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O Delas conversou com mulheres que estão nas duas pontas da relação: sugar mommy e sugar baby; veja detalhes e saiba o que elas têm a dizer

Após 20 anos casada, Ana Cláudia Cruz, de 52 anos, divorciou-se e resolveu investir em coisas novas. A arquiteta faz parte de um seleto grupo de mulheres inscritas em um site em busca de um relacionamento sugar. 

Ana Cláudia Cruz está em um relacionamento sugar há cinco meses e, em entrevista ao Delas, conta detalhes da relação
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Ana Cláudia Cruz está em um relacionamento sugar há cinco meses e, em entrevista ao Delas, conta detalhes da relação

Ana casou-se muito cedo e, entrevista ao Delas , diz que ela e o ex-marido acabaram virando meros companheiros depois de um tempo. O  divórcio aconteceu há sete anos. “Depois de me separar, tive algumas relações com homens mais velhos, mas cheguei à conclusão que era 'mais do mesmo"' uma versão diferente da mesma história”, declara. Foi, então, que surgiu a oportunidade de viver um relacionamento sugar .

O interesse por esse vínculo afetivo, que quebra todos os tipos de padrões, começou, segundo Ana, após ler sobre o assunto na internet. Nessa relação, uma pessoa mais velha e com expressiva condição financeira, chamada de sugar mommy ou sugar daddy, “patrocina”, com mimos e incentivos financeiros, outra pessoa mais nova, definida como sugar baby, que pode ser de ambos os sexos e que busca por uma relação mais madura, honesta e transparente.

Para vivê-lo, é importante ser mais do que um “rostinho bonito”. “O critério ultrapassa o quesito beleza. A pessoa precisa se comunicar bem e corretamente, ter um nível cultural, interesses semelhantes aos meus. Isso é fácil de filtrar desde a primeira mensagem. Tenho maturidade e experiência para me livrar de roubadas e sei bem o que quero”, enfatiza a agora sugar mommy.

Desde que se cadastrou na plataforma, Ana já conversou com três babies – e um deles decepcionou. “Consenti em me encontrar com um baby lindo - mais ainda pessoalmente. Mas, quando abriu a boca, foi um desastre. Perdeu o encantamento. Alguém devia ajudar o moço a se comunicar comigo. Erros de concordância terríveis que feriram os meus ouvidos. [risos] Foi o primeiro e último encontro”, lembra.

Presentes, dinheiro na conta e nada de segredos

No relacionamento sugar, os objetivos são bem claros e, com isso, os provedores costumam oferecer presentes e mimos
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No relacionamento sugar, os objetivos são bem claros e, com isso, os provedores costumam oferecer presentes e mimos

Há cinco meses, Ana conheceu o rapaz com quem está atualmente. Ele tem 30 anos e é artista plástico. Ela conta que o casal tem muito em comum e vive esse relacionamento com intensidade. “Recentemente, fomos  viajar para Paris, ver algumas exposições, e depois descansar uns dias no norte da Itália. Minha viagem já estava programada e foi ótimo ter a companhia dele”, destaca.

A arquiteta ressalta que descobriu ter interesse por homens mais novos, uma forte característica do relacionamento sugar. “Eles me transportam para um tempo em que eu tinha muitos sonhos e vivia muitas emoções. Ainda os tenho e eles me fazem reviver isso”, diz.

Presentar o par e investir financeiramente são algumas das ações feitas pelos provedores. No caso do artista plástico, Ana ressalta que ele não é de pedir as coisas. Quando surge o interesse em algo, seja um bem material ou um curso, faz uma surpresa. A sugar mommy não quer que lhe falte nada. Para isso, faz pequenos depósitos em sua conta bancária. O ex-marido fazia o mesmo durante o casamento e ninguém recriminava, conforme conta.

Ana fala que os amigos mais próximos já conheceram o baby. Entretanto, para eles, é só um cara mais novo com quem ela se relaciona. Não sabem o tipo de relação que ele têm. Apenas as amigas mais íntimas conhecem a história por completo. “Duas já se inscreveram na site também”.

Para ela, na relação sugar, as coisas acontecem mais rápido do que nos outros tipos. “Aqui sei que o baby que está comigo procura por alguém que funcione como um ‘provedor’, os objetivos estão bem claros. Eu demoraria muito tempo para descobrir os reais interesses de alguém que se aproximasse de mim em um bar, por exemplo. Interesses financeiros poderiam ficar obscuros e, certamente, seria uma decepção ao descobri-los”, expõe.

Já em seu atual compromisso, isso não acontece. “O ajudo de uma forma discreta. Ele não ficará ofendido se eu sugerir um curso e não ficarei se ele me pedir algo. Adoro a possibilidade de fazer o papel de ‘mentora’ na vida de alguém. Tenho certeza de que serei uma boa lembrança. Não quero outro casamento e temos acertado que estaremos juntos enquanto a relação for boa para ambos. E a vida vai seguindo”, afirma.

Como fica o sexo no relacionamento sugar?

Uma das grandes dúvidas sobre relacionamento sugar é a questão das relações sexuais. Afinal, como elas acontecem?
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Uma das grandes dúvidas sobre relacionamento sugar é a questão das relações sexuais. Afinal, como elas acontecem?

Como em qualquer relacionamento, se houver atração e for um desejo de ambos, a relação sexual pode acontecer. E no caso de Ana com o seu baby, o processo ocorreu de forma natural. “Não foi logo no primeiro encontro e ele teve uma postura muito respeitosa, do tipo ‘sondando o terreno’. Nem eu gostaria de alguém que já fosse direto ao ponto logo de cara”, declara.

