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Se engana quem pensa que o único problema gerado pela anomalia é a dificuldade na fala, já que amamentar também pode ficar mais difícil

Você já ouviu falar na anquiloglossia? Talvez não com este nome, mas e se a gente te falar que se trata de uma anomalia do desenvolvimento da língua caracterizada pelo freio lingual curto? Sim, estamos falando do freio curto , a conhecida língua presa . E se engana quem pensa que o único problema gerado pela anomalia é a dificuldade na fala de criancas e adultos, já que amamentar também pode ficar mais difícil para as mães.

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Adriana conta que as mães cujos filhos têm o freio curto se queixam muito da mama machucada após amamentar
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Adriana conta que as mães cujos filhos têm o freio curto se queixam muito da mama machucada após amamentar

Quem é mãe sabe que amamentar não é tão fácil quanto parece, então ficar atenta a sinais de que há problemas que vão além do controle da mãe pode ser de grande ajuda não só para o dia a dia, mas, principalmente, para a saúde do bebê.

A odontopediatra Adriana Mazzoni, membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que todo mundo nasce com esse freio na língua, caso contrário, o órgão cairia. O problema acontece quando este tecido vai até a ponta da língua, reduzindo a mobilidade.

“Isso faz com que muitas crianças não consigam mamar, já que não é possível fazer o movimento necessário no peito da mãe durante a ordenha para a tração do leite”, revela a especialista em entrevista ao Delas.

Sinais de que seu bebê não está mamando direito e outros problemas

Se a criança tem a língua presa, amamentar pode ficar mais difícil para a mãe, já que vai machucar a mama da mulher
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Se a criança tem a língua presa, amamentar pode ficar mais difícil para a mãe, já que vai machucar a mama da mulher

Adriana conta que as mães cujos filhos têm o freio curto se queixam muito da mama machucada após amamentar, perda de peso da criança, frequência nas vezes em que o bebê acaba regurgitando o leite, gases e cólicas – já que acaba entrando muito ar durante a mamada. A mãe sente que o filho nunca se alimenta direito, e isso pode gerar um desmame precoce.

Para se ter uma ideia, a amamentação de todos os bebês nos primeiros dois anos de vida pode salvar a vida de mais de 820 mil crianças com menos de cinco anos todos os anos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Caso você note que seu filho está com dificuldades para mamar, o melhor é falar com o pediatra que acompanha o desenvolvimento da criança. Este especialista poderá identificar o problema e, caso seja identificado o freio curto, poderá encaminhar para a remoção e tratamento com fonoaudiólogo.

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“Se a criança já é maior, a anquiloglossia já pode ter dificultado o crescimento das arcadas. Com isso, ela não consegue pronunciar direito as palavras. Os pais podem procurar por um odontopediatra também.”

A especialista explica que o ser humano é adaptável, então ter a língua presa não é exatamente um problema, mas vai dificultar, sim, diferentes atividades do dia a dia, como mastigar e falar. Na adolescência, até mesmo o beijar pode ficar mais complicado, então por isso é interessante buscar por um tratamento.

Como fica a criança após o tratamento

Após o procedimento para corrigir a língua presa, a criança precisa reaprender a fazer a ordenha para mamar
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Após o procedimento para corrigir a língua presa, a criança precisa reaprender a fazer a ordenha para mamar

A odontopediatra explica que a língua tem 17 músculos, que precisam trabalhar com harmonia. Além da ajuda de o trabalho de um especialista em fonoaudiologia para qualificar o tônus muscular, há alguns procedimentos para corrigir o freio lingual.

Um deles é feito com o método convencional, com cirurgia, tesoura e ponto. “O freio tem fibras, às vezes duras, e a gente tem de remover essas fibras. Para o bebê, é mais complicado o pós, já que a região fica sensível. Não gosto dessa opção.”

Felizmente, há também o procedimento que foge da tesoura e repara da mesma forma o problema. “É um procedimento elétrico e mais confortável para a criança. No primeiro, segundo dia, o bebê fica mais manhoso, mas a mãe já pode amamentar aqui na sala do consultório."

Feito o procedimento, a criança vai ter de reaprender a fazer a ordenha. Então será um novo processo tanto para o bebê quanto para a mãe, mas, desta vez, a língua na posição correta para mamar.

Sinais de que a amamentação não está certa

Amamentação de bebês nos primeiros dois anos pode salvar mais de 820 mil crianças com menos de 5 anos todos os anos
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Amamentação de bebês nos primeiros dois anos pode salvar mais de 820 mil crianças com menos de 5 anos todos os anos

Amamentar não é fácil como muitas vezes pode parecer. Ao invés de um momento sublime, muitas mães enfrentam um verdadeiro pesadelo, mas não precisa ser assim. Se há fissuras mamarias, dor exacerbada ou dor insuportável, se as mamadas são muito agitadas, o bebê mama pouco após muito esforço e logo dorme e a criança tem muitas cólicas ou regurgita em excesso, junto de engasgos constantes e barulhinhos durante a amamentação, é sinal de que há algo errado.

E não só a língua presa pode causar estes problemas. Se a abertura da boca da criança é muito pequena, haverá mais dificuldade de pegar o bico e a auréola da mãe. Se o mamilo da mãe é muito grande e a boca do bebê, pequena, o mesmo problema acontece. E assim vai, por isso é importante sempre ter a opinião de um ou até mais especialistas.

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“Converse com seu pediatra. Se não for especializado em aleitamento materno, procure alguém que trabalhe especificamente com este assunto, para não ter de entrar na mamadeira. Converse também com um odontopediatra ou fono especializado em aleitamento. É possível encontrar grupos com estes profissionais na internet.

E para quem vai começar a amamentar ou está passando por essa experiência, Adriana afirma que nenhuma mulher precisa sofrer. “Não tem de sentir dor. Quando tem sofrimento, tem de procurar ajuda. A pega pode estar incorreta ou até mesmo a forma de colocar a criança no colo, mas um profissional pode sempre ajudar”, completa a especialista.