Matej Peljhan é psicólogo e, na infância, sofreu um acidente que o fez perder um braço e a visão de um olho. Ele fotografou Luka, 12, "nadando" e "jogando basquete"

Em 1977, aos 10 anos, Matej Peljhan sofreu um grave acidente com explosivos abandonados da Segunda Guerra Mundial na região de Vipava, na Eslovênia. Perdeu o braço direito e a visão de um olho. “A frustração é a coisa mais difícil para a criança, pois ela é muito vulnerável”, disse, em entrevista ao iG, sobre como reagiu ao acidente na época. A experiência vivida na infância pode explicar a sensibilidade de Matej, hoje fotógrafo e psicólogo, nos retratos que fez de Luka, um garoto de 12 anos com distrofia muscular, doença que limita progressivamente os movimentos.

A série, intitulada “Le Petit Prince”, é inspirada na obra de Antoine de Saint-Exupéry. Segundo Matej, assim como no romance francês, Luka vive rodeado de gente, mas muito solitário em seu pequeno mundo particular. “Atividades básicas diárias, como se vestir e comer, que a maioria das pessoas faz sem nem pensar, só são possíveis [para Luka] com a ajuda aos outros”, diz.

Foi durante uma das conversas do psicólogo com o garoto que Luka revelou um de seus sonhos: gostaria de se ver em uma foto andando e fazendo todo tipo de travessuras. Photoshop estava fora de questão, mas mudar a perspectiva era uma solução. Panos e muita criatividade realizaram o desejo de Luka de conhecer o mar, nadar com peixinhos, dar cambalhotas, dançar e fazer outras estripulias infantis.

Alegrias e frustrações

O próprio Matej enfrentou uma dolorosa reabilitação durante anos de sua infância, mas a palavra superação parece ser o lema de sua vida. Ele tornou-se psicólogo e desde 1992 trabalha com pessoas com necessidades especiais. Nas horas livres, é triatleta e já completou um Iron Man ­– a temida competição que totaliza 226 quilômetros entre corrida, nado e bicicleta.

Em 2009 começou a se aventurar na fotografia. Encontrou uma maneira criativa de se expressar e levar a arte para seus pacientes. Começou a clicar momentos do cotidiano, mas logo se especializou e fundou o Instituto de Terapia Fotográfica, onde oferece oficinas sobre o tema.

Para Matej, apesar da pouca idade, Luka – como ele próprio – não quer ser colocado no papel de vítima. “Ele só quer manter o pensamento positivo e estar focado nas coisas que ainda pode fazer”. As fotos são um jeito de explorar sua imaginação e de se aproximar de todas as outras atividades que ele não poderia realizar de outra forma. “A vida de qualquer um é cheia de alegrias e frustrações. Temos que aprender a lidar com as duas coisas”, Matej conclui.

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