Tamanho do texto

Lizzy Willamson teve pensamentos suicidas e se viu literalmente no fundo do poço, mas dispensou remédios e encontrou na dança um estímulo para viver

Atualmente, a australiana Lizzy Willamson, de 40 anos, se considera uma mulher extremamente capaz e positiva, mas há nove anos ela viveu um dos momentos mais sombrios de sua vida, tudo por conta da depressão pós-parto que a levou a ter até pensamentos suicidas. O caso foi publicado no jornal britânico "Daily Mail" e ganhou repercussão na imprensa. Mas a história de Lizzy tem um final de feliz e pode ajudar diversas mulheres. 

Leia também: Mãe enfrenta período de depressão fazendo exercícios

Lizzy Willamson conta detalhes de como conseguiu superar a depressão pós-parto
Reprodução/Daily Mail
Lizzy Willamson conta detalhes de como conseguiu superar a depressão pós-parto


Segundo o jornal, Lizzy começou a ter esses e outros péssimos pensamentos depois de dar à luz sua segunda filha, Ruby, e sozinha lutou oito meses para combater a depressão pós-parto . “Eu segurava minha bebezinha no topo do meu apartamento, olhava pela janela e pensava em jogá-la”, conta ao “Daily Mail”. Fora isso, ela gritava com as crianças e ficava tão estressada que batia nas paredes de forma tão feroz que assustava as filhas.

“Era como uma nuvem escura que me cercava onde quer que eu fosse, eram sentimentos e emoções que eu nunca sentira antes. Esse sentimento de raiva, de escuridão e de estar sempre sobrecarregada”, explica Lizzy. Nessa fase, tudo para ela parecia difícil de fazer. Muitas vezes, sentava no chão do apartamento via todo trabalho doméstico que tinha para fazer, mas não conseguia se mover. “Era como se eu estivesse paralisada para realizar qualquer coisa”, acrescenta.

Sufocada nos próprios pensamentos

Mesmo percebendo que precisava de ajuda, Lizzy não buscou auxílio profissional de imediato, porque estava envergonhada de si mesma por se sentir tão para baixo. “Pensei em tudo o que eu tinha, dois bebês saudáveis, um marido, um teto na minha cabeça, uma família que me apoiava, então não tinha o direito de me sentir assim”, diz. “Eu deveria estar realmente agradecida e amando todos os momentos de maternidade, porque sou sortuda de ser mãe. Mas me sentia como um fracasso que não estava sabendo lidar com aquilo”, completa.

A australiana não queria admitir a ninguém que vivia com pensamentos obscuros, como querer se matar por se sentir um fracasso. “Achei que era a única que sentia assim, por isso, não contei a ninguém, pensei que havia algo de errado comigo”, relata. “Eu sentia como se tudo tivesse desaparecido e tinha um mantra constante na minha cabeça que era: ‘eu vou me matar, eu vou me matar’”, detalha.

Primeiro pedido de ajuda

Todos esses sentimentos reprimidos foram sufocando a mãe de tal forma que ela precisou falar com parceiro o que estava acontecendo. “Eu simplesmente percebi que precisava pedir conselho ao meu marido. Não lhe contei a extensão do que estava sentindo, mas ele certamente poderia ver”, afirma. Ele disse que ela precisava buscar uma ajuda médica, porque aquilo que estava acontecendo estava destruindo a família deles.

Quando sentiu que poderia perder a família que tanto ama, a mãe resolveu procurar ajuda
Reprodução/Daily Mail
Quando sentiu que poderia perder a família que tanto ama, a mãe resolveu procurar ajuda


Sentindo que poderia abalar o casamento e perder a família que tanto ama, Lizzy encontrou uma motivação e decidiu tomar uma atitude. “Quando tudo estava além de mim e dos meus sentimentos, liguei para a minha médica. Senti tanta dificuldade de fazer aquela chamada, eu realmente senti como se a chamada reafirmasse que eu era um fracasso total”, revela.

