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Em "Segundo Sol", personagem de Letícia Colin chama a atenção ao consumir álcool durante a gravidez, e Sociedade Brasileira de Pediatria se posiciona

Na última semana, na quinta-feira (11) e na sexta-feira (12), a personagem Rosa, interpretada por Letícia Colin na novela “Segundo Sol”, chamou a atenção pelo consumo de álcool na gravidez. A jovem aparece ingerindo excessivas doses de  bebidas alcoólica em um bar, mesmo estando grávida. 

Personagem de Letícia Colin em
Rede Globo/Reprodução
Personagem de Letícia Colin em "Segundo Sol" chama a atenção pelo consumo de álcool na gravidez e SPB se posiciona

Diante das cenas exibidas em “Segundo Sol”, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) encaminhou, na segunda-feira (15), um ofício ao diretor do Núcleo de Dramaturgia da Rede Globo, Silvio de Abreu, alertandos sobre o consumo de álcool na gravidez e pedindo reparação por parte da emissora.

Assinado por Luciana Rodrigues da Silva, presidente da SBP, o documento pede que a própria novela ofereça ao público o devido esclarecimento sobre o consumo de neste período. A SBP ainda recomenda que a emissora oriente seus autores que, ao tratar temas relacionados à infância e à adolescência, é preciso responsabilidade de abordá-los de acordo com práticas saudáveis ou, se for o caso, sempre apontar caminhos para a superação de possíveis problemas.

Consumo de álcool na gestação na ficção e na realidade

Consumo de álcool na gravidez, prática adotada por Rosa na novela, pode trazer vários problemas ao bebê
Reprodução/TV Globo
Consumo de álcool na gravidez, prática adotada por Rosa na novela, pode trazer vários problemas ao bebê

De acordo com a SBP, mesmo sendo uma obra de ficção, cenas de embriaguez como a de Rosa podem confundir e influenciar a população, estimulando posturas impróprias, com graves consequências para a saúde e o bem-estar dos fetos e recém-nascidos.

“O consumo de álcool por mulheres gestantes é totalmente desaconselhado em qualquer fase da gestação e em qualquer quantidade de bebida. Estudos científicos comprovam que essa prática aumenta de modo considerável o risco de o bebê apresentar malformações congênitas , ou seja, alterações faciais, atraso no crescimento, alterações em diferentes órgãos, sistemas e aparelhos, principalmente no sistema nervoso central e desordens de comportamento”, alerta o ofício.

Segundo os especialistas, esse conjunto de alterações recebe o nome de Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) e pode fazer com que as crianças atingidas tenham dificuldades na aprendizagem, de memória, na fala, na audição e a incapacidade de resolver problemas, dentre outros. Já quando adolescentes e adultos podem apresentar desordens psiquiátricas e resistência à seguir normas, inclusive legais.

“Os pediatras pedem, assim, que todos os veículos de comunicação, em especial a emissora responsável pela novela onde as cenas foram exibidas, ajudem a disseminar de forma correta as vantagens da abstinência ao álcool pelas mulheres gestantes ou que pretendem engravidar, o que trará inúmeros benefícios às futuras gerações”, finaliza a nota.

Antes de mostrar o consumo de álcool na gravidez , a Globo já havia cometido um erro ao tratar de temas relacionados a gestação e infância em uma novela das 21h. Em março, a novela “O Outro Lado do Paraíso” retratou erroneamente a  prática da amamentação cruzada e foi alvo de críticas da Abenfo-RJ (Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras do Estado do Rio de Janeiro).  

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