O dispositivo intrauterino (DIU) é um dos métodos contraceptivos mais seguros que existem. Ele pode ser colocado gratuitamente pelo SUS . Apesar dessas vantagens, o método é usado por apenas 3% da população feminina do país, segundo dados do IBGE.

Para esclarecer dúvidas e desmistificar algumas informações sobre o DIU, o iG Delas conversou com a ginecologista e obstetra Tatiana Barbosa Pellegrini para saber sobre os mitos e verdades mais comuns quando falamos sobre o DIU de cobre.

1- O DIU de cobre o DIU mirena funcionam da mesma forma.

Mito. O DIU Mirena funciona liberando o hormônio progesterona, que impede a liberação do óvulo; já o de cobre mata ou imobiliza os espermatozóides antes que eles fecundem o óvulo. Isso acontece apenas por conta do próprio cobre, sem que haja liberação de qualquer hormônio.

“A principal diferença entre eles está no efeito e impacto sobre a menstruação da mulher. O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual, podendo causar ou piorar a cólica menstrual. Já o DIU hormonal (Mirena) deixa a mulher sem menstruar”, conta a ginecologista.

2- O DIU de cobre aumenta as cólicas menstruais

Verdade. Em muitos casos, as pacientes que optam por esse método sentem aumento no fluxo menstrual e nas cólicas, especialmente nos três primeiros meses. “Mulheres que já tenham o fluxo menstrual aumentado, bem como problemas como anemia, ou muita dor durante o ciclo, devem evitar usá-lo e investigar com seu médico”, diz Tatiana.

3- O DIU causa/aumenta acne.

Mito. “Não é que ele causa acne, quando você está com DIU de cobre não tem hormônio nenhum. Então a sua pele, ela fica exatamente no estado normal, então quem tem uma tendência a oleosidade, acaba desenvolvendo mais espinhas. Quando você está com o Mirena (hormônio), você diminui a oleosidade da pele”, explica a médica. 

4- O corpo da mulher pode rejeitar o DIU

Verdade. Afinal, trata-se de um corpo estranho dentro do útero, então pode ocorrer rejeição, apesar de não ser comum. “A taxa de mulheres que rejeitam o DIU é baixa, apenas 7 em cada 100 mulheres sofrem esse processo em seu corpo”, afirma Tatiana.

5- O DIU pode incomodar durante as relações sexuais

Mito. Segundo a especialista, as chances disso acontecer são escassas e costuma indicar que o médico cortou as hastes em um ângulo errado, assim, elas podem ficar pontudas e machucar o parceiro. Atualmente as hastes do DIU são superfinas, mal visíveis e suavizam ao longo do tempo. E se o parceiro relatar sentir qualquer desconforto, relate imediatamente ao seu médico, para encurtá-las”, diz.

6- Algumas mulheres não podem usar esse método contraceptivo

Verdade. “O DIU é contraindicado para mulheres que apresentem Doença Inflamatória Pélvica, Infecções sexualmente transmissíveis, miomas que distorçam a cavidade uterina, sangramento vaginal sem diagnóstico, malformações uterinas e estreitamento do canal do colo uterino, câncer do colo de útero e do endométrio”, explica a ginecologista. Portanto, é verdade que em alguns casos é melhor optar por outros métodos contraceptivos.

7- Imagens como a do bebê que nasce segurando o DIU são verdadeiras?

Provavelmente não. “Difícil fazermos qualquer afirmação em relação a essas imagens. Mas, no caso do DIU, quando o bebê nasce segurando, quando a mulher chega a engravidar, é que o DIU não estava posicionado dentro da cavidade uterina. Às vezes ele saiu do lugar, foi para o colo do útero, ficou em uma posição mais baixa que o normal e por isso que aconteceu a gravidez”, relata.

Porém, segundo Tatiana, quando a gravidez é constatada, o DIU é removido sem que afete o desenvolvimento da gestação. Caso não seja removido, de qualquer forma ele fica por fora da bolsa aminiótica, portanto quando a bolsa rompe, é possível que o DIU saia junto com a placenta, mas não com o bebê.

“É um método seguro, porém, especialistas afirmam que isso seria possível, apesar de raro. Mas, não consigo afirmar, pois não tive nenhum caso assim. Além do que, engravidar com esse dispositivo pode se tornar um risco para aborto, parto prematuro e ruptura prematura de membranas”, finaliza a médica.

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