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De acordo com especialistas, a dificuldade em chegar ao orgasmo e a ausência de libido podem ser problemas causados tanto por medicamentos e doenças quanto por fatores psicológicos, emocionais e até socioculturais

Apesar de as pessoas normalmente descreverem o sexo como algo primordialmente prazeroso, muitas delas – especialmente mulheres – não experimentam as sensações de bem-estar proporcionadas por um orgasmo . É o caso de uma leitora do Delas que nos escreveu o seguinte: “Me casei com 21 anos, foi meu primeiro e único namorado. Hoje, tenho 50 anos e desde os 48 não faço mais sexo. Nunca senti prazer sexual e nunca tive coragem de falar para ele. Hoje, não tenho sequer vontade de chegar perto dele. O que acontece?”.

Segundo especialistas, a ausência de prazer sexual e da libido podem ser causados por fatores físicos ou emocionais
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Segundo especialistas, a ausência de prazer sexual e da libido podem ser causados por fatores físicos ou emocionais

É comum que as pessoas atribuam quedas na libido e ausência de prazer sexual na relação a aspectos físicos, mas, de acordo com especialistas, os fatores que ocasionam esse tipo de quadro também podem estar ligados a um desequilíbrio emocional ou a transtornos psicológicos. Sendo assim, é necessário não apenas conhecer as possíveis causas para essas questões, mas consultar especialistas que possam ajudar a solucionar o problema.

De onde vêm a falta de prazer sexual e a queda na libido?

A anorgasmia e o transtorno de excitação sexual são disfunções reais, sendo a primeira a inabilidade de gozar e a segunda a diminuição ou ausência de desejo sexual por ao menos seis meses. Porém, segundo especialistas, problemas como o relatado pela leitora, nem sempre fazem parte desses quadros.

De acordo com Débora Padua, educadora sexual e especialista em fisioterapia íntima, muitas mulheres pensam ter anorgasmia, mas conseguem se satisfazer sozinhas e só sentem essa dificuldade de gozar com o parceiro. Em entrevista prévia ao Delas , a especialista contou que esse problema é caracterizado pela incapacidade de ter prazer sexual tanto sozinha quanto acompanhada, e que ele pode ser causado por certas medicações e doenças.

O transtorno de excitação sexual, que faz a libido diminuir, também é caracterizado por fatores bem específicos. Também em entrevista prévia ao canal , o endocrinologista Danilo Höfling explicou que, além do período pelo qual os sintomas se manifestam, outra questão determinante para o diagnóstico é o nível de incômodo que a pessoa sente com a diminuição ou ausência da libido.

“Às vezes, a mulher ou o homem pode estar com uma disfunção na libido, mas não ligar muito para isso. Podem estar ocupados, correndo muito na vida, não se incomodando com a questão”, explicou o especialista, ressaltando que essa disfunção pode ter relação com certos medicamentos, pílulas anticoncepcionais e até com a menopausa.

Conforme explicado por Débora, mulheres que se encaixam no quadro da anorgasmia devem, a princípio, buscar orientação com um ginecologista para descobrir o que exatamente está causando o problema. Enquanto isso, Danilo aconselha consultar um médico de confiança – seja ele ginecologista ou endocrinologista – e enfatiza que, mesmo com vergonha, é importante que as mulheres contem todos os detalhes ao especialista em questão. 

Fatores físicos podem não ser os responsáveis

Ainda que a falta de prazer sexual e da vontade de fazer sexo possam, sim, ser problemas causados por questões relacionadas a medicamentos e ao metabolismo, ambos também podem ter um fundo psicológico. De acordo com Débora, o que se passa com boa parte das mulheres que têm anorgasmia ou dificuldade em sentir prazer com uma pessoa em específica é falta de orientação, de conhecimento sobre o próprio corpo e intimidade com o parceiro em questão.

A psicóloga Livia Marques vai ainda além e afirma que os dois problemas podem ser gerados por fatores socioculturais e psicológicos. Conforme explica a especialista, além de envolver o corpo, o sexo também envolve o estado emocional das pessoas, e, se elas está muito ansiosa ou nervosa, a vontade de transar e o prazer podem simplesmente desaparecer.

Ela comenta ainda que aspectos machistas ainda intrínsecos na sociedade costumam tornar as mulheres mais “travadas” que os homens quando se fala em sexualidade e descoberta do prazer. Segundo a psicóloga, a ideia de que a mulher deveria satisfazer o marido e deixar as próprias necessidades para depois – muito comum há algumas décadas – ainda faz com que muitas tenham dificuldade em entender que elas têm, sim, direito ao prazer e a falar sobre sexo.

Para a psicóloga, há ainda outro fator que pode influenciar na inabilidade em sentir prazer sexual e na falta de vontade de fazer sexo: a autoestima. “Se essa pessoa se gosta e está satisfeita consigo, estará sempre confiando em si, sem buscar a aprovação nem tentando se enquadrar em um padrão socialmente aceitável”, comenta a especialista.

Em casos como o da leitora, Livia aconselha, em primeiro lugar, ter uma boa conversa com o parceiro. A vida sexual não é o único aspecto de um relacionamento, mas é importante e, quando ela vai mal, é necessário discutir a questão. “É importante entender como ele é, como ele assimila esse assunto. Busque um momento em que vocês estejam a sós e toque no assunto”, encoraja a psicóloga, reforçando que negar prazer sexual a si mesma não faz bem.

Ela também aconselha ficar de olho na autoestima. “Primeiro, ela precisa se descobrir, se valorizar, se amar. Às vezes, deixamos de nos enxergar e apenas vemos as necessidades dos outros. Caso perceba dificuldades para conseguir essa autodescoberta, busque auxílio psicológico”, aconselha Livia.

Débora também acredita que explorar o próprio corpo, entender como ele funciona e descobrir quais toques trazem sensações boas também pode ajudar. “A mulher deve buscar o orgasmo, devem ensinar ao parceiro as coisas que fazem sozinhas para que ele também fazem. Ela precisa estar disposta a explorar a vagina, mas, muitas vezes não foi ensinada que pode fazer isso”, explicou ela.

Apesar do conselho de buscar a terapia para descobrir se há algum fundo psicológico e emocional gerando o problema, Livia – assim como Débora e Höfling – afirma que também é importante consultar outros médicos. “A falta de desejo é um problema que pode ser psicológico, físico ou ambos. É preciso de uma avaliação de uma equipe multidisciplinar, e é importante fazer o acompanhamento com ambos os profissionais, pois um impacta o outro”, explica ela.

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