a melhor forma de ajudar a criança durante o luto?

Demonstre que, como ela, você também está sofrendo e sente saudades. Deixe que a criança fale sobre seus sentimentos e, acima de tudo, dê apoio e acolhimento. Garanta que ela nunca estará sozinha e sempre haverá alguém para cuidar dela. Isso porque o ente que se foi pode ser um dos pais ou o pequeno pode começar a pensar na mortalidade deles.

“Não exclua as crianças das conversas, da tristeza. Ouça o que elas têm pra falar ou peça para que desenhem o que estão sentindo”, indica Silvana.

É natural que os pequenos apresentem mudanças de comportamento depois que recebem a notícia da morte de alguém com quem convivem. Além do choro e da raiva, alguns começam a ir mal na escola, ficam hiperativos ou fazem xixi na cama. Considere a ajuda de um psicólogo e até da escola. É importante que a criança sinta que tem o apoio e a atenção dos colegas e dos professores.

Como acontece com os adultos, a memória afetiva nunca vai desaparecer. Mas, depois de certo tempo, acontece o chamado luto saudável, quando se percebe que é possível se lembrar do ente querido de forma leve e sem sofrimento.

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17 Comentários |

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  • eliene lima | 01/10/2011 18:09

    assim como DEUS cosntituiu a vida tbem construiu a morte este é um assunto que não se pode desviar, que é algo dificil de comentar isto é ,porem sabemos que temos que conviver com ele.\n

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  • Silvania | 08/11/2010 13:49

    Minha mãe faleceu há 5 meses depois de 40 dias internada. Meu filho de 5 anos enfrentou super bem, dissemos que ela foi morar com o papai do céu e ele respondeu - Eu sabia que ela iria morrer. Ela estava muito doente."
    Durante o tempo em que ela esteve internada fomos preparando-o, pois ele sempre perguntava quando a vovó voltaria para casa. Ainda estamos tristes, as vezes ele diz que tem saudades da vovó, mas dificilmente comenta e não interferiu no comportamento dele.

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  • MARCIO | 02/11/2010 19:02

    Excelente reportagem. Contudo, eu acho que ela funcionaria muito bem se todos aqueles que estiverem presentes ao velório tivessem esse nível de conscientização. O que geralmente não ocorre. Alguns possivelmente precisarão de mais auxílio do que as próprias crianças. Assim, acho que é melhor analisar cada caso em particular, pois nunca se saberão quais as possíveis manifestações exteriorizadas por cada um dos presentes ao velório face a sua conscientização sobre a vida e a morte.

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  • carlos | 02/11/2010 18:02

    A "morte" só existe no vocabulário derivado dos MALDITOS RELIGIOSOS PROFISSIONAIS ; por que nas palavras de Jesus : O Pai é Espirito e Verdade e assim quer que Seus filhos venham a ser, a VIDA É PLENA E INFINITAMENTE CONTÍNUA, por que o espírito é ETERNO, conforme provou o Divino Modelo de Comportamento Jesus, ressurgindo ou reaparecendo em espírito, dando TOTAL TESTEMUNHO EXPERIMENTAL, que as religiões PROFISSIONAIS forjaram o "Deus relativo, velho,caduco e estando sempre bem longe, agindo com passes de mágica ou sobrenaturais...etc. BENDITO SEJA O DILÚVIO DE FOGO previsto e já em andamento, por Jesus, no Sermão Profético e no Apocalípse. O Novo Céu e a Nova Terra será a Terra do porvir, sem mistérios e enigmas, mas com MORAL, AMOR, REVELAÇÃO,SABEDORIA e VIRTUDE. As crianças aprenderão com suas FAMÍLIAS que Deus é Onipresente, Onipotente e Onisciente. Por que a VERDADE TOTAL é Deus.

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  • ilza | 02/11/2010 15:29

    ... como falar de morte...

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  • SOCORRO PADILHA | 02/11/2010 14:43

    Perdi meu querido filho de forma brutal,em um assalto no qual ele n participava,se encontrava dentro de casa ,quando visitas que estavam chegavam na sua residencia para um almoço em familia foram assaltados,ele ouviu algum e perguntou da janela do proprio quarto o q estava acontecendo ,os bandidos ja estavam se retirando ao ouvir a voz do meu filho um disse apaga e apagaram com um so tiro no coraçao,caiu nos pes da unica filha de 8 anos q presenciou tudo ate tentar ,reanimar o proprio pai,hoje o mundo dela e restrito diante de tamanha barbaridade,ai pergunto o q falamos pra ela se morte e natural mais n dessa forma tao marcante e brutal,O que passa na cabecinha nao posso imaginar,o caminho foi diferente e doloroso,era jovem e sabia amar ,nunca encontrei uma explicaçao essa e a verdade ,pra mim q sou adulta muito menos pra ela, uma criança q o amava e presenciou tudo caiu aos pes dela dizendo dudinha papai ta morrendo !

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  • Eneida Moreira Lima Viana | 31/10/2010 20:04

    Meu filho perdeu o pai no dia do seu aniversario de 7 anos.Hoje ele esta com 12 e com mts
    problemas por eu não ter levado no velorio e não ter faladdo da morte com ele neste dia.
    Quis apenas proteger,mas fiz tudo errado.

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  • jorge juliao | 09/10/2010 05:21

    Cada um vê a paisagem de acordo com o local em que está. Sempre temos que respeitar opinião alheia, mas como espiritualista somos obra de Deus muito perfeita para sumir de vez. Por isso nos consola saber que não vamos apenas sumir, mas se é difícil explicar isso aos adultos imagina para uma criança, depende muito de orientação paulatina. abç

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  • GRUPO HÉRCULES SC | 09/10/2010 02:42

    Falar de morte não é muito comum entre nós brasileiros. Porém podemos mudar esta realidade tratando este assunto com clareza e tranquilidade com nossas crianças. Conceitos de morte já são nebulosos e o que esperar de uma familia enlutada, quando fala-se de Morte Encefálica, condição primordial para a doação e captação de Órgãos e Tecidos para Transplantes? Não entenderão!
    Fale de morte e de doação de vida.

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  • Karine | 09/10/2010 01:42

    Eu tinha 10 anos quando fui há um enterro e fiquei traumatizada por dois anos, foi horrível! Criança não tem estrutura para ver coisa tão horrenda... Umas não vão entender outras vão ficar traumatizadas sim! Esses especialistas tem que estudar mais!

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