Repouso absoluto durante a gravidez pode fazer mal

Pesquisadora na área de enfermagem contesta a prescrição de ficar na cama, até mesmo em gestações de risco

Livia Valim, especial para o iG São Paulo | 19/11/2010 11:55

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Foto: Getty Images

Repouso absoluto: além de não ter benefícios comprovados, ficar na cama pode gerar efeitos colaterais

Há mais de 20 anos estudando a eficácia do repouso absoluto, Judith Maloni, professora de enfermagem da Universidade de Case Western (EUA), acaba de publicar um artigo no periódico Biological Research for Nursing sobre suas conclusões. Segundo ela, não existe evidência científica que comprove a eficácia do repouso na cama para evitar partos prematuros. E o que é pior: o descanso pode trazer problemas físicos e psicológicos para a mãe e, consequentemente, para o bebê.

Nos Estados Unidos, cerca de 1 milhão de mulheres são aconselhadas anualmente por seus obstetras a ficar na cama o dia inteiro, levantando apenas para ir ao banheiro ou tomar banho. Essa prescrição pode ter dias ou mesmo meses de duração. “A falta de eficácia do repouso deitada não seria uma grande preocupação se não houvesse efeitos adversos. No entanto, as pesquisas também não conseguem apoiar a suposição de que o repouso absoluto é seguro tanto para a mãe quanto para o bebê”, escreveu Judith.

No Brasil não existem estatísticas oficiais para o número de grávidas que ficam de repouso, mas o ginecologista e obstetra José Bento de Souza acredita que cerca de 20 a 30% recebam esta prescrição em alguma fase da gravidez. “Realmente não existe nenhum trabalho científico sério comprovando que o repouso inibe contração, sangramento ou parto prematuro. Mas se você não pedir para a paciente que está com contrações fazer repouso, ela vai mudar de médico. É um pensamento já tão arraigado na cabeça das pessoas que vão te achar louco se não houver a prescrição”, diz.

Segundo José Bento, mesmo nos casos de fertilização in vitro não há evidências de que após o procedimento seja preciso descansar para aumentar as chances de sucesso. Mas as pacientes querem ficar de repouso. “Tem um trabalho do subconsciente muito forte para as mulheres acharem que estão fazendo tudo o que podem para a gravidez ser levada adiante. Se acontece um aborto e elas não repousaram, sentem-se culpadas”. Isabel Corrêa, ginecologista e especialista em reprodução humana da Huntignton Perinatal, no Rio de Janeiro, diz que também não há razão para abandonar as atividades normais por conta própria. “Não há evidências de que isto traga benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Pode-se trabalhar até o último momento, sempre levando em conta as condições da mãe e do feto, que devem ser avaliadas pelo obstetra”.

Efeitos colaterais

Judith Maloni analisou diversos estudos científicos que compararam a situação de mulheres grávidas em repouso absoluto com as gestantes em suas atividades normais. Ela dividiu os males do descanso na cama entre fisiológicos e psicológicos. Dentre os fisiológicos, estão o risco de atrofia muscular, ganho de peso da mãe abaixo do esperado, pouco peso do bebê, perda óssea, trombose, fadiga, dores nas costas, mudanças na qualidade do sono, congestão nasal, refluxo, indigestão e lábios ressecados. Os danos comportamentais geralmente são sintomas de depressão, ansiedade e hostilidade.

“Para algumas mulheres, esse período sem atividade gera mais ansiedade do que se estivesse trabalhando, o que pode ser ruim”, explica a ginecologista e obstetra do Centro de Fertilidade da Rede D’Or, no Rio de Janeiro, Maria Cecília Erthal. Judith vai além e cita um estudo feito em 2003 demonstrando que até as crianças sofrem a consequência: mães que ficaram de repouso absoluto por ao menos 15 dias durante a gravidez relataram que seus filhos tiveram uma incidência significativamente maior de alergias, enjoos ao movimento e precisavam mais serem embalados para dormir do que os bebês de mães ativas.

Apesar das conclusões, o repouso absoluto para grávidas tem décadas de prescrição, por isso não é tão fácil mudar o pensamento de médicos e futuras mamães. Em alguns países, porém, há sinais de transformação. “No Canadá, por exemplo, novos guias de prática clínica publicados pela Sociedade de Obstetras e Ginecologistas declaram que o repouso deitada não é recomendado para tratar de pré-eclampsia e não existem evidências suficientes para recomendar este descanso absoluto para mulheres com problemas de hipertensão”, escreveu Judith na conclusão de seu artigo.

