Jhane Pereira teve a ideia de vender fotos íntimas depois de propostas em rede social
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Jhane Pereira teve a ideia de vender fotos íntimas depois de propostas em rede social


"Meu nome é Janiclescia Pereira, mas todo mundo aqui em Goiânia me conhece como Jhane. Sou uma microempreendedora, tenho 31 anos, noiva de Maikon Batista desde setembro de 2019. Vivo atualmente com minha mãe e sempre vou protege-la. Quando eu era pequena, fui uma menina batalhadora que começou a trabalhar aos 14 anos de idade. Não demorou muito e, aos 19 anos, me casei com meu primeiro namorado, ainda virgem. A relação durou pouco tempo porque ele me traiu com uma moça do trabalho dele, mas essa foi apenas uma que descobri. Acredito que tiveram outras.

Desde então, me tornei uma mulher mais forte a cada ano que passava. Fiquei sozinha, conheci novos pretendentes e me apaixonei por um outro rapaz que tive um relacionamento de longos quatro anos. Tudo estava lindo até que minha mãe começou a implicar com ele por causa da cor e porque ele era bem caladão. Eu terminei o namoro com ele por causa da minha mãe. Não me arrependi, pois eu acreditava que tinha tomado a decisão certa. Até hoje tenho carinho e respeito por ele, pois me tratava muito bem, mas não o suficiente para reatarmos o relacionamento. Torcemos um pelo outro.

Me vi perdida, sem rumo e percebi que minha autoestima começou a baixar diante da minha tristeza profunda. Depois, eu coloquei na cabeça que fiz a coisa certa, então fui voltando ao meu normal. Nessa época, eu olhava para o meu corpo no espelho e sentia que meus seios eram pequenos para meu tipo físico. Queria colocar silicone para me sentir mais linda, mas guardava essa vontade só para mim.

O tempo passou e coloquei na cabeça que queria fazer essa cirurgia plástica. Tive muitas ideias para ganhar o dinheiro necessário para fazer o procedimento. Acreditei que poderia conseguir tudo, bastava eu querer. Comecei a olhar meu potencial: sempre bem espontânea, comunicativa, guerreira, coração grande, uma pessoa cheia de opiniões. Revelei meu desejo para todos e decidi fazer um consórcio para pagar o silicone.

O tempo foi passando e meu projeto acabou não dando certo. Gastei o dinheiro com outras prioridades daquele momento. Isso não me fez desistir e voltei a juntar dinheiro. Eu fazia vídeos para um aplicativo em que nele eu falava que eu não tinha peito e que ia fazer uma vaquinha para colocar silicone. Deu certo, o vídeo viralizou muito e algumas pessoas decidiram me ajudar. Criei uma vaquinha com o objetivo de arrecadar R$ 12 mil, algumas pessoas depositaram, mas só cheguei aos R$ 4 mil. Outros aproveitavam para me xingar e falavam “vai trabalhar”. Eu ficava triste, porém nunca me abalou. Me chamavam de piranha, safada, garota, golpista e muito mais.

E assim fui vivendo.

A primeira ideia de Jhane Pereira era vender
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A primeira ideia de Jhane Pereira era vender "packs do pezinho"


Infelizmente eu fui obrigada a sair do meu trabalho fixo e demorei muito tempo para arrumar outro. Nesse intervalo eu fui diagnosticada com anemia, tive sangramentos por quase um mês e as contas não paravam de chegar. Precisei usar o dinheiro para cuidar de tudo. Mais uma vez, meus planos não deram certo. Fui conhecendo pessoas e, entre elas, uma amiga me indicou uma clínica aqui em Goiânia que parcelava a cirurgia. Não tive dúvidas e os procurei.

Durante a primeira consulta, decidi pagar as parcelas do silicone. Eles me informaram que eu poderia realizar o procedimento assim que eu conseguisse pagar a metade do valor total e me comprometi a fazê-lo, mas não deu certo. Mais uma vez fui ficando para trás e deixei as parcelas atrasarem.

‘Pagaram para me ver morta na cirurgia’

A vaquinha estava indo bem até que muitas meninas começaram a me perguntar quanto eu ganhava, qual era o valor do silicone, se eu já tinha conseguido o valor total e como eu poderia explicar para elas fazerem o mesmo. A inveja foi grande, adoeci novamente e demorei para me recuperar. As pessoas achavam que eu estava ganhando rios de dinheiro e não era assim. Me recuperei, comecei a fazer mais vídeos, respondia mais as pessoas e voltei a ganhar dinheiro novamente com a vaquinha.

