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Envolver as crianças em discussões médicas é importante para que elas comecem a desenvolver autonomia. Veja qual a melhor forma de fazer isso

Você já perguntou ao seu filho se ele estava confortável na consulta médica? É muito comum que as crianças pequenas sejam examinadas e tratadas "contra" a vontade. Por exemplo, quando o médico limpa cera do ouvido para identificar uma infecção, ele não tem o hábito de perguntar à criança se ele pode fazer isso. Mas, quando as crianças podem começar a opinar nas decisões médicas?

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Envolver as crianças em decisões médicas é importante para que elas comecem a desenvolver autonomia
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Envolver as crianças em decisões médicas é importante para que elas comecem a desenvolver autonomia

Um documento elaborado pela Academia Americana de Pediatria (AAP) sugere que crianças com sete anos de idade podem expressar se concordam ou não com o tratamento médico proposto. De acordo com o material divulgado, quando devidamente informada e envolvida na discussão, a criança pode desenvolver autonomia se participa das decisões . Assim, quando atingirem a vida adulta, estarão preparadas para entender a complexidade de uma decisão médica.

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A hora certa

A AAP recomenda que quando se tratam de assuntos complexos, como doenças fatais, a criança não deve opinar.  “O assentimento é reconhecer que a criança é sujeito ativo de seu tratamento, mas acolhê-la não significa concordar com todas as suas decisões", explica o especialista. Segundo ele, o pediatra deve sempre explicar a importância do tratamento, mas a ultima palavra não é da criança. 

“Tomar decisões médicas complexas, e tomá-las bem, significa lidar com informações sobre a doença, terapias, riscos, benefícios e efeitos colaterais”, diz Chencinski. Por conta da complexidade, os pais devem tomar frente e decidir o que é melhor para a criança. No entanto, sempre se lembrando de envolvê-la nas conversas. 

Uma forma de fazer isso é dar espaço para ela questionar e tirar todas as dúvidas com o profissional. Assim, a criança participa da discussão e não se sente excluída daquilo que está sendo decidido sobre ela mesma.

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O documento desenvolvido pela AAP reconhece várias situações em que adolescentes são capazes de decidir, como tratamento de questões relacionadas com a saúde sexual, contracepção e cuidados pré-natais, assim como cuidados com a saúde mental e abuso de substâncias. A afirmação baseia-se na preocupação de que se precisarem passar pelo consentimento dos pais, eles não receberão determinados tratamentos. Afinal, nem sempre há um canal de diálogo sobre temas como vida sexual. 

De modo geral, as crianças devem ser envolvidas nas discussões médicas e receber todas as informações sobre os procedimentos que serão submetidas, mas a decisão final deve ser dos responsáveis. Os adolescentes ganham mais liberdade, mas ainda devem ser acompanhados pelos pais ou responsáveis

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