Dicas e conselhos bem práticos para não enlouquecer com a pessoa que divide o mesmo teto com você

Dividir a casa é bom para o bolso e para a convivência, mas é preciso organização e flexibilidade
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Dividir a casa é bom para o bolso e para a convivência, mas é preciso organização e flexibilidade
Quem nunca tomou uma bronca por esquecer louça suja na pia, garrafa de água vazia na geladeira ou monopolizar o banheiro de manhã?

São agruras de viver numa mesma casa, seja com a família, parceiro ou room mate , expressão em inglês que pegou para designar o colega com quem se divide a casa.

Geralmente, é com os room mates que surgem os conflitos mais difíceis de superar, já que não há nem vínculo familiar nem amoroso .

A professora de inglês Nani Oliveira, 36 anos, passou por poucas e boas nos últimos 10 anos, em que compartilhou o lar com família, amigos, namorado e desconhecidos.

As dicas para tirar de letra essa convivência estão no livro “ Dividindo o mesmo teto ” (AllPrint Editora), lançado no final de 2011.

“Morei 6 anos em Londres e divido casa há 4 anos no Brasil, porque minha mãe morava no interior”, conta.

Como tinha feito em Londres, foi através da internet que ela achou companhia para rachar as contas da casa.

Dividir despesas “viabiliza muitos projetos, além da convivência, dá para manter um padrão de vida mais confortável, com tevê a cabo por exemplo”, ela avalia.

Veja as dicas de Nani para fazer a empreitada de dividir a casa dar certo

Planejamento financeiro
Estabeleça valores compatíveis com sua renda. Se você for o locador ou dono do imóvel, estabeleça um valor fixo para o room mate que cubra a parcela de despesas gerais da casa reservando uma pequena margem  para imprevistos. É preciso que todos os moradores estejam comprometidos com o pagamento pontual das contas, para evitar banhos gelados por corte de energia elétrica.

“A reserva de dinheiro deve cobrir pelo menos 3 meses da despesa fixa completa”, explica Nani.

Amigo ou desconhecido?
“É mais fácil dividir com desconhecidos do que com amigos”, garante a professora. Amizade pode deixar alguns limites ambíguos e tornar mais difíceis as negociações e o cumprimento de regras. “Amigos acham que o outro precisa tolerar tudo, e não é assim.”

Claro, quem já conhece o temperamento dos amigos e acha que vai combinar com o seu pode arriscar sem grandes medo.

Dica prática: tenha sempre cópia dos documentos pessoais e dados de contato de quem compartilha a casa.

Onde achar room mates
Anúncios na internet, comunidades em redes sociais e indicações de amigos são caminhos preciosos.

Entreviste o candidato e faça todas as perguntas que achar pertinente, desde salário e renda mensal a preferências pessoais em relação a animais, profissão, planos de curto e médio prazo.

Vale conferir referências de desconhecidos com amigos e família.

De quem é a casa?
O ideal é que todos sejam igualmente “donos”.

“É importante que ninguém se sinta um inquilino confinado no quartinho”, diz Nani. Por outro lado, é preciso desapego com aquela xícara de estimação (que vai lascar!), a panela que pode queimar ou o sofá que vai ganhar manchas na próxima festa.

“Ser possessivo em relação à casa, só gera mágoas”, atesta Nani.

Festas e pernoite de visitas e namorados precisam ser combinados para evitar atritos
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Festas e pernoite de visitas e namorados precisam ser combinados para evitar atritos
O que é combinado não sai caro
“Por mais chato que seja, as regras da casa precisam ser discutidas antes de morar junto.”

Gostar de receber gente e de dar festas, de ouvir música alta, animais de estimação e visitas inesperadas são itens que podem azedar o relacionamento, sobretudo se os gostos forem muito diferentes.  Vale ficar de olho neles e conversar ao primeiro sinal de alerta!

No geral, as regras precisam englobar cuidados e responsabilidades com a casa, datas de pagamentos, uso de áreas comuns e presença de visitantes.

Cuidados com visitantes temporários
A presença de parentes e namorados que ficam para dormir precisa ser combinada com antecedência. “Já morei três pessoas na mesma casa. Uma das moradoras começou a levar o namorado todos os dias, só que a dona da casa não queria dividir a casa com quatro pessoas. E isso não tinha nada a ver com contas, era questão de manter o combinado”, exemplifica a professora.

Não guarde rancor
Como num relacionamento a dois, não é bom dormir brigado. “Tem gente que guarda mágoa de coisas pequenas, como alguém que é mais reservado e não dá boa noite quando chega. Roomate não é família”, explica Nani.

Pessoas muito expansivas podem até desrespeitar o espaço do outro sem querer. A dica é escolher alguém com quem você tenha empatia e conversar sempre que houver algo errado. “O outro não tem como adivinhar que você está de cara fechada por causa de uma atitude dele.”

Compartilhando as áreas comuns
Ambientes compartilhados merecem atenção especial. Não deixar calcinha pendurada no banheiro, lavar a louça conforme combinado e entrar na vaquinha da faxina ou colocar a mão na massa é fundamental para a paz de todos. “Trato funciona. ‘Deixa que eu faço amanhã não funciona”, diz Nani. Sem respeito e compromisso, é briga certa entre preguiçosos e neuróticos por limpeza.

Exercite a flexibilidade
Sempre que necessário, sentar e rever o trato pode salvar a relação entre moradores. O importante é saber até onde vai seu limite para ceder. Hábitos como tempo de banho precisam estar combinados no quadro de regras, mas não adianta ser muito rígido. “Ninguém vai ficar contando minutos no relógio, então tem que ter jogo de cintura, saber que se ganha numas coisas e perde em outras.”

Quando a divisão dá certo, além de reduzir as despesas, o room mate pode ser uma boa companhia
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Quando a divisão dá certo, além de reduzir as despesas, o room mate pode ser uma boa companhia
Mis cosas, sus cosas ou cada um no seu quadrado
Diz o ditado que escova de dente e namorado não se compartilha. Outros itens, como comida, costumam ser complicados de dividir também.

Horários, hábitos e gostos diferentes fazem com que a cozinha se torne um ambiente de uso compartilhado: cada um tem seu espaço e deve cuidar das próprias refeições.

“Em república dá para fazer um panelão. Mas se você mora sozinho, faz comidas mais caprichadas e gasta mais dinheiro, é difícil chegar a um consenso de quanto e como gastar. Nunca vi uma casa onde isso funcionasse”, conta Nani.

Itens de beleza e higiene pessoal, o guarda-chuva que ficou na área de serviço secando e comidinhas na geladeira são pessoais. Não pegue nada emprestado sem pedir. Em caso de emergência, se for necessário pegar algo emprestado, devolva ou reponha o mais rápido possível. Usar itens de estimação é imperdoável.

A importância de um quadro de tarefas e rotinas
Compras de produtos de limpeza, dias e horários de manutenção e faxina e lista de tarefas como limpar a caixa do gato da casa podem ser criadas em uma planilha com datas, para não sobrecarregar ninguém. Dividir por preferências aumenta a chance de tudo ser cumprido corretamente.

A planilha pode virar um quadro de tarefas acessível para todos pendurada na geladeira, por exemplo.

Elegância na hora de mudar
Se a combinação der errado, quem entrou por último na casa sai.

"Caso a pessoa tenha entrado na sua casa, dê um prazo para ela sair e procurar um lugar melhor. Não deixe chegar no ponto de começar a gritar um com o outro”, alerta a professora.

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