Leia também: Vítima de depressão pós-parto, mãe morre antes de dar à luz o segundo filho

O maior medo dela era de passar a imagem de que tinha falhado como mãe. “É assustador, porque quando você não está lidando com o título de mãe, você pensa muito sobre o que as pessoas vão te dizer”, fala. Ela não queria passar a imagem de incapaz e não queria que as pessoas pensassem o que ia acontecer com os filhos dela por ela estar passando por tantos problemas.

Lizzy também estava com medo de que sua médica simplesmente dissesse a ela para “superar tudo isso”. “Eu pensei que ela diria ‘Olhe, você está fazendo tudo isso, mas não há nada de errado, apenas supere’, porque eram essas as palavras que eu repetia para mim mesma”, explica.

Problema finalmente identificado

O grande problema é que a australiana estava perdida em seus próprios pensamentos e em nenhum momento pensou que poderia estar com depressão pós-parto, tanto que quando a médica falou que esse era o problema, ela ficou absolutamente chocada. “Ela me explicou o que isso significava, me mostrou a importância de contar com a ajuda de um psicólogo. Ela também me deu uma receita de antidepressivos, mas disse que essa não era uma opção”, conta.

O principal conselho da médica foi a seguinte analogia: quando um avião está caindo, em primeiro lugar, você deve colocar a própria máscara de oxigênio, para depois conseguir ajudar os outros. “Ela estava me olhando do jeito que deveria olhar para tantas outras mães que não fazem absolutamente nada por elas mesmas, dizendo para fazer algo por nós mesmos, foi um conselho muito grande e um verdadeiro despertador para mim”, enfatiza Lizzy.

Volta por cima 

Olhando para trás, a mãe percebe o quanto essa ajuda foi importante e que ela deveria ter procurado um especialista desde o primeiro momento. “Em retrospectiva, eu olho para isso e vejo que estava muito fora do normal, mas ainda estava usando a capa de mãe tentando fazer o melhor que podia todos os dias, só demorei a dar um passo para trás e respirar”, relata. O cerne de tudo é o fato de que Lizzy estava cuidando de todos a sua volta e esquecendo de cuidar de si mesma.

Ela fazia a comida das crianças, mas não se alimentava direito; levava os pequenos para fazer exercícios, porém não se exercitava; ela até tentava ler vários livros para expandir a mente, entretanto não conseguia se concentrar.

Embora os antidepressivos estivessem na mesa, Lizzy decidiu que queria primeiro experimentar outras opções. No passado, ela foi dançarina e lembrou que os movimentos costumavam trazer muita alegria e mesmo com um estilo de vida corrido, quis acrescentar isso à nova rotina.    

Nove anos depois, Lizzy está bem e continua dançando, agora junto com as filhas, para se manter longe da depressão
Reprodução/Daily Mail
Nove anos depois, Lizzy está bem e continua dançando, agora junto com as filhas, para se manter longe da depressão


“Eu fingi que o banco da cozinha era minha barra de balé e comecei a fazer algumas posições e agachamentos. Então, eu separei um pequeno momento todos os dias para trabalhar nisso”, conta. “Foi um passo muito pequeno que causou esse grande efeito. O exercício é tão bom para sua saúde mental, mas se você está muito deprimido, já é difícil dedicar 20 ou 30 minutos a isso. Não é uma cura mágica, mas é um passo na direção certa”, acrescenta.

Leia também: Mãe fala de depressão desenvolvida após dar à luz e alerta para dificuldade de notar sintomas

Nove anos depois de sofrer com a depressão pós-parto, Lizzy ainda segue a rotina de exercícios, embora ainda passe por dias mais turbulelntos. “Há dias em que ainda posso sentir o cachorro preto mordendo os meus calcanhares, mas está tudo bem, porque agora tenho as minhas ferramentas para combater isso”, finaliza.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.

    Notícias Recomendadas