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Com posts antigos e preconceituosos vindo à tona, youtubers e artistas afirmam que mudaram com o tempo. Psicóloga explica se isso é possível

A internet ficou em polvorosa após o youtuber Júlio Cocielo publicar um comentário racista no Twitter. Várias personalidades da mídia, inclusive, aproveitaram a ocasião para iniciar um debate sobre as piadas politicamente incorretas, mas pouco tempo depois o jogo virou para críticos do influenciador. Em uma busca avançada, teve quem conseguisse trazer à tona posts antigos, com conteúdo preconceituoso , de celebridades que pediram o boicote de Cocielo. Para defendê-los, há quem diga que as pessoas mudam, mas será que isso é só uma desculpa?

Para alguns, as pessoas mudam e por isso não devemos buscar posts antigos para acusar alguém de racismo, por exemplo
Reprodução/Instagram
Para alguns, as pessoas mudam e por isso não devemos buscar posts antigos para acusar alguém de racismo, por exemplo


Em entrevista ao Delas, a psicóloga e também youtuber Adriana Severine diz que é possível, sim, afirmar que as pessoas mudam com o passar do tempo. Ainda segundo ela, as experiências adquiridas no dia a dia podem fazer os cidadãos enxergarem a vida através de ângulos diferentes. Para isso acontecer, no entanto, é preciso ter empatia pelos outros.

De acordo com a especialista, o melhor jeito de entender se alguém está pensando diferente sobre determinado assunto é analisar as atitudes do indivíduo, atualmente, e não focar apenas no que ele diz. “Fazer discurso politicamente correto é fácil, mas o que demonstra se a pessoa mudou ou não são as atitudes dela em situações de pressão e conflito”, explica Adriana.

O ator Bruno Gagliasso , neste caso,  é um exemplo a ser analisado. Vários internautas encontraram posts homofóbicos, publicados nas redes sociais do ator, em 2009. Agora, ele afirma que está aqui para responder pelo que já foi na época e até mesmo antes disso, mas não deixou de assumir seus erros. Pai adotivo de Titi, Gagliasso já se tornou um símbolo da luta contra o racismo e vira e mexe aparece defendendo as minorias, o que prova sua mudança.

Não acreditar que as pessoas mudam pode ser ruim

Para a especialista, a falta de esperança em um mundo melhor, onde as pessoas podem evoluir, é perigoso e pode causar até mesmo a depressão. No caso de quem é famoso e está sempre chamando a atenção, como os youtubers e artistas, a pressão é dobrada e as consequências dela podem ser ainda mais preocupantes. Por isso, é importante ficar atento.

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“Estamos em um mundo conflituoso, em que se você discorda de mim, você é rotulado e se torna meu inimigo automaticamente. Não queremos ser julgados, mas julgamos os outros a todo momento. Quanto mais públicas são as pessoas, mais julgadas elas são”, diz Adriana.

Para a especialista, todos devem pagar pelos erros que cometem, mas é importante a sociedade saber de quem é a responsabilidade em cada parte do processo. Querer fazer justiça com as próprias mãos pode causar danos irreversíveis à vida das pessoas, o que não colabora em nada. Portanto, o diálogo é sempre a melhor saída.

“Esses ‘ataques’ podem, com certeza, contribuírem para que situações psicológicas e emocionais pesadas interfiram na vida dessas pessoas que estão sendo expostas. O peso do julgamento pode levar a uma depressão e causar o isolamento”, justifica Adriana.

Se a personalidade é formada na infância, como as pessoas podem mudar?

A personalidade de um ser humano é formada entre os cinco e sete anos de vida. Já o caráter, segundo a psicóloga, é um componente dessa personalidade. Mas é a interação e a empatia, porém, que ajudam os seres humanos a verem o mundo de formas diferentes, e elas só são adquiridas com base no conhecimento.

“O que quero dizer é que, por falta de experiência e conhecimento, podemos julgar ou criar padrões de julgamentos mais rígidos que outros, mas a partir do momento que vivenciamos outras realidades esse modo de pensar muda. Uma pessoa que pensa que todo morador de comunidade é ladrão, por exemplo, pode fazer um trabalho voluntário em uma comunidade, conhecer essa realidade e ver que a maioria das pessoas da comunidade são honestas, trabalham e são até parecidas com ela”, argumenta.

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Aos que sentem que estão julgados, justamente ou não, Adriana, que acredita que as pessoas mudam , indica uma terapia para lidarem melhor com as cobranças e entendam que todos podem errar, mas reconhecer o erro é essencial. “O ideal é procurar a terapia para se conhecer, fortalecer, saber o motivo de termos agido de tal forma e entender que as outras pessoas podem pensar diferente de nós”, aconselha.

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