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    14 Comentários |

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    • Rosilene | 22/11/2010 08:00

      Acredito que cada paciente deve ter um estudo específico para tratar do seu caso. Eu por exemplo estive de repouso por dois meses a partir do 6º mês de gravidêz. Tive pequena cólica, fui ao médico e exame ele tocou a cabeça de meu bebê. Tive a prescrição de repouso total, só levantar para ir ao banheiro e tomar banho. Após dois meses, numa tarde, louca para caminhar, levantei fui para a varanda e dei cerca de 15 voltas. Logo após a bolsa rompeu e entrei em trabalho de parto prematuramente. Acredito que, no meu caso, se não tivesse feito o repouso, poderia ter entrado em trabalho de parto no 6º mês, o que seria um grande risco. Como tomei corticoides 15 dias antes do parto, meu filho nasceu respirando e saudável, apesar de prematuro.

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    • Sol | 21/11/2010 02:51

      O repouso faz parte do desejo de ser mãe, para mim o repouso foi o responsavel para ser realizado o meu desejo de ser mãe, sofri 2 abortos,o primeiro com 3 meses de gestação e o segundo com 5 meses de gestaçao, a terceira gravides, com 2 meses de de gestação, foi feita a cerclagem e repouso absoluto, após o quinto mes de gestação comecei a ter contrações e foi até o oitavo mes de gestação qdo meu filho nasceu com 3.100 kg e 49 c. saudavel, de parto cesária , Graças a Deus hoje meu filho esta com 19 anos, a todas as futuras mamães, boa sorte, não deixe de fazer repouso, vale a pena.

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    • sueli | 20/11/2010 06:07

      ola eu estou ja com 23 semanas de gravides a minha medica me proibiu de trabalhar e fazer repouso absoluto ela disse que o meu utero e estreito e pequeno e a nenem ja estar com 585 gr mais eu nao consigo ficar deitada o dia inteiro eu ando dentro de casa limpo a casa devagar faco comida gostaria de saber se faz mal esses movimentos que eu estou fazendo obrigado

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    • Solange | 20/11/2010 01:08

      Sim com certeza,repouso absoluto é de mais, pois não está doente.Mas eu perdi um bebê por não fazer repouso achava besteira,na minha proxima gravidez,segui certinho o que o médico me passou,apesar de ganhar muito peso minha princesa nasceu 3.670kgs 51cm de pura saúde graças a Deus.

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    • Rosi | 19/11/2010 20:38

      Gostaria de saber se nos casos de placenta previa marginal com inicio de sangramento como é avaliado a questão do repouso. Como deve proceder?

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    • Christiane | 19/11/2010 20:33

      Gostaria de saber se isso é válido em casos de descolamento ovular (placenta)? Pois, geralmente, os médicos indicam repouso absoluto nessas situações.

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    • claudia lopes peralta | 19/11/2010 20:06

      Ola mulheres que ja passaram por esta incrivel ou pensam em serem mae ,nada melhor que ter um bom medico ,afinal nem uma gravides e igual a outra eu tenho tres filhos ,uma de 20 anos um menino de 17 e uma de 12 anos ,hoje estou gravida do meu segundo marido e e uma esperiencia muito especial estou com 6 meses e e tudo muito tranquilo ,trabalho 12 horas por dia pois tenho uma floricultura ,trabalho de segunda a sabado e faço tudo sozinha pois nao tenho funcionarios .aqui no sul e muito calor nessa epoca a unica coisa e que tenho presao baixa mais nada me impede de trabalhar e fazer tudo que gosto junto com minha familia .meu filho e um menino e vai se chamar Leonardo Henrique nasce em fevereiro com a graça de Deus ,abraço a todas as mae ,pois ser mae e uma dadiva de Deus

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    • tatiana | 19/11/2010 19:52

      Gostaria, também, de saber se a pesquisa inclui grávidas cercladas. Fui cerclada, o médico não indicou repouso absoluto e eu perdi o bebê com 21 semanas. Obrigada.

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    • Sandra | 19/11/2010 19:00

      Eu fiquei 3 meses em repouso absoluto durante o início da gravidez e 1 mês no final, posso dizer que quase enlouqueci! Tive síndrome do pânico e entrei em depressão, mas até hoje acredito que o repouso foi necessário e agradeço todos os dias por ter um filho tão maravilhoso e lindo, agora um adolescente. Acredito que enquanto não provarem o contrário, as mães farão repouso e se sentirão recompensadas depois, quando tudo der certo!

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    • SHEILA | 19/11/2010 18:05

      Acredito q a mulher gravida, consequentemente esta mais sensível, delicada e precisa realmente de mais cuidados. Porém não necessario esse repouso constante e principalmente em cima de uma cama. É muito mais saudável estar ativa e testando suas capacidades e do corpo tbm. Claro que com muito cuidado, afinal tem um ser dentro de ti e tudo muda em você.

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