De dar mais valor à vida a ficar mais próxima da família, pacientes listaram pequenas mudanças com muito significado ocorridas depois do diagnóstico

NYT

Embora um diagnóstico de câncer de mama possa ser uma notícia devastadora, algumas mulheres encontram um crescimento pessoal positivo ao passar pela experiência, diz um novo estudo.

A maioria das pessoas já ouviu falar de estresse pós-traumático, mas um novo conceito, conhecido como "crescimento pós-traumático", vem sendo notado: são as mudanças psicológicas positivas de uma pessoa que passa por uma história de superação.

O novo estudo foi feito com cerca de 700 pacientes com câncer de mama. Os pesquisadores descobriram que, em média, as mulheres relataram o crescimento pessoal no próprio ano do diagnóstico ou pouco depois disso. Foram relatados atos que vão de “valorizar mais a vida” a “sentir-se mais próxima da família e de amigos”.

Veja, na galeria abaixo, o trabalho do fotógrafo David Jay para resgatar a autoestima de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama :


"Se tiver que passar por isso, vou tirar algo de bom da experiência"

E não foram apenas as mulheres com um temperamento naturalmente otimista que relataram este crescimento pessoal, disse a pesquisadora Suzanne Danhauer, professora no Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, EUA. No início, o estudo também mediu a tendência geral das mulheres para ser otimista, e descobriu-se que o traço não está ligado ao objeto do estudo. “Não é apenas otimismo”, disse Suzanne. “Não foram só as mulheres que tendem a ver o copo meio cheio que apresentaram crescimento”.

As mulheres que disseram estar recebendo mais apoio de amigos e família estavam mais propensas a ver o crescimento pessoal em si mesmas. Para Suzanne, é possível que ter mais gente com quem conversar sobre a luta contra a doença aumenta a capacidade de crescer diante da adversidade.

Decisão consciente

Algumas mulheres também podem tomar uma decisão consciente para tirar algo de positivo de uma experiência difícil, disse a médica Mary Jane Massie , psiquiatra do Centro de Câncer Memorial Sloan- Kettering, em Nova York, EUA. Mary Jane não estava envolvida no novo estudo.

“Trabalho com mulheres com câncer de mama há algumas décadas”, disse. “E já ouvi muitas dizerem: ‘Se tiver que passar por isso, vou me certificar de tirar algo de bom da experiência’”.

O estudo, publicado online recentemente na revista Psico-Oncologia , incluiu 653 mulheres com diagnóstico recente de câncer de mama, principalmente de fase 1 ou fase 2 . As mulheres responderam a um questionário padrão sobre o crescimento pós-traumático no prazo de oito meses de seu diagnóstico e, em seguida, depois de mais seis, 12 e 18 meses.

O questionário tem perguntas que aferem a valorização da vida, sentimentos sobre relações pessoais, mudanças na espiritualidade e abertura para novas possibilidades.

O Scar Protect, do fotógrafo David Jay, contempla mulheres que superaram o câncer de mama
David Jay/The SCAR Project

Sem regras

Em média, a pontuação dos questionários aumentou durante o primeiro ano após o diagnóstico e depois se estabilizou. Mulheres que relataram aumento de apoio social após o diagnóstico apresentaram maior crescimento pós-traumático.

Mas nem toda mulher quer conversar. “Algumas mulheres não querem dizer a seus amigos que têm câncer”, disse Mary Jane. “E tudo bem. Não há uma regra que diga que você tem que contar a alguém”.

Porém, segundo ela, é importante que os sistemas de saúde tenham grupos de apoio para os pacientes com câncer que querem falar.

Mesmo com esse tipo de apoio, no entanto, pacientes com câncer não devem sentir que estão fazendo algo de errado se não sentirem ter crescido diante da adversidade, disse Suzanne. “Não quero dar a impressão de que todas as mulheres devem passar por isso”, disse ela. “Estamos apenas dizendo que algumas mulheres passam”.

Suzanne disse que pessoas com câncer podem se sentir pressionadas a “pensar positivo” e acabam sentindo-se culpadas quando não atendem a essa expectativa.

Para Mary Jane, não existe uma maneira padrão como um paciente com câncer deve se sentir. Ela acrescentou, porém, que o crescimento pessoal não precisa ser uma grande mudança.

“Pode ser que você repense a sua vida em pequenas coisas”, disse. “Talvez você trabalhe um pouco menos ou passe mais tempo com sua filha”.

Quanto a outros tipos de câncer, grande parte da pesquisa sobre o crescimento pós-traumático tem se concentrado no de mama. Mas há alguns estudos - dois mais recentes descobriram que sobreviventes de câncer de pulmão e jovens adultos que tinham sobrevivido ao câncer na infância também relataram crescimento pessoal a partir de sua experiência.

Leia também

Oncofitness: exercícios contra o câncer de mama

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.