
A perda de cabelo pode se tornar uma preocupação para mulheres que passam por um processo de emagrecimento acelerado.
O problema costuma aparecer alguns meses depois da redução de peso e pode estar relacionado às mudanças nutricionais provocadas pela menor ingestão de alimentos.
Um estudo ainda não publicado em revista científica analisou dados de cerca de 30 milhões de pacientes e comparou a ocorrência de queda de cabelo entre novos usuários de tirzepatida e semaglutida.
Ao longo de 12 meses, o quadro foi registrado em 4,20% das pessoas que utilizaram tirzepatida e em 2,88% entre aquelas que receberam semaglutida.
A diferença também apareceu entre pacientes que apresentaram perdas de peso semelhantes. O resultado, segundo os pesquisadores, levanta a possibilidade de que outros fatores além da redução de peso possam estar envolvidos.
Como a pesquisa ainda não passou por publicação científica, os dados não estabelecem uma relação de causa e efeito entre as substâncias e a queda dos fios.
Por que o cabelo pode cair durante o emagrecimento?
Uma das explicações para o fenômeno é o eflúvio telógeno, condição em que uma quantidade maior de fios entra simultaneamente na fase de queda. A alteração pode surgir após situações de estresse para o organismo, como mudanças alimentares importantes e perda rápida de peso.
Para o tricologista João Gabriel Fernandes, fundador da Anagrow, a redução brusca na oferta de nutrientes pode afetar diretamente o ciclo capilar.
"O cabelo é metabolicamente caro. Quando o corpo percebe déficit de energia, proteína, ferro, zinco ou vitaminas do complexo B, ele simplesmente tira o folículo da tomada. A queda que a paciente vê no terceiro mês é o reflexo da restrição que começou no primeiro", explica.
O especialista destaca que o problema não está necessariamente no emagrecimento, mas na maneira como o processo acontece. Como as medicações podem reduzir bastante o apetite, algumas pessoas passam a consumir menos proteínas e micronutrientes sem perceber.
A paciente está comendo um terço do que comia, e dentro desse um terço, a proteína e o ferro despencaram. O emagrecimento pode e deve acontecer, mas com acompanhamento nutricional e monitoramento de exames. Queda capilar durante o processo é um sinal de alerta do corpo, não um pedágio inevitável João Gabriel Fernandes
Queda costuma ser temporária
Apesar de assustar pela quantidade de fios perdidos, o eflúvio telógeno geralmente não significa que o folículo tenha sido destruído. Quando as causas são identificadas e corrigidas, o ciclo de crescimento tende a se recuperar gradualmente.
"O eflúvio telógeno assusta porque o volume de queda é grande, mas o folículo está vivo. O que ele precisa é voltar a receber matéria-prima. Cabelo é consequência: quando o corpo volta ao equilíbrio, o fio volta a crescer", conclui João Gabriel.
A avaliação médica é importante diante de uma queda intensa ou persistente, principalmente para investigar possíveis deficiências nutricionais e outras causas de alteração no ciclo dos fios.