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Segundo especialista, a PDS é bem diferente da pílula anticoncepcional e deve ser usada com atenção por causa da alta quantidade de hormônios

Segundo estudo divulgado este ano pelo Instituto de Saúde e realizado em parceria com o Núcleo de Estudos em População (Nepo), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 50% das mulheres em idade fértil — de 15 a 44 anos — da cidade de São Paulo já chegaram a tomar pílula do dia seguinte (PDS) pelo menos uma vez. Entre as mulheres de 20 a 29 anos, esse percentual é ainda maior: 67% delas já tomaram o medicamento.

Apesar de ser comum tomar pílula do dia seguinte, nem todas as mulheres sabem informações essenciais do medicamento
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Apesar de ser comum tomar pílula do dia seguinte, nem todas as mulheres sabem informações essenciais do medicamento


Apesar de também ser usada para prevenir uma gravidez não planejada, tomar pílula do dia seguinte não significa que você esteja usando um  método contraceptivo . Na realidade, o Ministério da Saúde classifica o remédio como um Anticoncepção de Emergência (AE) pelo fato de que só deve ser utilizado depois da relação sexual. 

De acordo com a ginecologista e obstetra Ana Carolina Lúcio Pereira, a pílula contém compostos de hormônio concentrados e, por isso, impede que o óvulo seja liberado, atrasando o processo de ovulação. "O medicamento dificulta que os espermatozóides penetrem no útero da mulher e reduz os movimentos das tubas uterinas (que transportam o óvulo), dificultando a passagem das células sexuais", explica. 

Por conta disso, ele acaba atrasando ou antecipando a menstruação. "Geralmente, depois de sete dias do uso da pílula, a menstruação deve ocorrer normalmente, mas caso não aconteça, é preciso realizar teste de gravidez ou procurar a ginecologista."

São informações como essas que, muitas vezes, acabam passando despercebidas por muitas mulheres e muitas acabam tomando o medicamento de forma incorreta por ficar com dúvidas sobre seu uso e os efeitos que ele pode causar no corpo. Por isso, o Delas separou alguns erros comuns na hora de tomar a pílula do dia seguinte; confira: 

1. Esquecer que a pílula é um método de emergência

Enquanto o anticoncepcional é um metódo contraceptivo contínuo e, se for tomado todos os dias de forma correta, mantém a mulher protegida durante o uso da cartela, o medicamento emergencial só funciona por curto período de tempo, nos dias seguintes à relação sexual. "A pílula deve ser usada raramente, em casos excepcionais, como quando a pessoa não esperava transar e acabou não usando camisinha", diz a especialista.

Por causa disso, os comprimidos só funcionam se forem usados em até 72 horas após o sexo  . Diversas pesquisas mostram que a eficácia da pílula do dia seguinte é reduzida com o tempo. Então, caso você tome o medicamento em menos de 24 horas depois do ato, a eficácia pode ser de até 95%. Porém, depois de dois dias esse percentual diminui para 58%. A pílula também não vai funcionar caso a mulher já esteja grávida.

2. Tomar pílula com o anticoncepcional

Se você se esqueceu de tomar o anticoncepcional  no dia ou horário certo e fez sexo sem proteção, não saia por aí procurando tomar pílula do dia seguinte. "As mulheres que acabam usando esse método de emergência dessa forma podem ser prejudicadas, porque quando combinada com o anticoncepcional pode haver interferência e interação entre os hormônios dos comprimidos", explica a ginecologista.

Nesse caso, a recomendação é interromper o uso do anticoncepcional e esperar a menstruação descer. Depois disso, o ideal é começar a tomar uma nova cartela. Segundo Ana Carolina, a PDS só é uma alternativa se a mulher já parou de usar o método contínuo por mais de dois dias e não recorreu ao comprimido emergencial antes.

Porém, se você já usou a pílula junto com o anticoncepcional e optou por interromper o uso do mesmo, lembre-se de não fazer sexo sem camisinha durante esse período. O efeito de tomar a pílula do dia seguinte não é cumulativo e só te protege durante certo tempo. 

3. Tomar mais pílulas do que a recomendação médica

Como mencionado, tomar pílula do dia seguinte mais de uma vez não vai te deixar mais protegida. Na realidade, isso pode causar muitos problemas para seu corpo. "A alta dose do hormônio levonorgestrel (progestageno), por exemplo, pode aumentar a retenção hídrica, alterar o ciclo menstrual, gerar mal estar, indisposição, irritação, oscilações de humor, náuseas, vômitos, sensibilidade das mamas e até aumentar a oleosidade da pele", explica a profissional. 

Da mesma forma, não é recomendado tomar muitas pílulas em um período curto de tempo, porque a regularidade também pode acarretar os mesmos efeitos. Além disso, como o remédio perde a eficácia com o tempo, isso também acaba aumentando o risco de gravidez. 

4. Não estar em dia com a ginecologista

Segundo Ana Carolina, não existem contraindicações absolutar para uma mulher que opta por tomar uma PDS. "Mesmo as mulheres que apresentam reações à pílula anticoncepcional de uso diário, como casos de doença cardiovascular, doença hepática, enxaqueca ou risco aumentado de trombose, podem utilizar o método de emergência."

Entretanto, estar em dia com seu médico pode te prevenir de ter problemas e, também, é a oportunidade perfeita para tirar dúvidas — inclusive sobre o uso de outros métodos, seja ele comportamental, ou seja, que a própria mulher tem que controlar, ou hormonal. 

Antes de tomar pílula do dia seguinte, procure outros métodos 

Segundo especialista, é importante buscar outros métodos contraceptivos para não precisar tomar pílula do dia seguinte
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Segundo especialista, é importante buscar outros métodos contraceptivos para não precisar tomar pílula do dia seguinte

Sempre pensando que tomar pílula do dia seguinte deve ser uma medida excepcional, a especialista recomenda procurar um método de proteção prévia à relação sexual. "Nunca faça sexo sem proteção, visto que é muito comum o contágio de doenças. Às vezes nem o próprio parceiro sabe se é portador de algum vírus ou patógeno, mesmo porque não é possível rastrear todas as doenças possíveis de serem transmitidas na rotina do casal", comenta. 

Outra questão é buscar  combinar mais de um método contraceptivo, como a camisinha e o anticoncepcional, por exemplo, especialmente quando há o uso incorreto do contraceptivo. "Combinar contraceptivos que podem ser complementares entre si pode melhorar esse índice de falha e garante mais proteção ao casal, tanto no caso da gestação não programada, quanto das DSTs. Porém, essa indicação deve ser feita por um profissional", finaliza. 

Se você tem alguma dúvida sobre sexo ou métodos contraceptivos depois de ler sobre os erros comuns ao  tomar pílula do dia seguinte , entre em contato com a gente pelo email sexo@igcorp.com.br . Nós traremos uma especialista para respondê-la com sigilo total!

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