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Depois de um divórcio, é normal que a mulher sinta que não tem identidade por não lembrar-se de como era a vida antes daquele relacionamento, mas isso não significa que a vida amorosa e sexual dela precisa chegar ao fim

Se iniciar a vida sexual pode ser um processo cheio de obstáculos (e tombos) pelo caminho, recomeçá-la pode ser um pesadelo. Esse tipo de experiência afeta tanto homens quanto mulheres, mas por sofrerem tanto tentando cumprir as expectativas da sociedade, a retomada da vida sexual após uma separação pode ser especialmente complicada para elas.

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Após uma separação, é normal que a mulher sinta que não tem identidade por não lembrar de como era a vida antes daquele relacionamento, mas isso não significa que a vida amorosa e sexual dela precisa necessariamente chegar ao fim
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Após uma separação, é normal que a mulher sinta que não tem identidade por não lembrar de como era a vida antes daquele relacionamento, mas isso não significa que a vida amorosa e sexual dela precisa necessariamente chegar ao fim

Desde pequenas, mulheres são muito menos incentivadas a descobrir a própria sexualidade e o próprio corpo do que os homens. Para muitos, não é socialmente aceitável que mulheres tenham vários parceiros sexuais; é esperado que elas encontrem uma pessoa especial, casem-se e iniciem a vida sexual com ela. Isso faz com que muitas temam  - e até evitem - a separação ou fiquem “perdidas” após um divórcio.

De acordo com a especialista em relacionamentos e sexualidade Cátia Damasceno, o momento em que a mulher se encontra após se divorciar do parceiro ou parceira e deixar de lado uma rotina construída durante um longo período de tempo pode ser bastante confuso. “O processo pós-divórcio é um momento, muitas vezes, de reconstrução da identidade da mulher. De ela saber novamente quem ela é, o que talvez tenha se modificado após anos de casamento”, explica a especialista.

É o caso da advogada Cláudia Cruz, que foi casada por 18 anos e só percebeu o quão erradas algumas coisas estavam após a separação. “Meu relacionamento por anos foi perfeito, desde que eu seguisse as determinações dele. Foram coisas que eu só percebi nos últimos anos, quando suas atitudes pioraram muito”, conta Cláudia, que já está divorciada há quase três anos.

A advogada conta que, ao começar a cogitar o divórcio, não havia parado para pensar sobre como seria o futuro da própria vida amorosa e sexual. Acostumada com determinações, Cláudia conta que, até hoje, ainda vê dificuldades na situação. “Ele passou a exigir que eu cumprisse o horário por ele determinado, diminuísse minha carga de trabalho e a relação ficou insustentável. Foi muito difícil e ainda é”, afirma ela.

Como voltar à ativa?

Por mais que manter a individualidade de cada um seja um fator importantíssimo em um relacionamento, é inevitável que as pessoas “se moldem” umas às outras. Um longo período de convivência amorosa faz com que os parceiros se acostumem com manias, hábitos, abordagens e jeitos um do outro, o que torna o momento de seguir em frente ainda mais complicado. Ainda assim, é, sim, possível retomar o desejo e a vida sexual após a separação; confira algumas dicas:

1. Nada de ficar sozinha

Cláudia conta que, com o divórcio , o marido não foi a única coisa que saiu da vida dela. “Perdi também todos os amigos conquistados ao longo dos 18 anos, uma vez que inocentemente e inconscientemente abri mão dos meus amigos pelos dele”, desabafa a advogada. Se a sua situação é parecida com a de Cláudia, sem pânico! Apesar de ser algo que parceiro algum pode exigir que as mulheres façam , não é difícil encontrar pessoas que se distanciam de amigos e até de familiares por questões como ciúmes e comportamentos possessivos.

Se você deixou os amigos para trás durante a jornada do relacionamento, talvez seja hora para entrar em contato com eles e contar tudo o que aconteceu. Chame-os para uma reunião casual e divertida para mostrar que está de volta para ficar!

Em casos de relacionamentos muito longos, porém, algumas amizades podem ficar distantes demais para que os laços voltem a ser estreitados. Felizmente, cada vez mais as mulheres estão se engajando em movimentos que ajudam umas as outras. De acordo com Cláudia, o apoio na hora de retomar a vida amorosa veio de um grupo exclusivo para mulheres  no Facebook.

“Tive muita sorte porque conheci o Afrodites. Falamos sobre tudo abertamente, com liberdade e sabendo que não seremos julgadas. Tenho aprendido muito e sou muito grata, pois é fantástico poder estar com outras mulheres, ver que somos normais, saber que podemos nos abrir e que não estamos sozinhas nessa jornada”, conta a advogada, ressaltando que a comunidade reúne mulheres de diversas idades e profissões.

Seja reativando amizades antigas, buscando apoio em grupos de discussão ou até na terapia, é importante procurar ajuda quando sentir que é necessário. Ouvir experiências diferentes da sua e ver como outras mulheres superaram o fim de um longo relacionamento pode ser uma forma de passar pelos obstáculos do momento.

2. Fique aberta a novas experiências

Eventualmente, a vontade de se envolver com pessoas novas pode reaparecer; para Cláudia, por exemplo, isso aconteceu cinco meses após o divórcio. Nesse momento, porém, é possível que você se depare com possibilidades sobre as quais nunca pensou ou com as quais nunca teve contato.

Uma delas pode ser o sexo casual . Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, mulheres têm o mesmo direito que os homens de se envolverem com várias pessoas, inclusive com o objetivo de curtir uma noite sem compromisso. Por isso, não se prive de curtir oportunidades caso esteja com vontade, apenas lembre-se de que, no sexo casual, a proteção é indispensável.

3. Sem pressa

Da mesma forma que ninguém pode te julgar se você começar a sair com muitas pessoas após a separação, não há nada de errado em simplesmente querer focar em partes da vida que não dizem respeito ao sexo e ao amor. “Muitas mulheres acham que têm a obrigação de partir já para o próximo relacionamento e isso não é verdade. Ela não tem a obrigação de fazer nada e o que deve priorizar é a sua vontade, seu tempo”, afirma Cátia.

4. Se descubra

Assim como aconteceu com Cláudia, Cátia afirma que muitas mulheres realmente se veem sem a própria identidade e sem saber que tipo de coisas gostavam de fazer na época em que eram solteiras. Segundo a especialista, esse é o momento perfeito para descobrir (ou redescobrir) vontades e desejos, inclusive sexualmente falando. “Ela pode então fazer uma viagem sozinha, se tocar, se reconhecer e buscar refletir sobre o que quer para a nova fase da vida”, aconselha ela. 

5. Nem todas as laranjas estão podres

De acordo com Cátia, é muito comum que as mulheres “procurem o ex” em outras pessoas, encontrem dificuldades para se acostumar com novos parceiros e até pensem que não há mais ninguém no mundo para elas. “Até hoje, quando encontro um homem gentil ou que me deixa escolher o restaurante, por exemplo, eu acho que é irreal!”, conta Cláudia.

No momento que segue a separação, tente não buscar apenas pessoas parecidas com o antigo parceiro ou parceira, nem pensar que todas as pessoas terão as mesmas atitudes ruins que você enfrentou durante um relacionamento passado. “Cada pessoa é uma e cada relacionamento é um”, finaliza Cátia.

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