Quando falam de sexo, as pessoas normalmente se referem ao ato como algo e prazeroso, mas nem todo mundo se sente tão bem assim na hora H. Segundo uma pesquisa feita com quase 7 mil britânicas e publicada no “British Journal of Obstetrics and Gynaecology” em 2017, uma a cada dez mulheres sofre de dor na penetração , algo que, sem dúvidas, tira toda a graça do momento.

É o caso da esposa de um leitor do Delas que, nesta semana, nos enviou o seguinte e-mail: “Eu e minha esposa nos casamos virgens e estamos com dificuldade na hora da penetração. O que devemos fazer para melhorar o sexo? Ela fica lubrificada, mas ainda sente dor”. Para solucionar o problema, porém, é preciso saber a causa da dor na penetração – algo que, segundo especialistas, pode ser tanto físico quanto psicológico.

Para determinar a causa desse problema, é preciso, antes de tudo, saber que não há apenas um tipo de dor. Segundo a ginecologista Livia Daia, da clínica Daia Venturieri, é possível que a mulher sinta desde ardência ou queimação no canal vaginal até dores mais profundas, que se manifestam na região abdominal em forma de pontadas ou cólicas, e que elas podem ser causadas por fatores diferentes.

Conforme explica Débora Padua, fisioterapeuta uroginecológica e especialista em transtornos que geram dor na penetração, a idade da mulher também pode ser um fator determinante, já que achegada da menopausa – que costuma ocorrer entre os 40 e 50 anos de idade – também facilita o surgimento de fatores que desencadeiam esse problema.

Isso porque, quando a mulher chega nessa fase da vida, há uma queda expressiva na produção dos hormônios sexuais femininos, algo que pode gerar alterações físicas - como mudanças no formato do corpo e o ressecamento vaginal - e comportamentais - como alterações de humor e queda na libido.

Causas físicas para dor na penetração

Segundo especialistas, as causas físicas para dor na penetração vão desde o ressecamento vaginal à endometriose
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Segundo especialistas, as causas físicas para dor na penetração vão desde o ressecamento vaginal à endometriose

De acordo com a ginecologista, o desconforto que a maior parte das mulheres que se queixam de dor na relação ocorre no próprio canal vaginal e é caracterizado por ardência ou queimação durante o ato sexual. Conforme explica a especialista, essa sensação costuma ser decorrente do ressecamento vaginal .

A vagina já é, por natureza, uma região úmida, e, quando a mulher fica excitada, glândulas presentes na região fazem com que ela fique ainda mais lubrificada. Entretanto, quando o casal não se dedica o suficiente às preliminares – estimulando o clitóris e outras áreas erógenas do corpo – antes da penetração, a lubrificação natural da mulher pode não ser suficiente para tornar o ato confortável.

Outros fatores, como a limpeza inadequada e excessiva da região íntima, o tabagismo, alguns medicamentos e até a própria menopausa podem gerar o ressecamento vaginal, e, segundo a ginecologista, além de caprichar mais nas preliminares, uma dica é apostar em um bom lubrificante à base de água para complementar a lubrificação natural da mulher.

Quando a dor é no fim do canal vaginal ou em uma região ainda mais profunda, porém, o problema pode não ter relação alguma com a lubrificação. Conforme explica a ginecologista, pontadas ou cólicas durante a relação sexual podem estar ligadas a alguns tipos de doença.

Nesses casos, a dor na penetração pode ser decorrente de certas ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) e até de endometriose, condição que faz o tecido que reveste o interior do útero crescer em outros locais, como nas trompas, nos ovários e até no intestino ou na bexiga.

Fora as doenças que se manifestam no aparelho reprodutor feminino, Livia afirma que processos inflamatórios que não têm necessariamente relação com essa parte do corpo também podem interferir no bem-estar sexual da mulher. Segundo a ginecologista, problemas intestinais ou na bexiga podem gerar dor durante e após a relação.

Outro um fator físico que pode desencadear dor na relação, mas mais raramente, é o DIU (dispositivo intrauterino). Esse método contraceptivo de cobre ou de plástico fica dentro do útero, e, se ele estiver causando uma infecção ou extremamente mal posicionado, pode tornar a relação sexual dolorosa.

Posições sexuais também são capazes de gerar problemas desse tipo. Dependendo da forma com que o casal se posiciona durante o sexo, a penetração acaba sendo mais profunda, e, para algumas mulheres, isso pode não ser agradável. É justamente por isso que, apesar de os homens normalmente adorarem a posição "de quatro" , muitas mulheres se queixam de dor quando optam por ela.

De acordo com a especialista Cátia Damasceno, especialista em sexualidade e criadora do projeto “Mulheres Bem Resolvidas”, isso ocorre especialmente quando é o homem que está controlando o ritmo da relação sexual, porque, se estão muito excitados, podem “se empolgar” na hora H. Aqui, a saída é pedir que o parceiro mude os movimentos ou escolher uma posição em que a mulher possa controlar a profundidade da penetração.

