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A "tour" mostra gordurinhas, estrias e outras marcas que são consideradas "defeitos" para que outras pessoas também possam se amar assim como são

Ainda em 2017 uma nova tendência começou a ficar bastante popular no Youtube: a "tour pelo corpo". As youtubers estão fazendo vídeos mostrando as partes dos corpos, explicando como se relacionam com cada uma delas e sobre o processo de autoaceitação. O objetivo dessas postagens é passar essa mensagem sobre amor próprio e autoestima, ajudando outras pessoas a também aceitarem suas formas. 

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Luiza Junqueira foi a primeira youtuber a fazer uma
Reprodução/Youtube
Luiza Junqueira foi a primeira youtuber a fazer uma "tour pelo corpo", mostrando as partes do corpo que aprendeu a amar


A primeira influenciadora a publicar um vídeo da " tour pelo corpo " nas redes foi Luiza Junqueira, do canal "Tá, querida", ainda em outubro de 2017. Depois disso, Ellora Haonne mostrou em outro vídeo a diferença entre seu "corpo real" e as fotos que publica no Instagram. A partir de então, a repercussão foi enorme e outros youtubers passaram a se inspirar no tema para criar conteúdo.

Entre os nomes que publicaram suas próprias "tours" estão Alexandra Gurgel, Debora Baldin, Jéssica Lopes e Natália Lima. Essas mulheres falaram sobre as dificuldades em aceitar gordurinhas, celulites, estrias outras coisas que são consideradas como "imperfeições" quando eram mais novas, mas afirmam que hoje conseguem não pensar nisso e se amam como são.

"A gente se amar e se aceitar não quer dizer que vamos amar tudo e aceitar tudo na gente, só que essas coisas que eu não gosto não são imperfeições ou defeitos, são apenas coisas que me incomodam, mas que eu consigo viver com isso", conta Alexandra em seu vídeo. A youtuber e jornalista já havia falado sobre o tema antes, quando foi  alvo de piadas gordofóbicas do apresentador e humorista Danilo Gentili

A youtuber Alexandra Gurgel mostra e comenta sobre os detalhes do corpo em vídeo do canal
Reprodução/Youtube
A youtuber Alexandra Gurgel mostra e comenta sobre os detalhes do corpo em vídeo do canal "Alexandrismos"


Representatividade e a luta contra os padrões impostos pela sociedade

Assim, a ideia de trazer esse olhar carinhoso para o corpo e as formas físicas de cada uma das influenciadoras é também de representatividade. Luiza, Alexandra, Debora e Jéssica são gordas. "A gente não tem esse tipo de representação e é muito difícil pra gente ficar nessa abstração de 'se aceita, se aceita, se aceita', sem coisas pra se apegar. Você realmente precisa treinar seu olhar pra gostar das coisas que você vê", diz Debora.

Debora Baldin também mostra o que a deixava incomodada no próprio corpo enquanto faz a
Reprodução/Youtube
Debora Baldin também mostra o que a deixava incomodada no próprio corpo enquanto faz a "tour" em vídeo


As influenciadoras também comentam sobre os padrões impostos e a pressão estética que existe para ser magra. Mesmo que Luiza tenha sido a primeira a idealizar o vídeo mostrando seu corpo em detalhes, a produção que mais chamou a atenção e foi repercutida na mídia foi a de Ellora.

O debate surgiu porque Ellora é considerada magra e, mesmo que o conteúdo que ela tenha publicado não seja igual à primeira "tour", o corpo dela ainda está dentro do que é visto como padrão. Enquanto o vídeo dela foi lançado em dezembro e tem mais de um milhão de visualizações, o de Luiza tem pouco mais de 900 mil e já está há três meses no Youtube, por exemplo. 

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No vídeo, Ellora compara seu
Reprodução/Youtube
No vídeo, Ellora compara seu "corpo real" com o jeito que ela se posiciona para tirar uma foto para as redes sociais


As curtidas e descurtidas também entraram para a questão. Ellora tem 176 mil curtidas e mil descurtidas. Já os números do vídeo publicado por Luiza ficam em 95 mil e 4 mil, respectivamente. Os youtubers agora fazem uma reflexão: será que as pessoas só consomem aquilo que é padrão, mas não o que foge disso? 

Mesmo com a polêmica, a maioria dos comentários de qualquer vídeo sobre uma "tour pelo corpo" é de elogios pela coragem dessas mulheres em mostrarem como são de verdade e, principalmente, por afirmarem que está tudo bem em não estar dentro do padrão e se amar mesmo assim. 

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