A jornalista de 28 anos, Camila Rolim, tem paralisia cerebral causada pela falta de oxigenação no cérebro no momento em que nasceu. Isso afetou principalmente seus membros inferiores, causando certa dificuldade de locomoção, mas suas limitações param por aí. “Eu não ando como a maioria das pessoas”, define sem rodeios.

deficiência
Reprodução/Instagram
Camila Rolim não deixa a sua deficiência motora te impedir de nada, principalmente de amar


Camila observa que são poucos os problemas com os quais ela tem que lidar por conta da sua deficiência, exceto uma dor no joelho ocasional e o que ela considera a parte mais chata: a propensão a cair nas ruas de São Paulo, onde vive.

Agora, emocionalmente, a jornalista diz que existem nuances. “Eu tenho minhas questões que têm que ser trabalhadas, mas não é uma coisa que me pega tanto. Eu não deixo de fazer nada por conta da minha deficiência, eu não vou deixar de ir em uma balada por medo de me julgarem”, acrescenta.

Camila diz que não se incomoda mais tanto com os olhares das pessoas na rua. Ela inclusive tenta explicar para as pessoas sobre sua deficiência: “Eu não tenho o receio de falar sobre minha paralisia porque isso me ajuda a me aceitar mais ainda e ajudar os outros.”

Capacitismo

Mas não foi sempre assim. Por conta da paralisia, muitas vezes, Camila se sentiu subestimada. Ela conta que hoje entende que o que rolava era algo chamado capacitismo, que é a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência.


"Já me subestimaram por conta da paralisia, desde situações pequenas no colégio, até em questões adultas, que você vai entendendo que rola um capacitismo", conclui Camila. 

 “A coisa que eu mais odeio ouvir é: ‘A desculpa, eu não vi que você tinha alguma coisa, você é tão bonita que nem parece'. Eu odeio com todas as minhas forças ouvir isso”, revela.

Relacionamentos

Apesar de muito bem resolvida, Camila conta ao Delas que ainda sente algumas inseguranças em relação aos padrões estéticos.

“Estamos acostumadas a ver corpos de determinadas formas e pensamos que é esse modelo que devemos seguir. Isso para a pessoa com deficiência é uma questão a mais, eu poderia ter o corpo padrão, mas eu ainda seria diferente, eu não iria andar como as outras mulheres e não existia alguém como eu na grande mídia pra eu me inspirar”, desabafa.

Camila deixa claro que essa questão fez com que ela tivesse (e ainda tem) dificuldade de se relacionar romanticamente, muito por conta da insegurança que foi construída na época da escola e do bullying sofrido.

“Eu sofri um bullying, e tinha também o bullying disfarçado. Eu achava até que a pessoa poderia estar interessada, meio que na minha, mas no fim ela só estava fazendo isso para chamar a atenção e eu ser motivo de risada no grupo dos populares”, observa.

“Eu me vi muitas vezes caindo naquilo, sendo o palhaço no circo. Hoje eu vejo como essa pessoa era babaca. Antes eu não tinha essa força para dizer não, comigo não”, afirma Camila ao enfatizar que agora foca em amores reais.

“Agora que eu sou adulta, se a pessoa não me quer, eu não quero ela também. No fico sofrendo com isso não. Mas no colégio eu sofria muito com isso e a pessoa não ligava pra mim, mas eu ligava pra pessoa."

Para encontrar os futuros pretendentes, ela conta que usa os aplicativos de relacionamentos mais conhecidos, mas também usa aqueles voltados para as pessoas com deficiência.

“Eu não falo para as pessoas no aplicativo que eu sou deficiente. Eu aviso antes do encontro para a pessoa não ficar assustada e é isso, segue o jogo. Nenhum deles foi embora. Eles disfarçam o susto inicial, mas depois dá tudo certo”, conta Camila que confessa que nunca se apaixonou realmente e que nunca namorou sério. 

 “Antes de buscarmos um relacionamento, aprovação ou amor no outro temos que nos amar antes. Por isso a importância de se aceitar”, encerra.

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