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Quando foi diagnosticada, Hamna Amira pesava cerca de 39 quilos: "Eu sentia como se não merecesse aquelas calorias e precisava me livrar delas"

A britânica Hamna Amira foi diagnosticada com anorexia nervosa em maio de 2017. Esse distúrbio alimentar faz com que a pessoa tenha uma visão distorcida do corpo e fique obcecada pelo próprio peso e por aquilo que come. Hoje, porém, a jovem de 18 anos de idade está em  processo de recuperação e quer ajudar outras pessoas que estejam passando pelo mesmo.

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Hamna Amira foi diagnosticada com anorexia em 2017 e, desde então, conseguiu engordar de cerca de 39 para 45 quilos
Reprodução/Instagram/hamna.amira
Hamna Amira foi diagnosticada com anorexia em 2017 e, desde então, conseguiu engordar de cerca de 39 para 45 quilos

Apesar de ter recebido o diagnóstico dos médicos sobre  anorexia  apenas no ano passado, a história de Hamna com o distúrbio começou muito antes, mesmo sem saber do que se tratava. "Eu sentia como se não merecesse aquelas calorias e precisava me livrar delas. Eu tentei vomitar, mas isso não funcionou, então minhas outras soluções eram parar de comer e praticar exercício físico ao extremo, mas as duas coisas são extremamente perigosas e não são saudáveis", diz em entrevista ao portal "Media Drum World".

"Quando eu me sentia muito culpada por comer, costumava acordar no meio da noite, nos horários em que a minha família ainda estava dormindo, e praticava corrida em cima dos meus travesseiros, para não fazer barulho e não acordar ninguém, então eu corria e corria até desmaiar", complementa. Na época, a adolescente chegou a pesar 39 quilos — peso considerado normal para uma criança de 11 anos.

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Internação e diagnóstico

A primeira vez que foi internada não foi por causa do distúrbio, mas, sim, por problemas de ansiedade e depressão. "Nem eu, meus amigos, familiares ou professores tínhamos noção de que eu tinha um distúrbio alimentar", conta. "Minha mãe e alguns dos meus melhores amigos notaram mudanças nos meus hábitos alimentares, comportamentos e meu peso, mas ninguém suspeitava disso."

Foi nessa visita ao hospital que os médicos deram o diagnóstico de anorexia, porém Hamna entrou em estado de negação — algo comum para quem sofre de distúrbios alimentares. "Demorou várias semanas, talvez até um mês ou dois para que eu aceitasse o diagnóstico e tomasse consciência. É difícil entender o que está acontecendo com você."

A jovem afirma que, ainda mais difícil do que compreender a própria situação, é esperar que as outras pessoas também sejam compreensivas. "'Por que ela está tentando se matar de fome? Por que ela não come? Por que ela está fazendo isso consigo mesma?' É tudo muito confuso para todos ao meu redor."

Entretanto, o que fez Hamna perceber que precisava mudar de hábito foi saber que podia ser mandada para uma clínica e perder um ano da escola. "Me disseram que se eu perdesse mais uma grama poderia ser internada, o que seria muito ruim e eu não poderia mais ir à escola regularmente, receber meu diploma e ir para a faculdade".

"Eu sempre quis ir para a faculdade para estudar administração de empresas e psicologia. Eu estava determinada a alcançar meus objetivos na vida", conta. "Anorexia era a única coisa que estava me impedindo e eu sabia que precisava lutar contra isso. Precisava lutar contra a voz na minha cabeça que me dizia que eu não conseguiria ou que eu estava gorda ou que eu era um fracasso, a voz que fazia com que cada parte do meu corpo se arrependesse e se odiasse por cada coisa que eu comia."

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Processo de recuperação

Desde então, a jovem passou a ter um estilo de vida mais saudável, se alimentando em todas as refeições, e conseguiu engordar seis quilos, chegando a marca dos 45 quilos. "Na maioria dos dias eu tentava ficar sem comer o máximo que conseguia, mas agora eu tento tomar café da manhã, comer algo entre as refeições e me assegurar de que estou comendo algo para manter meu corpo funcionando. O corpo precisa de comida."

Hamna também afima que mesmo em processo de recuperação, está aprendendo todos os dias o que pode comer e que as calorias não são inimigas. Por isso, ela quer ajudar outras pessoas que lidam com distúrbios alimentares. "Meu maior conselho é que você converse com alguém. Aprendi que está tudo bem em falar sobre os nossos sentimentos, pensamentos e emoções."

Ela também quer conscientizar as pessoas sobre o que realmente são distúrbios alimentares , principalmente porque vê muitas ideias incorretas circulando pela internet. "É muito mais complexo do que preocupação com a aparência ou simplesmente morrer de fome. É um distúrbio mental e existem muitas razões psicológicas para que alguém desenvolva isso. Cada pessoa tem sua própria história e seus motivos, mas o conceito de que anorexia é uma fase, dieta ou escolha está errado", finaliza.

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