Antes de sair guardando tudo, vale selecionar os objetos mais significativos e guardá-los de maneira adequada, evitando o desgaste natural pelo tempo

Tudo o que diz respeito a um filho tem significado especial para os pais. Muitas vezes, porém, a vontade de guardar as lembranças, que vão desde marcos importantes até situações mais corriqueiras da vida da criança, é maior do que o espaço disponível em casa. O acúmulo pode abrir brecha para alguns descuidos em relação à conservação de cada lembrancinha, fazendo com que algumas delas estraguem com mais facilidade.

O primeiro passo, portanto, é adotar uma postura criteriosa em relação ao que será guardado - e, mais importante, por quê o objeto em questão merece esse privilégio em relação aos demais. Não é necessário guardar absolutamente tudo o que faz parte do cotidiano da criança. A dica é praticar o desapego e estabelecer uma meta de quantas coisas podem, por ano, ir para as caixinhas de recordações.

“Minha orientação é transformar algumas recordações em um foto-livro. Não custa caro, mas é trabalhoso porque você tem que fotografar e digitalizar tudo. Então, você monta um livro com todas essas fotos, como a primeira nota dez da criança, o primeiro desenho, e por aí vai. O importante é não guardar o que você realmente não quer e não precisa. É legal porque a criança pode ler e mostrar esse livro para outras pessoas”, aconselha Ingrid Lisboa, da Home Organizer.

A grande vantagem de guardar e cuidar desses itens da infância é a possibilidade de reviver os momentos especiais, principalmente depois que os filhos crescem. A memória não consegue armazenar, com exatidão, todos os momentos vividos pela família. Por isso, rever uma fotografia ou um trabalho da escola é como viajar no tempo.

“Os pequenos também gostam de se reconhecer nas lembranças, rever fotos antigas e brinquedos. Isso porque eles também revivem uma situação que a memória não alcança, por isso que é tão legal”, afirma a personal organizer Claudia Pilli, da OrdenArte.

As “obras de arte
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As “obras de arte" da criança: separe as que têm mais significado e guarde em uma caixa com bolas de cedro

Eternizando momentos

As possibilidades são infinitas e vão muito além dos trabalhos escolares da criança. É possível guardar a pulseirinha da maternidade, a primeira roupinha, o cobertor e a pelúcia favoritos, uma mecha do primeiro corte de cabelo. Enfim, vale o que a imaginação mandar.

Mas atenção: não dá para simplesmente juntar tudo e colocar em uma caixa, no fundo do armário. Cada um desses itens tem um método de conservação específico, que precisa ser respeitado. As roupas brancas, por exemplo, amarelam com o tempo e ficam com aquele cheiro de “guardadas”, além do risco iminente de mofar. O papel de seda azul pode até retardar esse processo, mas não é completamente eficaz.

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“O melhor é guardar roupas, bichinhos de pelúcia e cobertores em sacos de reduzir o volume. Basta lavar as peças e deixá-las bem seca, sem nenhum resquício de uso ou sobra de pele, e guardar nos sacos. Assim o tecido fica muito mais conservado, sem o risco de amarelar ou pegar um cheiro ruim. Esteticamente não é bonito, mas dá para pegar esse saco e colocar dentro de uma caixinha, se for o caso”, explica Ingrid Lisboa.

Coisas pequenas, como uma mecha de cabelo ou o primeiro dente, precisam ser colocadas em caixinhas transparentes, sempre à vista. Por descuido e falta de atenção, essas lembranças podem ser facilmente confundidas com algum envelope sem importância, por exemplo, indo parar no lixo de casa. Também é importante que essas caixinhas sejam feitas de plástico, para evitar o aparecimento de bichinhos atraídos por matéria orgânica.

Brinquedos

A dica de Ingrid para guardar documentos, desenhos e outros papéis é apostar em caixas cartonadas, com furinhos, que deixam o ar circular. Para evitar que o mofo e as traças estraguem as lembranças, basta colocar algumas bolas de cedro dentro das caixas.

“É uma madeira com um cheiro delicioso, mas péssimo para as traças e insetos. É o que há de mais seguro para papel. Nada de usar produtos industrializados, que viram água e podem acabar manchando os desenhos e documentos”, ressalta a especialista.

E os brinquedos? Dá para escolher poucos, quando a criança tem aos montes? Apesar de parecer difícil, é possível. Em vez de escolher os mais bonitos ou mais caros, é melhor ficar atento aos favoritos dos pequenos.

“Eu sempre pergunto para os meus filhos quais são os brinquedos que eles mais gostam. É que nós temos a tendência que guardar os mais bonitinhos, mas precisa ser o mais significativo para eles. É o que realmente importa, porque tem um valor afetivo para as crianças”, ressalta Claudia Pilli.

Em vez de acumular ou simplesmente jogar fora, um caminho é doar os brinquedos que estão sobrando. Esse é um destino útil para eles, que farão a felicidade de outras crianças. Também é uma maneira de ensinar a importância do desapego desde cedo.

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