Ela quis sentir primeiro se, além de química, existiria algo mais entre eles. “Acho que as mulheres, pela própria educação, são um pouco diferente dos homens neste sentido, pelo menos as da minha geração. Não é só sexo. Precisa haver algum tipo de sentimento. Apesar de ser dona as minhas ações, acho que ainda sou um pouco romântica”, defende.

A sugar baby Carolina Silva, de 23 anos, está se relacionando com um daddy, de 38, há oito meses. Para ela, as relações sexuais também aconteceram naturalmente. “Saímos algumas vezes, conversamos e nos conhecemos. E aconteceu como em qualquer relacionamento. Temos química e carinho um pelo outro”, diz.

A estudante de publicidade diz que sempre se interessou por homens mais velhos. “Eu estava procurando algo mais sério, alguém que me tratasse bem e que somasse na minha vida. Meu daddy sempre se preocupa com o meu dia a dia. Ele me ajuda no que for preciso e, apesar do nosso tempo ser corrido, buscamos estar juntos”, afirma.

Como encontrar alguém para viver um relacionamento sugar?

Jennifer Lobo é a responsável pelo site Meu Patrocínio, que conecta pessoas interessadas em um relacionamento sugar
Anthenor Neto
Jennifer Lobo é a responsável pelo site Meu Patrocínio, que conecta pessoas interessadas em um relacionamento sugar

Existem sites que ajudam a promover os encontros e um deles é o "Meu Patrocínio". A responsável pela plataforma é a empresária americana Jennifer Lobo. “Esse é o primeiro site de relacionamento sugar no Brasil. Cheguei ao País em 2013. Eu trabalhava com startups e comecei a pensar em diferentes ideias. Vi que os sites de relacionamentos estavam bombando aqui, mas ainda não tinha esse nicho que tem nos Estados Unidos, Europa, Canadá e Austrália”, explica.

Para participar, os interessados precisam fazer um cadastro completo e incluir, além das fotos, suas características e o que está buscando no momento. A escolha do perfil é o próximo passo. Em seguida, a equipe irá avaliar se está de acordo com os termos e valores e, então, a pessoa irá para uma fila de espera.

A plataforma possui 579 mil sugar babies femininas e 76 mil masculinos. Na outra ponta, há 81 mil sugar daddies e 14 mil mommies. A renda mensal delas é de R$ 75 mil. Jennifer detalha que a maioria das mulheres mais velhas são pessoas que já casaram, tiveram filhos, se divorciaram e agora desejam alguém mais agradável e divertido. “Elas querem um garoto jovem, que vai estar disposto, querer fazer as coisas e agregar à vida delas”, afirma.

A empresária ressalta que, ao procurar uma mommy ou um daddy, o interessado precisa ter química e afinidade com essa pessoa. “O ponto do site é ser uma plataforma de tecnologia onde duas pessoas que estão buscando a mesma coisa podem se encontrar. E lá você vê a que mais tem a ver com você para sair do mundo virtual e ir para o real”, friza.

Jennifer explica que o investimento em uma sugar baby , por exemplo, acontece depois que o casal decide ter uma relação. “Não é uma troca. vocês se conheceram, estão curtindo e decidiram ir para a frente. Acho que você já tinha que discutir desde o início o que você quer de um relacionamento e, se tudo bate, é quando ele investe”, conta.

A sugar baby e empresária Kamylla Rainert, de 29 anos, se cadastrou no site em 2006 após ver um anúncio no Instagram. “A princípio, não queria sair com ninguém até eu realmente me sentir segura para fazer isso. Tinha a minha empresa e sempre ganhei um ótimo salário que me permitia tirar férias, viajar, trocar de carro. O que me faltava era alguém que casualmente gostasse de conforto como eu e que estivesse interessado em proporcionar bons momentos a dois”, explica.

A mulher conversou com alguns daddies e, depois de fazer um filtro, resolveu sair para jantar com um deles. O encontro deu certo e, em novembro de 2018, completou um ano de noivado. Ele tem 35 anos. “Estamos construindo um relacionamento de sucesso com muito respeito, cumplicidade e objetivos. Nossos interesses são os mesmos com relação a dinheiro e futuro. Somos muito parecidos e tínhamos carreiras parecidas. O que fizemos foi unir o útil ao agradável”, diz.

Antes, ela havia passado por experiências relacionamentos fracassados. “Sei exatamente onde cada tipo de conversa vai chegar. Ele me pareceu o mais convicto daquilo que falava e o único que não mentiu sobre sua situação financeira. Além de ser muito cordial e amável desde as primeiras conversas, claro”, garante.

Julgamento? Mulheres não devem ser rotuladas

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"Um mulher madura não tem o direito de ser feliz?", diz a arquiteta Ana Cláudia, que vive um relacionamento sugar

Ana ressalta que as pessoas adoram rotular as mulheres que sabem o que querem, que buscam novas emoções e experiências. Isso também acontece no  relacionamento sugar . "Infelizmente, ainda existe muito preconceito, não importa o tipo de relação que escolham. Uma mulher com um homem vinte anos mais novo ainda tem o poder de chocar. Para os homens, é natural, ninguém diz nada, a sociedade aceita sem questionamentos. Uma mulher madura não tem o direito de ser feliz , de buscar novas emoções com quem bem entender?”, questiona.

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