De olho no crescimento da população acima dos 65 anos, empresas do setor focam em residenciais voltados especificamente para a terceira idade

O crescimento da população acima de 65 anos no Brasil, que passou de 5,9% no ano 2000 para 7,4% em 2010, segundo o IBGE, parece estar abrindo os olhos de construtoras para as necessidades dos idosos em termos de moradia. Já é possível perceber uma movimentação maior na elaboração de projetos e no lançamento de empreendimentos voltados para o público da terceira idade no País.

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Um dos exemplos é o programa “Projetando com Consciência Gerontológica”, desenvolvido pela construtora Tecnisa. Trata-se de um estudo feito por uma equipe multidisciplinar, que inclui fisioterapeutas, arquitetos e geriatras, para levantar as necessidades – e desejos – que teriam os moradores com mais de 60 anos.

A partir deste levantamento, a companhia elaborou um conjunto de práticas que está sendo implantado em projetos da construtora, como em dois edifícios na cidade de Santos (SP) e um condomínio em Barueri (SP). “Antes, os idosos não eram nosso foco. Sempre nos preocupávamos em projetar playgrounds legais, por exemplo, mas não havia nada específico para as pessoas da terceira idade. Agora, incluimos estas pessoas, que se tornaram um nicho de mercado para nós”, diz Patricia Valadares, diretora de projetos da Tecnisa.

Entre os conceitos identificados como necessidade deste público estão itens como piscina com escada de alvenaria e corrimão, pisos antiderrapantes e sem brilho, para não ofuscar a visão, além de bancos com cantos arredondados nas áreas comuns, para não correr o risco de lesões em um eventual esbarrão. Nos apartamentos, há também bacia especial nos banheiros, barras de apoio e banco basculante dentro do box. A fechadura também pode ser invertida, para facilitar a abertura com as chaves, e as tomadas ficam a uma altura maior, para que o idoso não precise se abaixar para ligar eletrodomésticos.

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Inaugurado em 2000, a demanda no residencial Santa Catarina só aumenta
Divulgação
Inaugurado em 2000, a demanda no residencial Santa Catarina só aumenta

De olho neste mercado crescente, a Construtora e Incorporadora Laguna lança em 2014 o primeiro edifício projetado nestes moldes. O residencial Soul Batel Soho, localizado na região central de Curitiba (PR), conta com portas de vão livre maior, para comportar a circulação de cadeiras de rodas e andadores, e áreas comuns dotadas de plataformas elevatórias de acesso, barras de apoio, pisos antideslizantes e até uma academia para atividades de reabilitação.

Pioneirismo
Enquanto prédios estão sendo concebidos com foco nas necessidades da terceira idade, empreendimentos como o Condomínio do Idoso, criado há dois anos em Maringá (PR), já é uma realidade. Projetado pelos alunos do curso de Arquitetura da Universidade Estadual de Maringá (UEM) a pedido da prefeitura local, o condomínio fechado conta com 40 casas térreas de 47m², com sala, quarto, cozinha, banheiro e uma pequena varanda. Todos os cômodos são adaptados para acessibilidade, sem desnível, com piso antiderrapante e maior iluminação natural.

Pensando também na sociabilização destes idosos, foi criado um espaço de convivência, com hortas comunitárias e uma academia de ginástica. “As instalações são adequadas às pessoas com dificuldades de locomoção, com áreas compatíveis para circulação de cadeiras de rodas e barras especiais para auxiliar também quem usa bengala”, explica Renato Leão Rego, professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEM e coordenador do projeto. Ele diz, ainda, que uma segunda etapa do condomínio prevê a construção de um edifício de apartamentos com estrutura social e de lazer, inclusive com ambulatório médico.

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Outro projeto pioneiro voltado para os idosos é o Residencial Santa Catarina, em São Paulo. Criado no ano 2000, o local é uma espécie de flat que oferece moradia, infraestrutura de serviços domésticos, atendimento à saúde e atividades de lazer.

Atualmente, 103 moradores – todos com mais de 60 anos – vivem em apartamentos de 38 ou 42m², com sala, quarto, cozinha e banheiro, todos projetados para dar conforto e acessibilidade. Além de portas maiores, os banheiros também têm barras de apoio e bancos para banho. Para dar mais segurança, especialmente aos que moram sozinhos, todos os ambientes possuem botão de emergência, que podem ser acionados em qualquer eventualidade.

Atenta às necessidades deste mercado, Márcia Cristina Bonilha, supervisora do Residencial Santa Catarina, confirma o crescimento na procura por este modelo de condomínio. Dos 118 apartamentos do residencial somente 15 não estão ocupados por moradores fixos – mas recebem eventualmente locatários temporários. “A demanda aumenta a cada ano. O idoso está vivendo mais e procurando por este tipo de serviço”, conclui.

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