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Saddi Khan fotografa mulheres negras nuas para evidenciar a relação que têm com si mesmas e os preconceitos que sofrem ou já sofreram

Ao longo da história, os corpos das mulheres, especialmente o das mulheres negras , foi fetichizado e visto exclusivamente como objeto de luxúria e prazer. Por outro lado, mulheres negras e gordas são hostilizadas. Na tentativa de romper pelo menos um pouco com todos esses preconceitos , o fotógrafo Saddi Khali decidiu criar o Decolonizing Beauty (Descolonizando a Beleza).

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Saddi Khali quer romper preconceitos sobre, principalmente, de mulheres negras com série Decolonizing Beauty
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Saddi Khali quer romper preconceitos sobre, principalmente, de mulheres negras com série Decolonizing Beauty


A série visa fazer ensaios de mulheres negras nuas, às vezes junto de seus companheiros, para evidenciar suas relações com seus próprios corpos e os preconceitos que sofrem ou já sofreram.

Nesses casos, a ideia da colonização não tem a ver somente com racismo , tem a ver também com o cerceamento do livre arbítrio sobre os corpos, visto que na internet existe sempre uma legião de pessoas prontas para criticar a aparência, principalmente, de quem expões por meio de fotos - seja por meio do bullying “tradicional”, seja uma gordofobia, por exemplo, escondida por uma suposta preocupação com a saúde de quem posta.

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Repercussão

Infelizmente, nem todas as fotos receberam comentários positivos. Principalmente as fotos com mulheres gordas foram alvos de comentários preconceituosos e gordofóbicos. Saddi endereçou as reações durante uma conversa com o site Afropunk.

“Nós vivemos tempos estranhos, em que qualquer pessoa pode ver imagens de negros apaixonados, felizes ou em paz, mas só enxergar o negativo. Eu vi alguns dos comentários desagradáveis e a quantidade deles me pareceu uma mistura de cyberbullying com necessidade de chamar atenção. São pessoas miseráveis espalhando a própria miséria. Eu te garanto, nenhuma pessoa feliz deseja fazer outras pessoas se sentirem mal por como o criador as fez”, argumentou.

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Ele ainda disse torcer para que as pessoas reconhecessem e examinassem criticamente seus impulsos, hábitos e intenções antes de comentar qualquer coisa na internet. “Essas presuposições e narrativas opressivas que dirigimos às pessoas podem ser extremamente destrutivas para a autoestima coletiva”, ressaltou o fotógrafo.

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É por isso, segundo ele, que os ensaios de corpos em Descolonizando a Beleza são tão importantes: “nossas perspectivas precisam ser desafiadas. Nós precisamos aprender a amar uns aos outros, em toda a nossa variedade”.

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