Causas psicológicas para dor na penetração

Além das causas físicas, a dor na penetração também pode estar relacionada à ansiedade e a traumas
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Além das causas físicas, a dor na penetração também pode estar relacionada à ansiedade e a traumas


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Apesar de boa parte dos estímulos sexuais serem físicos e de as sensações prazerosas que ele costuma proporcionar se manifestarem no corpo, as condições emocionais e psicológicas das pessoas são capazes de influenciar no nível de prazer e conforto da relação.

O vaginismo, por exemplo, é uma disfunção sexual feminina que faz os músculos pélvicos se contraírem involuntariamente, impedindo a penetração e tornando as tentativas bastante dolorosas. Ainda que ele se manifeste dessa maneira, porém, Débora explica que a maior parte dos casos desse distúrbio tem fundo psicológico.

Conforme explica a especialista, essa questão tem a ver tanto com medo quanto com memórias dolorosas. Segundo ela, se a mulher contrai algum tipo de infecção e sente dor na penetração enquanto está com a doença, é possível que, mesmo após tratá-la, o receio de voltar a ter uma experiência dolorosa faça os músculos se contraírem automaticamente.

De acordo com Débora, outro fator que pode abalar o emocional da mulher e fazer com que ela desenvolva o vaginismo é algum tipo de trauma, como a lembrança de um abuso sexual ou de um exame ginecológico mal executado (e, por sua vez, doloroso). O medo de fazer sexo pela primeira vez, segundo a especialista, também entra na lista dos fatores que podem desencadear o vaginismo.

Mesmo que a mulher não chegue a desenvolver o vaginismo, temores relacionados ao sexo, níveis altos de estresse e ansiedade e falta de conhecimento sobre o próprio corpo também são fatores que podem desencadear dores durante a relação sexual. 

Isso porque, se a mulher não está relaxada no momento do sexo e não sabe quais toques a deixam mais excitada, há mais chances de ela não ficar devidamente lubrificada e de o canal vaginal se contrair durante a penetração.

É possível se livrar da dor na penetração?

Como a dor na penetração pode ser causada por diversos fatores, o ideal é buscar orientação médica para tratá-la
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Como a dor na penetração pode ser causada por diversos fatores, o ideal é buscar orientação médica para tratá-la

Além de adotar um lubrificante à base de água para combater o ressecamento vaginal e evitar posições sexuais que sejam desconfortáveis para a mulher, há, sim, outras formas de lidar com a dor na relação. Seja qual for o tipo da dor, porém, o primeiro passo é consultar um médico confiável (e até de várias especialidades diferentes para cercar a questão de todos os lados) que possa avaliar a situação e encaminhar a mulher para o melhor tratamento.

Em casos de ISTs, endometriose e outras infecções ou inflamações na região pélvica, os tratamentos costumam ser feitos com medicamentos. Já no caso de um DIU mal posicionado, é necessário reacomodá-lo (e investigar a situação para ter certeza de que o método contraceptivo é realmente apropriado para o organismo daquela mulher).

Para quem deseja tratar os sintomas da menopausa, que também podem ser responsáveis pela dor na relação, é possível fazer tratamentos de reposição hormonal devidamente acompanhados por um endocrinologista.

Por outro lado, quando o problema é o vaginismo ou questões ligadas ao emocional, os tratamentos podem ser variados. De acordo com Débora, algo que costuma funcionar bem é a fisioterapia íntima, que trabalha com massagens, eletroestimulação e dilatadores vaginais para “ensinar” o músculo a relaxar e ajudar o canal a se acostumar com a penetração.

Além disso, porém, também é preciso cuidar dos medos, traumas e outros transtornos psicológicos que podem estar desencadeando o problema. Nesse caso, a especialista indica buscar o auxílio da terapia para chegar à raiz do problema de dor na penetração.

Como ter mais conhecimento sobre o próprio corpo e os próprios desejos também pode ajudar a aliviar a tensão que muitas mulheres enfrentam no momento da relação, a masturbação – momento em que a mulher pode se descobrir – também pode ser útil no processo de combater a dor na penetração.

Penetração não precisa ser o foco

Apesar de a dor na penetração ser algo tratável, é, sim, possível ter prazer na cama sem sexo penetrativo
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Apesar de a dor na penetração ser algo tratável, é, sim, possível ter prazer na cama sem sexo penetrativo


Na maioria dos casos, o problema de dor na penetração pode, sim, ser resolvido, mas, tanto antes quanto após os fatores que causam o desconforto serem tratados, muitos especialistas reforçam a importância de não focar na penetração durante o sexo. Conforme explica a terapeuta sexual Thais Plaza, o sexo vai muito além de um “encontro de genitais”, e  explorar todas as possibilidades que estiverem dentro dos limites de cada um é algo essencial para ter mais prazer a dois.

Tem mais dúvidas sobre como  dor na penetração , posições sexuais e outras questões como essas? Entre em contato conosco pelo  [email protected] e nós traremos um especialista para respondê-la com sigilo total!

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