Divórcio, rotinas e hábitos são fatores da queda de libido em casais durante a pandemia
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Divórcio, rotinas e hábitos são fatores da queda de libido em casais durante a pandemia


Durante a pandemia, 24% dos brasileiros tiveram menos pensamentos sobre sexo, enquanto mais de um terço (36%) alegaram que se masturbaram com menor frequência. Os dados, produzidos em pesquisa pelo Instituto Omens em parceria com o Datafolha, revelam que milhões de brasileiros tiveram uma redução do apetite sexual nos últimos dois anos.

A libido, denominação para o desejo sexual, é relacionada à liberação de hormônios no corpo humano. Entre eles, estão a testosterona, o estrogênio, a ocitocina, o estradiol e a progesterona. 

Segundo o médico integrativo Dr. Enrique Lora, a falta de libido acarreta diversas complicações para a vida sexual de um indivíduo, como ejaculação precoce, dificuldade de ereção, falta de lubrificação e dificuldade para chegar ao orgasmo.

Falta de libido

dr enrique lora
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Enrique Lora é nutrólogo especializado em medicina integrativa

De acordo com dr. Enrique, as causas da falta de libido são multifatoriais. Na maioria das vezes, a queda de desejo está ligada a hábitos não saudáveis. Sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, falta de vitaminas e minerais, ansiedade, depressão, angústia e queda hormonal são algumas das fontes desse problema.

Além das causas físicas e hormonais, o médico pontua que fatores emocionais também podem afetar o desejo sexual: ''Muitas vezes estamos insatisfeitos com a relação, outras vezes com o parceiro ou com nós mesmos. Esse cenário vai acarretar questões internas relacionadas com a autoestima’’.

Com a rotina constante da pandemia, relacionamentos amorosos foram excepcionalmente afetados. O ano de 2021, por exemplo, chegou ao valor recorde de 40.573 divórcios no Brasil, maior número em treze anos. Com hábitos maçantes e sem a possibilidade de sair de casa, a vida sexual e afetiva de milhares de casais foi prejudicada.

‘’É preciso uma consulta muito minuciosa e assertiva para conseguir identificar os pontos falhos assim como realização de exames para identificarmos o que precisa de equilíbrio. Com esse acompanhamento, é possível mudarmos completamente o cenário’’, afirma.


Tratamento

Para Enrique, o tratamento hormonal é uma das melhores alternativas para quem deseja o retorno do desejo sexual. Seja por via transdérmica, injeções ou implantes hormonais, a reposição pode trazer certa normalidade à vida do paciente.

Tratamento hormonal deve ser indicado por especialistas
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Tratamento hormonal deve ser indicado por especialistas

Segundo o médico, não existe limite de idade para o tratamento. ‘’Quando falamos sobre falta de libido, já precisamos nos atentar com pacientes de 20 a 25 anos de idade. Afinal, se observa uma grande exposição repentina de fatores estressores nessa faixa etária’’

‘’Quando chegamos na fase dos 40 anos de idade, fisiologicamente entramos em um cenário chamado de declínio gonadal, que é uma mudança muito acentuada dentro do organismo, causada pelo envelhecimento das células’’, diz.

Tratamento

A falta de libido, além de afetar a vida sexual, também pode afetar a vida social e profissional do ser humano. Para a advogada Maria José (52), a indisposição e o cansaço eram problemas diários com os quais ela tinha que lidar. ‘’Eu não tinha energia para mais nada. Eu ficava deitada a maior parte do tempo, sabe? Eu não tinha energia nem para sair’’.

maria jose
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Maria José, advogada e paciente do dr. Enrique

Determinada a mudar sua situação, Maria decidiu buscar ajuda profissional. ‘’O ânimo e a disposição eram praticamente zero. Eu já tinha ido a uma ginecologista que fazia minha reposição [pela menopausa]. Porém, eu nunca conseguia chegar no equilíbrio, até receber a indicação do tratamento hormonal’’.

Depois de alguns exames e testes de dosagem com o dr. Enrique, Maria conseguiu encontrar o equilíbrio hormonal para seu corpo. Com a reposição de estradiol, testosterona e progesterona, a paciente atingiu o sucesso do tratamento. ‘’Eu lembro que após uma semana usando a medicação, eu já me sentia bem melhor. Hoje, eu não posso mais viver sem’’.

Maria declara que, além do aumento da libido, o tratamento também melhorou seu humor. Para a advogada, sua irritabilidade diminuiu bastante desde o início da reposição. ‘’Não dá para a gente ficar brigando por tudo e com todo mundo o tempo todo, né? Então, hoje, eu estou super equilibrada’’.

Qualidade de vida

Além do tratamento hormonal, existem diversas atividades que podem aumentar o apetite sexual.

Segundo Enrique, atividades físicas em geral são essenciais para o aumento da libido. Seja na musculação, nos exercícios aeróbicos ou no crossfit, atividades de alto impacto e resistência são fatores essenciais na produção de hormônios pelo corpo.

Além disso, atividades respiratórias, como yoga, meditação, pilates e alongamentos também podem melhorar no apetite sexual, como foi o caso de Maria: ‘’Eu não deixo de praticar yoga. Isso ajuda muito’’, declara.

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