Aída dos Santos, única brasileira a participar das Olimpíadas de Tóquio em 1964
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Aída dos Santos, única brasileira a participar das Olimpíadas de Tóquio em 1964




Há 57 anos, a atleta carioca Aída dos Santos conquistou um feito inédito na história do atletismo brasileiro. Ela foi a primeira mulher a participar de uma final olímpica. Naquele ano, os jogos aconteceram em Tóquio e Aída era a única mulher na delegação do Brasil e ficou em quarto lugar no salto em altura. Foi a maior conquista de uma atleta brasileira por 32 anos, até a dupla Jacqueline e Sandra Pires, jogadoras de vôlei de praia, ganharam medalha de ouro em Atlanta, em 1996.

Nas Olimpíadas de 1964, Aída conseguiu uma vaga em setembro, e os jogos aconteceriam em outubro. Desse modo, o tempo de organização foi quase nulo e o incentivo quase inexistente. 


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A atleta não possuía uniforme e reutilizou uma roupa dos Jogos Ibero-Americanos, que havia participado anteriormente. Também não dispunha de material e técnico, precisando recorrer a ajuda de participantes estrangeiros. Um colega japonês emprestou o material, enquanto os sapatos para o salto vieram das mãos de um cubano. Ao fim da competição, Aída atingiu a marca de 1,76m, apenas dois centímetros da medalha de bronze.

Aída dos Santos é uma mulher de origem pobre que cresceu no Morro do Atroz, favela em Niterói, no Rio de Janeiro. Ainda jovem, foi descoberta pelo Fluminense, mas na primeira competição que ganhou levou uma surra do pai, que desaprovava a profissão. Quatro anos depois de Tóquio, ela disputou nos Jogos Olímpicos novamente, desta vez na Cidade do México, em que ficou em vigésimo lugar no pentatlo.

A atleta se formou em Geografia, Educação Física e Pedagogia. Quando fazia faculdade, frequentava as aulas de manhã, trabalhava durante a tarde. A noite era reservada para os treinos. Ela chegou a ser professora de Educação Física na Universidade Federal Fluminense entre os anos de 1975 a 1987. 

Em 2012, durante as Olimpíadas de Londres, Aída dos Santos recebeu da Confederação Brasileira de Atletismo e da Caixa Econômica Federal uma homenagem. O livro “Mulheres no pódio -  A empolgante história das atletas brasileiras” retrata o caminho percorrido pela atleta até conseguir competir na capital japonesa. Em 2016, nos jogos do Rio, conduziu a Tocha Olímpica ao lado de sua filha Valeska Menezes, jogadora da seleção brasileira de vôlei. 

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