Fraldas, mamadeira, chupeta: existe idade certa para largar?

Por Camila de Lira, iG São Paulo

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Seu filho de 3 anos e meio ainda usa fraldas ou mamadeira? Sua filha de 4 anos continua querendo mamar no peito? Não entre em pânico. Eles são normais

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Entre 2 e 3 anos, a maioria das crianças já está pronta para largar as fraldas

Desde que recebem a notícia da gravidez os pais se preocupam com as épocas certas para o desenvolvimento de seus bebês. Depois do parto, a preocupação se transforma em milhares de dúvidas: será que se ele sair das fraldas depois dos dois anos é muito tarde? Será que sou uma boa mãe ao tirar a chupeta da minha filha tão cedo? Será que pode usar mamadeira até os três anos? E dormir sozinho, a partir de quando?

Apesar de passarem por fases parecidas, nem toda criança é igual. Por isso é complicado afirmar com exatidão a idade em que ela precisa aprender certos comportamentos. Por isso, médicos e pediatras calculam períodos estimados para o abandonos de hábitos como o uso da fralda (entre 2 e 4 anos) e a amamentação (entre 2 e 3 anos). Seu filho está um pouco fora desta média? Claudionor da Silva, neonatologista da maternidade Pró Matre, recomenda aos pais que fiquem calmos. “Não entrem em pânico, vai dar tudo certo”, diz o médico.

Ele explica que os pais precisam respeitar os sinais que os filhos mostram. A psicóloga Renata Kraiser concorda: os pais não podem comparar o andamento de seu filho com o dos outros. “Se a filha da vizinha fazia isso, ótimo para ela. O seu filho vai ter o tempo dele, não há nada de mal nisso. Fazer algo antes não significa fazer melhor”, resume.

Crianças devem ser estimuladas – independentemente de quando seu filho vai alcançar os marcos do desenvolvimento. Por isso, anote as dicas para ajudá-lo em cada uma dessas conquistas.

Adeus às fraldas

O abandono da fralda tem dois aspectos importantes. O primeiro e principal é o fator motor e físico da criança. O presidente do Comitê de Aleitamento da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciano Borges, explica que se trata do controle fisiológico da criança e, biologicamente, isso só acontece depois dos dois anos de idade.

O segundo fator é emocional. Claudionor da Silva explana que as crianças encaram as fezes e a urina como parte do corpo delas e podem não se sentir bem quando os pais veem o ato de fazê-las como algo nojento.

“Fazer cocô e xixi mexe muito com a emoção da criança, por isso precisa ser uma atividade tranquila. E não é estipulado pela medicina que alguém com 3 anos precisa usar a privada. Se o seu filho não está preparado, pode acontecer um pouco mais tarde”, afirma Claudionor.

Leia: Os 10 erros mais comuns na hora de tirar a fralda das crianças

Soraia Azzi, psicóloga infantil do Hospital Albert Einstein, sugere que os pais tirem as fraldas dos filhos em épocas em que estejam em casa, para monitorar a transição com paciência. “Além disso, é preferível que seja uma época de verão, pois a criança percebe que ficar sem fralda é mais agradável para ela”, diz.

Quando ele está pronto? As crianças podem dar sinais como: se incomodar com as fraldas, avisar quando precisam usar o banheiro e parecer constrangida ao ter que fazer na fralda, na frente de todo mundo.

Tchau, mamadeira

Sugar é um reflexo intuitivo e se torna a primeira atividade do bebê. Por isso, deixar o hábito para trás significa uma grande conquista. “Os pais devem mostrar que a criança vai deixar um hábito para um comportamento novo”, diz Soraia Azzi. “Precisa transparecer um sentimento de conquista para ela”.

Ela sugere que os pais ressaltem para as crianças as vantagens de deixar a mamadeira para trás. “Se a criança toma mamadeira deitada na cama ou no sofá de manhã, mostre que ela pode tomar café à mesa com a família, que gosta da companhia dela e que isso é algo que ela não teria se continuasse com a mamadeira”, exemplifica.

Quando ele está pronto? Claudionor da Silva e Renata Kraiser afirmam que, assim que a criança conseguir dormir a noite inteira, a chupeta já pode ser retirada (leia aqui o dossiê da chupeta). “Isso pode acontecer a partir dos seis meses”, completa o médico.

No caso da mamadeira, não há idade certa para o abandono, mas é melhor que seja um pouco depois do desmame e que seja feito de forma gradual. A Organização Mundial da Saúde recomenda que o aleitamento seja exclusivo nos primeiros seis meses de vida e depois conviva com outros tipos de alimentação até os dois anos de idade da criança.

Vou dormir sozinho!

A psicóloga Renata Kraiser, que também é autora de “O Sono de seu Bebê” (Editora CMS), diz que as crianças já podem dormir sozinhas no quarto desde bebês. “A criança que dorme no espaço dela dorme melhor. Essa é a melhor forma de repousar”, diz.

Mesmo nos casos de terror noturno e de sono interrompido, a criança deve ser estimulada a voltar para a própria cama. “Se ela acordar no meio da noite, é preciso acalmá-la, passar segurança”, diz. “Se for muito difícil fazê-la voltar para a cama, deixe-a escolher um brinquedo ou um cobertorzinho que fará companhia para ela”, afirma. Agindo dessa forma os pais ensinam as crianças não só a dormirem sozinhas, como também a pedir ajuda.

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Amamentação, o fim de uma era 

“Estudos mostram que a maioria das crianças desmamam sozinhas, entre os dois e três anos de idade. Foram muito baixos os números de crianças que passaram dessa idade e ainda mamavam no peito da mãe”, afirma Luciano Borges, presidente do Comitê de Aleitamento da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ele diz que, a partir dos seis meses, as mães podem começar a incluir certos tipos de comida no cardápio de seus filhos, como recomenda a Organização Mundial da Saúde. “Assim, o desmame será feito de maneira natural”, diz.

Muitas vezes, a amamentação mais prolongada é estimulada pelas mães. As mães criam vínculos quando amamentam e algumas delas temem perdê-los ao deixar de fazer isso. “É difícil deixar de amamentar. Mas a criança não pode mamar para sempre. O que as mães precisam saber é que o fim da amamentação é apenas o fim de uma fase, como o de várias outras”, diz Renata Kraiser. “Se a criança dá sinais de desenvolvimento, independência e autonomia, como andar e falar, ela está nos dizendo que não precisa mais dessa ligação com a mãe – mas pode ter uma ligação diferente”, completa Soraia Azzi.

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