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Alguns hábitos ou estilos de vida pode, quando combinados com esse método contraceptivo, trazer riscos à saúde ou atrapalhar a eficácia dele

Segundo dados divulgados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, cerca de 100 milhões de mulheres são adeptas da pílula anticoncepcional no mundo. Ainda assim, porém, o uso desse medicamento – que, se administrado de maneira correta, tem uma taxa de eficácia de quase 100% – é cercado de mitos que são propagados como verdades.

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Apesar de muitas mulheres recorrerem à pílula anticoncepcional, algumas delas não sabem que certos hábitos, quando combinados com o medicamento, podem trazer riscos à saúde ou até impedir que ele faça efeito
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Apesar de muitas mulheres recorrerem à pílula anticoncepcional, algumas delas não sabem que certos hábitos, quando combinados com o medicamento, podem trazer riscos à saúde ou até impedir que ele faça efeito

Esses mitos, porém, não são a única causa da desinformação acerca do tema. Não é difícil encontrar médicos que receitam a pílula anticoncepcional como solução para tudo ignorando hábitos, histórico familiar e problemas de saúde da paciente. Por falta de incentivo a tocar no tema, muitas mulheres têm vergonha de questionar ou de pedir mais informações a respeito, tomando o medicamento sem saber que determinados hábitos podem atrapalhar a eficácia dele ou até gerar problemas de saúde. Confira x coisas que nunca devem ser combinadas com esse método contraceptivo:

1. Automedicação

Sua irmã toma, sua amiga toma, sua mãe tomava, então está tudo bem ir à farmácia, comprar a pílula que elas utilizam e se automedicar, certo? Errado. De acordo com a ginecologista Mariana Maldonado, antes de começar a fazer uso de qualquer método contraceptivo que não seja a camisinha, é necessário consultar um médico. Na consulta, o especialista deve questionar a mulher a respeito de incidência de doenças cardiovasculares na família e sobre hábitos da paciente, decidindo, com base nas informações, se ela está apta a fazer uso do remédio.

A automedicação não é um problema apenas quando se trata da pílula. Segundo Mariana, algumas medicações usadas para dores crônicas, anticonvulsivantes e certos antibióticos podem interferir na eficácia do anticoncepcional ou gerar efeitos colaterais pela combinação, então é importante consultar um médico antes de começar a usá-los para saber se é necessário trocar o método contraceptivo.

2. Falta de atenção

De acordo com Mariana, independente de a mulher fazer uso da pílula anticoncepcional ou de qualquer outro método contraceptivo hormonal como o anel vaginal, a injeção ou o adesivo, é estritamente necessário que ela mantenha controle sobre a ingestão ou aplicação.

Cada um desses métodos contraceptivos requer regularidade e atenção; a pílula, por exemplo, deve ser tomada todos os dias – de preferência no mesmo horário –, as injeções podem ser ministradas mensal ou trimestralmente, o anel vaginal e o adesivo devem ser trocados de tempos em tempos, etc. Se a mulher for mais distraída ou não conseguir manter essa periodicidade, é melhor buscar outra forma de se proteger, já que isso pode afetar a eficácia do método contraceptivo.

3. Cigarro

O risco que a combinação do cigarro com a pílula anticoncepcional traz é um dos (muitos) motivos pelos quais as mulheres devem ser bastante honestas quando vão ao ginecologista. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), anticoncepcionais à base de drospirenona, gestodeno ou desogestrel aumentam de quatro a seis vezes as chances de a mulher desenvolver trombose em comparação com as que não utilizam esse tipo de contraceptivo.

O cigarro, por sua vez, também aumenta o risco de a pessoa ter doenças cardiovasculares, e, segundo Mariana, mulheres que fumam não devem, de forma alguma, fazer uso da pílula ou qualquer outro método hormonal.

4. Álcool

Apesar de o álcool não interferir na eficácia da pílula anticoncepcional , Mariana explica que, assim como o cigarro, a interação entre esse hábito e o medicamento é algo arriscado. Segundo a médica, beber mais de três doses de álcool por dia ou “chutar o balde” todo final de semana também é algo que aumenta os riscos de doenças cardiovasculares, o que, em combinação com a pílula, pode ter resultados perigosos. O ideal é ser honesto com o médico a respeito do consumo de álcool para que ele

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5. Sedentarismo

Ser uma pessoa sedentária também é algo que, assim com o álcool e o cigarro, aumenta os riscos de doenças cardiovasculares. É necessário, portanto, deixar o médico ciente da ausência de hábitos relacionados a exercícios físicos antes de topar fazer uso do anticoncepcional.

6. Pílula do dia seguinte (quando não há necessidade)

A pílula do dia seguinte , segundo Mariana, é uma medicação à base de progesterona que ataca ou inibe a ovulação no mês em que a mulher tomar e pode vir em uma ou duas doses. O ideal é que a mulher tome esse tipo de medicamento até 24h após ter uma relação sexual sem proteção, mas e se ela estiver usando a pílula anticoncepcional?

Segundo a médica, antes de tomar qualquer medicamento, o mais indicado é conversar com o ginecologista para saber se ele vai, de alguma forma, interferir no funcionamento da pílula. No caso de pessoas que fazem uso desse método contraceptivo, a pílula do dia seguinte só é indicada para situações em que a pessoa se esqueceu de tomar o anticoncepcional por dois dias e transou sem camisinha. “Se ela não tiver esquecido a pílula ou se tiver esquecido apenas por um dia, não é indicado tomar a pílula do dia seguinte. Ela sempre deve consultar o médico para saber ao certo se deve ou não tomar”, explica a médica.

7. Vômito e diarreia

De acordo com Mariana, o anticoncepcional ministrado via oral é absorvido no intestino. Sendo assim, eliminar o medicamento do organismo antes que ele chegue a esse ponto de absorção é equivalente a não ter tomado o comprimido. “Se a mulher vomitar ou tiver uma diarreia aquosa em até uma hora depois de tomar o comprimido, precisa tomar outra pílula. Se já tiver passado uma hora, ela provavelmente já foi absorvida”, explica a ginecologista.

8. Doenças intestinais, cardiovasculares e colesterol alto

Segundo a ginecologista, um histórico de condições cardiovasculares na família (como trombose, derrames, doenças cardíacas em geral, etc), doenças intestinais (como a doenças de crohn, por exemplo) e fatores como o colesterol alto devem ser avaliados de perto pelo ginecologista, já que podem trazer riscos à saúde em combinação com a pílula ou até atrapalhar a absorção dela pelo organismo.

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9. Cirurgia bariátrica

Há alguns tipos de cirurgias bariátricas (de redução de estômago) que requerem a retirada de parte do intestino. Segundo Mariana, casos de pessoas que passaram por esse procedimento dependem de uma avaliação específica, já que, em alguns casos, não ter uma parte do intestino impede a absorção da pílula anticoncepcional.

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