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Foi pega no flagra? Você não está sozinha! Veja relatos de outras mulheres que já passaram por isso e saiba como contornar a situação

Quem nunca entrou em pânico ao ouvir um barulho durante a transa porque achou que alguém estava chegando ou precisou se cobrir rapidinho para evitar um flagra daqueles? Ser pega no flagra por membros da família é algo extremamente constrangedor e é frequente que as partes envolvidas prefiram fingir que nada aconteceu ou protagonizem discussões homéricas. Mas será que estas são as melhores saídas? 

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Ser pega no flagra é constrangedor, mas há formas de evitar que a situação vire um problema maior
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Ser pega no flagra é constrangedor, mas há formas de evitar que a situação vire um problema maior


Acostumados com a liberdade de dormir um na casa do outro sem gerar atrito com os pais, Clara Silva (nome fictício) e o namorado acharam que não haveria problemas em fazer sexo no quarto dela - cuja porta não tinha trinco - e com o pai da moça em casa, na sala. Durante o ato, ela foi pega no flagra pelo pai.

"Era época de Olimpíada e eu gosto muito de acompanhar os jogos, ele foi lá avisar que o vôlei ia começar. Eu virei assustada, tentando tapar tudo e falei: 'Pai!'. Ele entrou em choque e ficou estático. Depois da quarta vez que falei, ele se tocou e fechou a porta sem dizer nada", conta Clara que, hoje, ri da situação.

Vergonha, culpa e até arrependimento acabam passando pela cabeça em momentos como os relatados por Clara, e o psicólogo Yuri Busin explica que só há um caminho para que situações como esta sejam evitadas: a conversa. Apesar de sexo ainda ser tabu para muitas famílias, broncas ou descaso com o assunto podem fazer com que o jovem fique ressentido, cada vez mais fechado e busque informações de fontes não tão confiáveis.

"Seria interessante os pais orientarem muito bem os filhos sobre sexo, segurança e onde devem fazer. Quando os filhos começam a buscar esse tipo de informação, acham tudo na internet, então os pais acabam deixando para lá, mas a internet está cheia de informações incorretas. Conversar pode ajudá-los e fazer com que eles não reproduzam comportamentos inadequados", diz Busin. 

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A história de Clara confirma a ideia de que conversar é a melhor forma de prevenir que o constrangimento acabe se transformando em um trauma após situações como essa. "Quando saímos do quarto, meu pai começou a rir muito e pediu desculpas. Ele nunca mais abriu a porta porque aprendeu a lição", conta a moça, enfatizando que sempre conversaram abertamente sobre assuntos relacionados à vida sexual dela.

E o filho dos outros?

Nem todas as jovens saem da situação tão facilmente quanto Clara. A estudante Raquel Alvarenga conta que também foi pega no flagra, mas não pelos próprios pais. Ela e o então namorado estavam sozinhos na casa quando o padrasto dele chegou. "Saí correndo para dentro do banheiro pelada e ele se enrolou em uma toalha", relembra ela.

O que se seguiu ao momento constrangedor foi uma bronca que ela nunca conseguiu esquecer. "Ele fez um escândalo e ainda contou para a mãe do meu namorado, que estava no Chile", lembra.

Para Busin, dar broncas não é a melhor forma de lidar com o companheiro do filho. "O melhor é orientar, não brigar. É indicado conversar com os pais da pessoa e deixar que eles lidem com os próprios filhos", afirma o psicólogo. 

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O pior já aconteceu, o que fazer agora?

Raquel conta que, após a confusão, passou dois anos em uma relação difícil com a família do rapaz. "Minha convivência com eles virou meramente 'nos esbarramos'. Hoje em dia nós não estamos mais juntos, mas, se estivéssemos, provavelmente a relação com eles continuaria ruim", comenta ela.

Busin explica que é possível, sim, superar a situação de ter sido pega no flagra e salvar a relação entre as partes envolvidas. "É bem válido que o filho ou a filha demonstre maturidade para os pais e tente reconquistar a confiança deles, em vez de abandonar essa relação. Devem demonstrar força de vontade para reconquistar essa confiança, mostrar que aquilo não vai acontecer mais. É importante ter o sexo como algo normal, e não como um tabu", conclui.

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