Segundo levantamento, mulheres são mais inseguras e sensitivas, enquanto homens são mais pragmáticos e menos confiáveis

Em ao menos 70% dos casos as personalidades de um homem e de uma mulher não batem
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Em ao menos 70% dos casos as personalidades de um homem e de uma mulher não batem

Homens são de Marte e mulheres são de Vênus? A ideia, fortemente ancorada no senso comum, de que pessoas de gêneros diferentes sempre terão problemas para se entender, ganhou respaldo científico. Um estudo realizado em parceria pelas universidades de Turim, na Itália, e de Manchester, na Inglaterra, e publicado na última quarta-feira (11), dá conta de que em, no mínimo, 70% dos casos, as personalidades de um homem e de uma mulher não batem.

“A principal descoberta do estudo é que quando você mede as diferenças de personalidade entre gêneros no nível certo, com as melhores técnicas para reduzir a margem de erro, essas diferenças são muito grandes”, explica Marco Del Giudice, principal responsável pelo projeto que leva o título de “ A distância entre Marte e Vênus: medindo as diferenças de personalidade globais entre os sexos ”. “Isso vai contra o consenso atual no campo de estudo da personalidade”, acrescenta.

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No filme "A Verdade Nua e Crua" protagonista sofre com as ideias machistas do colega
De acordo com a pesquisa, que foi feita com dez mil voluntários dos Estados Unidos, os homens descrevem a si mesmos como mais emocionalmente estáveis, pragmáticos e dominantes, mas menos confiáveis. As mulheres se vêem como mais acolhedoras, inseguras e sensíveis. Traços como perfeccionismo, abstração e entusiasmo, por exemplo, não variaram entre os sexos.

Para Paul Irwing, outro pesquisador envolvido, o medo de algumas pessoas em assumir tais diferenças é compreensível. “Elas não querem arriscar o avanço das mulheres no mercado de trabalho e no acesso a educação” , diz.

Ele, no entanto, discorda que os resultados possam levar por este caminho. “Os avanços sociais não serão influenciados pela ciência, as únicas consequências (em não se assumir diferenças) são danos para a própria ciência”, constata.

A doutora em psicologia Rosiska Darcy de Oliveira é autora do livro “ O Elogio da Diferença ”, que trata justamente da importância em admitir as diferenças entre os sexos. “Não é preciso uma pesquisa para provar que homens e mulheres são diferentes”, diz, quando perguntada sobre os resultados do estudo. Ela explica: “homens e mulheres são obviamente diferentes em função da história, das vidas que levam e das experiências que têm”.

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A psicóloga alerta para que os resultados não sejam mal interpretados. “Não vejo nenhum problema em dizer que homens e mulheres são diferentes, desde que isso não pressuponha uma hierarquia” . Rosiska tem, ainda, outra ressalva. “A pesquisa se apresenta como científica, mas o problema é que dez mil americanos falam sobre dez mil americanos, não sobre todos os homens e mulheres”.

Para Irwing, no entanto, isso não é um problema. “Certamente as diferenças entre os gêneros variam de acordo com a cultura, mas nossos métodos são independentes, de tal forma que em todas as culturas os resultados representem uma estimativa válida”, finaliza o pesquisador.

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