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Hannah Witton começou a usar a bolsa há algumas semanas e, conhecida por falar sobre sexo e relacionamentos abertamente, a youtuber se abriu sobre a relação entre o "acessório", a autoconfiança e a vida sexual

Se o sexo já é algo que naturalmente deixa muita gente insegura, imagine o que ele representa para pessoas que, de uma hora para outra, tiveram de passar por uma cirurgia traumática e terão de conviver com uma bolsa de colostomia ligada ao corpo para o resto da vida. É o caso de pessoas com doenças intestinais crônicas, que precisam exteriorizar – e até remover – parte do intestino e usar o “acessório” para conseguir realizar o processo de excreção das fezes.

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Portadora de uma doença intestinal crônica, Hannah Witton teve de passar a usar uma bolsa de colostomia
Reprodução/Instagram Hannah Witton
Portadora de uma doença intestinal crônica, Hannah Witton teve de passar a usar uma bolsa de colostomia

Recentemente, a autora e youtuber Hannah Witton teve uma crise de colite ulcerativa (doença intestinal inflamatória e crônica) e precisou realizar uma cirurgia para retirar parte do intestino grosso. Conhecida na internet por falar primordialmente – e abertamente – sobre sexo e relacionamentos, Hannah ainda está tentando se acostumar com a bolsa de colostomia , e, ao veículo “Metro”, conta que não é fácil, ainda mais quando o assunto é intimidade e autoestima. “É interessante e salvou minha vida. Sempre fui uma pessoa relativamente confiante, mas essa mudança tem sido complicada”, afirma.

De acordo com a youtuber, a questão não é apenas física, e sim psicológica. “Eu me vejo exigindo muita reafirmação por parte do meu parceiro, perguntando se ele ainda gosta de mim e me acha atraente, e eu nem sempre acredito nele, mas essas coisas levam tempo”, comenta. Pensando não apenas em quem, como ela, precisa conviver com a doença e com uma “parte extra” no corpo, mas também em quem pode estar convivendo com uma pessoa que passa por isso, Hannah deu algumas dicas sobre como conciliar a vida sexual e a bolsa.

1. Naturalizar a nova rotina (mesmo na hora do sexo)

Para pessoas que não precisam lidar com uma bolsa de colostomia ou qualquer outra questão que prejudica a autoestima ou reduz a mobilidade, o sexo é algo bastante natural. As pessoas se envolvem, dão uns amassos, as roupas vão parar no chão e não há nada mais com o que se preocupar. No caso de pessoas como Hannah, porém, a coisa não funciona mais dessa forma.

“Isso pode ser uma notícia ruim para algumas pessoas, mas se você usa uma bolsa, há algumas coisas que você precisa fazer antes do sexo. Primordialmente, esvaziá-la”, conta a youtuber. Segundo ela, porém, é possível incorporar isso como uma parte natural da rotina, assim como tantas outras. “Eu penso nisso como a mesma coisa que ir ao banheiro para me ‘renovar’ – escovar os dentes, fazer um xixi, etc.”, explica.

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2. Acessórios e “gambiarras” ajudam

De acordo com Hannah, uma das coisas que atrapalha um pouco o sexo é o fato de que, enquanto metade da bolsinha fica presa ao corpo, a metade de baixo é “solta” e fica se movendo, principalmente quando há algum conteúdo nela. Em um vídeo que fez três semanas após deixar o hospital, a youtuber já havia comentado sobre a possibilidade de dobrar o "saquinho" e usar uma tirinha de velcro mara mantê-la enroladinha durante o ato sexual, mas, no artigo, ela indica mais opções.

“Isso pode ser inconveniente e bastante dispersivo em algumas posições, mas há muitas soluções. Você pode comprar uma bolsa ou uma capa menor, há faixas e cintas especializadas para pessoas que usam bolsas de colostomia para que elas fiquem cobertas e seguras no lugar. Há até algumas bem sexy!”, afirma a moça.

Outra questão que vem à tona quando o assunto é o uso da bolsa de colostomia é o cheiro, afinal, o "acessório" armazena fezes. Hannah explica que, apesar de não sentir nenhum odor nos momentos em que não está esvaziando a bolsa, a ideia de receber sexo oral é um pouco preocupante. “A maior parte das bolsas vem com um filtro de carvão que ajuda a liberar o gás e o cheiro, mas isso pode ser uma preocupação ou uma barreira mental quando o assunto é sexo oral porque a bolsa fica bem perto do rosto do parceiro”, comenta.

Para se livrar das preocupações a respeito do cheiro, Hannah volta a mencionar acessórios como cintas e faixas – que tiram a bolsinha do caminho – e indica o uso de óleos aromatizantes que podem ser colocados em gotinhas dentro da bolsa, mascarando qualquer odor que possa escapar do filtro.

3. Reconhecer a mudança

De acordo com Hannah, não adianta nada ter um problema, mas evitar tocar no assunto a todo custo. Para pessoas que estão com dificuldades em falar sobre a questão da bolsa, principalmente na hora de discuti-la com um parceiro ou parceira, a youtuber aconselha dar um nome para ela. Para a youtuber, a escolha foi Mona, e ela afirma que essa é uma das melhores formas de “quebrar o gelo” na hora de discutir o assunto.

4. Cerque-se de exemplos positivos

Por mais que a situação possa, muitas vezes, parecer um inferno particular, é importante ter em mente que há bastante gente por aí passando por situações parecidas. Para Hannah, cercar-se de pessoas que também usam uma bolsa de colostomia e falam sobre o assunto – seja no círculo de amigos, na internet ou na literatura – é importante. “Ver pessoas que usam a bolsa e têm uma idade próxima à minha há anos de suas cirurgias e amando a vida tem me ajudado bastante”, comenta a moça.

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5. Mostre-se confiante

Com apenas cinco semanas usando a bolsa, Hannah sente que ainda tem muito a aprender. Mesmo sabendo disso, ela também se sente insegura a respeito das mudanças no corpo, da cicatriz e da bolsa de colostomia em si. Ainda assim, ela acredita que mostrar-se confiante (mesmo sem estar 100% segura de si) ajuda muito.

Para seu aniversário, por exemplo, Hannah usou uma blusa transparente e fez com que a bolsa de colostomia combinasse com o look tanto quanto o sutiã e o resto da roupa. Na legenda d afoto postada no Instagram, ela comenta que “a Mona saiu para brincar!”, referindo-se ao acessório. “Eu gosto de postar fotos no Instagram para tentar enganar meu cérebro e fazê-lo achar que eu continuo super confiante. Acho que está funcionando”, finaliza.

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