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As americanas Ro'Yale e Jessamyn Stanley e a brasileira Thais Carla são exemplos de mulheres que não se deixaram abalar pelo padrão estético

A americana Ro’Yale vem chamando atenção pelo mundo apenas por dançar pole dance, uma atividade que já se tornou comum em vários países. A “diferença” da chamada Da Queen Of Curves, algo como Rainha das Curvas, é que ela está longe de ser considerada magra. A verdade é que Ro’Yale é uma das mulheres gordas que provam não existir tamanho para conseguirmos alcançar nossos objetivos.

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Ro’Yale conseguiu criar uma aula especial de pole dance apenas para mulheres gordas no estúdio onde aprendeu a dançar
Instagram/vjsroyale/Reprodução
Ro’Yale conseguiu criar uma aula especial de pole dance apenas para mulheres gordas no estúdio onde aprendeu a dançar

O interesse pelo pole dance teve início quando viveu uma separação temporária do marido. A americana passou a questionar sobre quem ela realmente era e se encontrou na dança sensual. Depois da experiência, ela sugeriu que o estúdio que frequentava criasse aulas de pole dance voltadas especificamente para mulheres gordas . Ro’Yale não só conseguiu que isso se tornasse realidade como também ganhou o cargo de instrutora dessas aulas.

“Me lembro de receber o email com a oferta de ser instrutora e só podia gritar”, afirmou a americana em entrevista ao “Barcroft Media”. “Eu fiquei muito ansiosa, na verdade até chocada. Eles perceberam que eu realmente queria levar algo novo para o estúdio.”

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Ro’Yale explicou que o segredo para o pole dance é força e ter controle do próprio corpo. No início, segundo a instrutora e CEO do estúdio de dança, Fiya Starta, a americana tentava esconder seu corpo quando a blusa ou o shorts subiam, mas foi aos poucos aprendendo que não precisa ter vergonha do corpo que tem. “Nós acompanhamos uma transição, e foi lindo de se ver.”

“Antes eu achava que pole dance era basicamente algo que strippers faziam. Mas descobri que as mulheres que estavam fazendo as aulas eram quaisquer mulheres do dia a dia”, contou Ro’Yale. “Hoje, me sinto mais forte e hábil fisicamente. Perdi muito peso também, e me sinto melhor comigo mesma. Pole dance me faz sentir poderosa.”

Bailarina da Anitta

Junto com a bailarina Tatiana Lima, Thais Carla foi anunciada como a nova integrante do balé da cantora Anitta
Divulgação/TV Globo
Junto com a bailarina Tatiana Lima, Thais Carla foi anunciada como a nova integrante do balé da cantora Anitta

No Brasil, Thais Carla chama atenção ao dançar do lado da cantora Anitta . E não é só isso, já que ela também não se intimida pelas curvas que tem e posta várias fotos de biquini e algumas até nua em seu perfil no Instagram.

Antes de ser convidada para integrar o grupo de balé que acompanha Anitta, a brasileira já havia chamado atenção do público com sua apresentação no quadro “Se Vira nos 30”, do programa “Domingão do Faustão”. Depois, também integrou por quatro anos o balé do programa "Legendários", da Record.

Mas a dançarina estourou mesmo ao lado da cantora que está conquistando fãs em todo o mundo. Em entrevista ao Delas, Thais afirmou que Anitta ousou ao escolher não apenas ela para o balé, mas também Tatiana Lima, outra bailarina plus size.

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O curioso é que ela cresceu ouvindo que mulheres gordas não podem ser bailarina, mas ela não deixou se abalar. “Eu escutava que nunca seria bailarina , que não existia dançarina gorda. Mas, depois, eu pensei: quer saber? Eu vou ser bailarina e gorda.”

Atualmente, são 146 mil seguidores só no Instagram, inúmeras entrevistas na mídia brasileira e uma carreira inteira pela frente. E o melhor, mostrando para todas as meninas que elas podem, sim, ser o que querem, independentemente do corpo que têm.

Professora de ioga

Americana já tem mais de 326 mil seguidores no Instagram e inspira milhares de pessoas pelo mundo  com suas conquistas
Reprodução/Instagram/mynameisjessamyn
Americana já tem mais de 326 mil seguidores no Instagram e inspira milhares de pessoas pelo mundo com suas conquistas

Com 326 mil seguidores, a professora de ioga Jessamyn Stanley mostra que não é preciso ter um corpo magro para conseguir reproduzir as posturas da modalidade . Nem sempre ela aceitou o corpo que tem, foi uma longa batalha até se sentir confiante com suas curvas, mas ela chegou lá e, hoje, inspira milhares de pessoas ao redor do mundo.

Em uma entrevista ao site da revista People, Jessamyn diz que contar sua história para outras pessoas fez formar uma família de mulheres negras e curvilíneas, para que dali todas tirassem força para encarar ps problemas de não se encaixar em um padrão estético já estabelecido há anos. “Mesmo quando estava sucumbindo à ideia da imagem da beleza dos anos 90, podia me manter bem porque via que minha mãe e avó eram iguais a mim e que tugem ser assim.”

You know, I think there are quite a few white people who think I hate them. Actually, maybe it's just white cisdicks. Maybe I'm being hyperbolic but I honestly doubt it. Idk, I just keep having interactions w/ white cisdicks wherein they say something like, "I know you hate white guys but..." Maybe they just think I'm angry. Maybe they think I'm angry at the world? But the real question is: Do I really need to explain myself? Furthermore, do I even have a problem with that general assumption? In those moments, I'm forced to actively restrain my embedded respectability politics. It's like I have to contain the desire to correct this assumption. Because am I not allowed to feel hate? Am I not allowed to feel resentment? I just read an excellent @huffpost article by @dominiquematti called "Why I'm Absolutely an Angry Black Woman" and it felt like she was speaking the words of my soul- if you're interested, you can find the full article on my Facebook page. Anyway, it made me think- why do I need for people to think I'm not angry? Because, truth be told, I AM angry. Yes, yoga and meditation allow for space to understand the anger but that doesn't make it magically dissipate. Does that mean I hate all white people (or white cisdicks)? Obviously not. Trust me, I've had sex with a few too many of y'all for that to be the case. But the fact that I feel compelled to make others comfortable probably points to more important insights. It might not be important to the sheepish white cisdick who decides to get in his feelings about perceived "reverse racism" (whatever the fuck that is), but it's definitely important to me. Boston, y'all are fucking amazing- as usual, I'm humbled into silence and I PROMISE I'LL BE BACK. I can't believe there's only two tour stops left on this leg of the #everybodyyoga tour- I'll be in Toronto tomorrow with @bodyconfidencecanada at @fabarnakresto at 6:30pm and I'll be in Richmond, VA at @rva_library on Saturday at 2pm- details at jessamynstanley.com/tour! Photo by O Captain, My Captain Substantia Jones of the Adipositivity Project. If you want to see the uncensored version of this photo/check out Adipositivity, click the link above!

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Além da ioga estabelecer uma conexão entre Jessamyn e seu corpo, também a ajudou a passar por um período difícil de depressão. “Quando eu comecei a praticar estava presa em uma imagem corporal ruim. Quando comecei a me fotografar, no mesmo momento pensei ‘nossa, ioga é incrível, meu corpo é incrível’.”

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Assim como muitas mulheres gordas, não foi de um dia para o outro que Jessamyn encontrou confiança. Mesmo após se achar incrível fazendo as posturas da ioga, logo depois já começava a reparar nas próprias características que considerava imperfeições. Felizmente, aos poucos foi encontrando sua confiança.