Os fins dos relacionamentos amorosos costumam ser complicados. Geralmente há longas discussões de relacionamento, choro e uma das partes com o coração partido. Porém, passado o trauma da separação muitos ex-casais decidem tentar manter contato e criar um novo tipo de relacionamento: a amizade. Apesar de muitas gente ter dúvidas sobre isso ser viável, é possível. 

amizade com o ex
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Você conseguiria ter uma amizade com o seu ex?


Conforme explica a psicóloga clínica e colaborada da Plataforma Sexo Sem Dúvida, Desiree Correia, apesar do processo de separação ser doloroso e envolver um certo luto, alguns casais tentem se manter na vida um do outro. A psicóloga explica que não existe certo ou errado quando é tornar um relacionamento amoroso em apenas amigos. Ela ressalta que os dois precisam ter muita maturidade e as expectativas precisam estar alinhadas.

“Ambas as partes precisam estar sintonizadas, aí sim é possível ter uma amizade, uma relação amorosa envolve muito mais pontos do que as outras relações, como intimidade, sexo, conhecer o lado bom e ruim do outro. Os pontos positivos de existir uma amizade e ter essa intimidade para falar de certos assuntos”, exemplifica.

A prova que pode dar certo

A contadora Ana Clara*, 22 anos, em entrevista ao Delas, diz que conheceu o ex-namorado Matheus quando os dois ainda eram muito novos. No começo os dois só eram bons amigos, mas depois começaram um romance. Na época os dois tinham 15 anos.

“Era um romancezinho de criança, estava destinado a não durar. Discutíamos pouco, mas eu lembro de ter muito ciúmes dele, porque ele sempre teve muitas amigas - ele sempre foi galanteador, com uma baita lábia. Alguns meses depois de começarmos a ‘namorar’, ele disse que gostava muito de mim, mas que achava que não estávamos mais dando certo. Eu concordei e, com muita dor no coração, terminamos”, explica.


Apesar da dor do coração partido, Ana não queria afastá-lo da vida dela e decidiu continuar a amizade.

“Ele me contava das novas namoradas e eu contava dos meus novos romances. Conversamos sobre faculdade, futuro, sonhos e metas. A relação esfriou um pouco e passamos a nos falar só em datas especiais. Eu e o Matheus somos de ciclos até hoje, sete anos depois de termos namorado. Nunca deixamos de nos falar, nunca esquecemos um do outro. Ele estava lá na minha apresentação do TCC, torcendo por mim e ainda me conta sobre seus sonhos e metas. Mantemos os textinhos de feliz aniversário anuais, comentários nos stories e os ‘Feliz Natal’ e ‘Feliz Ano Novo’”, acrescenta.

A prova que pode dar errado

A estudante de letras, Karina*, 19 anos, conheceu seu ex-namorado Eduardo por um aplicativo há dois anos. Os dois se tornaram inseparáveis desde então. “Confesso que foi meio bizarro o primeiro encontro porque eu tinha medo de sair com alguém que conheci na Internet. Mas. eu e o Edu acabamos que viramos não só namorados, mas melhores amigos também”, explica.

Ela conta que as coisas no relacionamento começaram desandar no começo de 2020, após alguns problemas pessoais dele. “Parecia que eu tinha que lutar sozinha para manter a relação. Chegou ao ponto que ficou tão exaustivo, principalmente pelo fato de não estarmos mais se vendo por conta da pandemia, que eu pedi para terminar. Mas, eu não queria perder além do namorado, meu melhor amigo. Então decidimos continuar a amizade”, comenta Karina.


Desiree explica que um erro muito comum é confundir querer manter a amizade com o antigo parceiro com o apego ou carência. “Querer manter o contato pode ser um sinônimo de insegurança e egoísmo. Outro problema é não conseguir assumir as responsabilidades de suas decisões e acabar se magoando mais ainda”, esclarece a especialista.

Foi exatamente isso que aconteceu com Karina. No começo a amizade entre os dois estava indo muito bem. Contudo, Eduardo começou a falar de tudo com ela, inclusive sobre outras mulheres com quem ele estava ficando.

“Eu não sabia se eu queria voltar ou não, foi tudo tão confuso. Mas, quando ele falou que estava falando com outras meninas, foi um belo de um soco no estomâgo, porque parecia que o problema era comigo. Desde então, a gente não conversa mais. Eu sinto saudades da companhia dele? Tenho, mas, não dava mais pra me machucar só para mantê-lo perto”, observa.

A psicóloga explica que no caso de Karina, que ainda podia ter algum tipo de sentimento amoroso, ela se colocar em situações que fogem do controle, saber que o ex está se envolvendo com outra pessoa fez com que a estudante sofresse ainda mais e a impede de seguir em frente.

“Ter saudade é normal, não temos controle. Todavia, temos que agir de acordo do que achamos necessário para nossas vidas", aconselha. Para a psicóloga, manter o contato com o ex, em algumas situações, pode dificultar o que você acha o que torna sua vida significativa. Por isso é importante ir com calma para não se machucar e não querer virar confidente do ex. "Você não precisa saber tudo da vida da pessoa pra ser amiga dela”, diz.

*os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

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