Na quinta-feira (14), um caso no Instagram chamou a atenção. A apresentadora do Multishow Titi Müller, grávida de 8 meses, postou no dia 9 de maio uma foto em sua rede social e foi denunciada. A imagem mostrava Titi deitada na cama, sem roupas e com a barriga e parte dos seios a mostra.

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Reprodução/ Instagram
Titi Muller repostou a foto que havia sido censurada com uma "mamadeira" cobrindo os seios

A imagem recebeu muitos comentários, mas parece que nem todos gostaram e ela acabou sendo excluída pela plataforma. Cinco dias depois, a apresentadora repostou a imagem a seguinte legenda "Tive minha primeira foto denunciada e deletada por “atividade sexual”" e cobriu os seios com um emoji de mamadeira.

Diante desse fato, fica a pergunta: por que ainda é tão difícil aceitar o corpo nu de uma mulher grávida ?

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Reprodução/ Instagram
Mensagem recebida por Titi após a foto ser denunciada

Para a psiquiatra Cristina Saavedra existe uma razão. “As pessoas têm dificuldade de aceitar corpos nus de pessoas que fogem do padrão e a grávida tem aquela questão do ser assexuado, do ser abençoado que tem que ter pudor e se vestir. Então uma foto de um corpo nu de uma grávida é como se ela quisesse se mostrar e é por isso que as pessoas não aceitam, isso incomoda. É uma questão de machismo estrutural”, explica.

Atrelado a essa discussão, a psicóloga Bia Sant’Anna também reflete sobre as limitações impostas para as mulheres. “Por que a mulher grávida não pode ser sensual , não pode ser sexy? E por que precisa existir essa distinção da mulher grávida e de outras? A gestante pode ser erótica, pode ser sensual e isso não deveria ser encarado de forma negativa ou errada”.

“Parece que o fato de estar grávida a coloca em outra condição. Como se ela deixasse de ser uma mulher, uma fêmea, e passasse a ocupar o lugar de mulher-mãe, a mulher maternal, como se o sensual, o erótico precisasse ser tolhido da mulher que virou mãe”, enfatiza.

A sexualização da maternidade

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Reprodução/ Instagram
Ísis publicou essa imagem em seu Instagram oficial e teve o conceito deturpado

Um caso recente de sexualização da maternidade aconteceu com a atriz Ísis Valverde após a postagem de uma foto amamentando o filho Rael em seu Instagram. O caso gerou debate a cerca da sexualização do ato de amamentar, relação que a psiquiatra Cristina tenta contextualizar.

“Existe uma erotização do seio. Um seio à mostra agride as pessoas. Ele é um órgão erotizado para a mulher, porque para o homem é normal ficar sem camisa. Então se ela ‘ousa’ colocá-lo para fora para amamentar, ela está saindo da imagem de mulher-mãe”.

Essa discussão se estende até para o algoritmo do Instagram. Na descrição das Diretrizes da Comunidade do aplicativo, ao qual a foto da apresentadora Titi violou, está escrito:

“Sabemos que há casos em que as pessoas talvez desejem publicar imagens de nudez de natureza artística ou criativa. No entanto, por vários motivos, não permitimos nudez no Instagram. Isso inclui fotos, vídeos e alguns tipos de conteúdo criados digitalmente que mostram relações sexuais, genitais e close-ups de nádegas totalmente expostas, além de algumas fotos de mamilos femininos”

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De acordo com o comunicado, somente são aceitas fotos de mastectomia ou amamentação. Nesse ponto, a restrição ao corpo feminino abre um questionamento. “Porque o peito de uma mulher tem que ser removido? Porque o mamilo de uma mulher vai contra a política da rede, e o mamilo de um homem não?”, questiona Cristina.

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