Não aprendi com meus primeiros erros e me expus novamente: postei os comprovantes de depósito para a clínica e me dei mal. Adoeci novamente, fui para uma igreja evangélica que frequento e o pastor fez uma revelação que eu ia fazer uma cirurgia e morreria nessa hora. Ele me disse que ‘uma pessoa tinha pagado para me ver morta na hora da cirurgia’.

Fiquei com muito medo e acabei acreditando mesmo, pois tem muita gente que deseja o meu mal. Entendi que isso era um aviso de inveja e ela mata. Fiquei muito assustada. Eu não sei quem fez isso, suspeito que foram pessoas conhecidas. Isso está na minha cabeça até hoje, mas eu quebrei a maldição. Pensei em desistir, mas não fiz isso.

‘Já tive várias propostas para fazer programa’

Maikon Batista e Jhane Pereira estão noivos desde setembro de 2019
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Maikon Batista e Jhane Pereira estão noivos desde setembro de 2019


Encontrei um namorado doidinho como eu, o Maikon, que é barbeiro, razão das minhas paranoias diárias e ele sempre falava: ‘Ainda vou realizar esse seu sonho, pode acreditar’! Eu acredito, mas corro atrás também. Isso aumentou ainda mais o meu gás, comecei a trabalhar, me virava para guardar nem que seja R$ 20 para minha sonhada cirurgia. Não foi fácil.

O tempo foi passando, a vaquinha deu uma parada real, mas eu continuava a juntar dinheiro. Nessa época, eu resolvi empreender e comecei a vender pacotes de fotos dos pés, o que chamam de ‘pack do pezinho’. A ideia surgiu em conversas com meus sobrinhos e um cunhado. De lá para cá, eu já arrecadei cerca de R$ 3 mil, mas as pessoas não queriam ver meu pé, né? Eles querem algo a mais... me pediam fotos nuas e eu nunca me incomodei. Nem mesmo com as perguntas indecentes.

Achei a proposta interessante, conversei com o Maikon e ele aceitou de boa, mas com algumas regras acordadas. Ele teve muito ciúme, mas depois ficou tranquilo. Ao todo, já vendi cerca de 2 mil fotos, pelo preço médio de R$ 70. Faço a venda das fotos pelo meu Instagram que tem imagens bem ousadas . Fui tachada como garota de programa e o meu noivo de corno. Chegamos a ficar incomodados com a situação, mas o tempo foi passando e acostumamos com as críticas. Aliás muitas pessoas que falaram mal da gente, hoje tentam uma aproximação a todo custo.

A pandemia chegou, comecei a expor mais minha vida e hoje junto dinheiro da minha futura cirurgia. Faço minhas fotos conforme a imaginação fértil dos homens e vendo por R$ 100, em média. É cada loucura que até eu fico me perguntando ‘o que estou fazendo?’. Gosto de ser diferente, gosto de marcar território e presença. Enfim, estou me adaptando aos poucos.

Já recebi várias propostas de homens querendo pagar meu silicone. Eles, inclusive, pedem muitas coisas loucas, mas o programa é o que eu mais dispenso, não faço e nem tenho vontade. Já tive várias propostas boas, porém nunca aceitei. Levava tudo com tranquilidade e muita maturidade, graças a Deus. Eles só querem fazer sexo comigo, mas não aceito. Eu não faço programa! Já recebi propostas de médicos, de gente que eu poderia acreditar que seria verdade, mesmo assim não aceitei. Um político ficou um bom tempo no meu pé para eu aceitar ele me bancar, pagar meu silicone, mesmo assim não aceitei. Estou aqui firme e forte trabalhando normalmente porque não posso parar, e vendendo minhas fotos porque também não posso parar.

Não sou evangélica, mas frequento a igreja. Lá, o pessoal não sabe que vendo as fotos, mas eu confio muito em Deus, oro todos os dias e agradeço a Ele por ter tudo o que preciso. Eu acredito muito no tempo de Deus. Tudo tem sua hora e eu vou realizar meu sonho. Já me falaram 'só faz cirurgia plástica quem não se tolera, quem não tem amor próprio e quer mudar o que Deus deu'. Eu me tolero muito, inclusive sou grata a Ele pela mulher perfeita que ele me fez, mas eu quero só um pouquinho de peito, não tenho nada. Ele me entenderá. A vida da gente é uma caixinha de surpresa."

Jhane Pereira não se considera evangélica, mas a igreja vê com maus olhos o que faz
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Jhane Pereira não se considera evangélica, mas a igreja vê com maus olhos o que faz


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