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"Eu me sinto mais ligada à minha filha adotiva por razões que eu nunca imaginei", afirma mãe sobre a relação que tem com as filhas. Leia o relato

É comum ouvir de pais que tem mais de um filho que o amor que sentem pelas crianças é o mesmo. Porém, será que é possível amar mais um filho do que o outro? A pergunta é polêmica, mas uma mãe resolveu abrir o jogo sobre a situação e afirmou que ama mais a filha adotiva do que a biológica.

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Mãe faz desabafo sobre a relação dela com as filhas e afirma amar mais a filha adotiva do que a biológica
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Mãe faz desabafo sobre a relação dela com as filhas e afirma amar mais a filha adotiva do que a biológica

O depoimento da mãe , que preferiu manter a identidade reservada, foi publicado pelo site australiano Kidspot e revela a complexidade que pode existir nas relações familiares. De acordo com a mãe, o amor que ela sente pela filha adotiva, a caçula, é maior do que o que sente pela primogênita, biológica. "A partir do momento em que vi Maddie, meus sentimentos em relação à minha primeira filha mudaram para sempre", afirma.

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Detalhes do relato da mãe

Relação entre mãe e primogênita mudou completamente após a chegada da caçula, filha adotiva
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Relação entre mãe e primogênita mudou completamente após a chegada da caçula, filha adotiva

A australiana conta que após a filha completar três anos de idade, ela e o marido começaram a tentar engravidar novamente. No entanto, após dois abortos espontâneos, eles decidiram seguir o caminho da adoção . “Foi uma longa estrada, mas dois anos depois, tivemos nossa linda garota, Madeline, em nossos braços. Ela era um sonho transformado em realidade após esses abortos espontâneos”, diz. 

Ela continua falando que percebeu sentir estar negligenciando Hailey, a filha mais velha, e concentrando toda a atenção em Madeline. “Eu tinha falado com outras mães que tinham dois filhos e elas me disseram que é natural focar no mais novo, já que são mais necessitados. Mas para mim, era mais profundo que isso”.

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A mulher fala que chegou a pedir que o marido fosse fazer outras coisas com a mais velha para que ela tivesse mais tempo Madeline. “Comecei a achar Hailey muito irritante e, provavelmente, não a acariciava tanto quanto costumava”, revela.

“Quando contei a uma amiga, que também adotou um filho, ela comentou que favorecer minha filha adotiva era uma coisa boa, que talvez eu tenha alguma empatia extra por Madeline, que eu não tenha por Hailey. Empatia pelo fato de sua mãe biológica não querer criá-la, ou por ela vir de uma cultura diferente daquela em que está sendo criada agora”, continua.

Porém, as coisas não caminharam tão bem e ela passou a ser cada vez mais possessiva em relação à filha, chegando a impedir que o próprio marido passasse muito tempo com a criança. “Meu marido acha triste o fato de eu não passar tanto tempo com Hailey quanto com Madeline. Talvez as coisas mudem quando as garotas ficarem mais velhas, mas, por enquanto, eu sinto muito amor por Madeline”, fala.

“Eu me sinto mais ligada à minha filha adotiva por razões que eu nunca imaginei. Sei que tenho que mudar meus modos ou então Hailey vai crescer pensando que sua irmã me afastou dela", finaliza.

Consequência para os filhos

Segundo neuropsicóloga, não é simples quantificar o amor de uma mãe por seus filhos, mas tratar as crianças de maneira diferente pode ser prejudicial para a família e para o desenvolvimento dos pequenos
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Segundo neuropsicóloga, não é simples quantificar o amor de uma mãe por seus filhos, mas tratar as crianças de maneira diferente pode ser prejudicial para a família e para o desenvolvimento dos pequenos

Em entrevista prévia ao Delas , a neuropsicóloga, mestre em psicologia do desenvolvimento infantil pela USP Deborah Moss, comenta que não é possível quantificar o amor que se sente por um filho. De acordo com a especialista, o que entra em questão nesse caso são outros aspectos.

“É difícil mensurar o sentimento que envolve a relação com os filhos. O que é possível é avaliar a qualidade do vínculo, as identificações e o favoritismo, mas as diferenças no amor é complicado”, explica.

Essa diferença na relação entre mãe e filhas, como no caso relatado, pode ter consequências para o futuro das crianças. A filha favorita pode desenvolver uma tendência a manipulação e não saber lidar com frustrações. Já a outra, pode se isolar e desenvolver uma autoestima baixa.

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