Descubra os cuidados necessários com as fragrâncias durante o verão
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Descubra os cuidados necessários com as fragrâncias durante o verão

Quem começou a usar canetas emagrecedoras pode perceber mudanças que vão além da quantidade de comida ingerida.

Em alguns casos, até a relação com cheiros parece diferente: fragrâncias que antes agradavam passam a provocar incômodo, enquanto determinados aromas podem despertar enjoo.

O fenômeno é relatado principalmente diante de perfumes com notas doces, como baunilha, caramelo e chocolate. Apesar disso, especialistas ressaltam que não há comprovação de que os medicamentos alterem diretamente o olfato. A explicação pode estar na forma como diferentes sentidos e respostas do organismo estão conectados.

A comida pode perder o mesmo apelo

Medicamentos que atuam na via do GLP-1 interferem em mecanismos relacionados à fome e à saciedade. Com isso, algumas pessoas percebem uma redução no interesse por alimentos que anteriormente despertavam bastante desejo, especialmente opções mais doces.

A nutróloga Dra. Mariana Comério explica que essa mudança pode ajudar a entender os relatos envolvendo outros estímulos sensoriais.

As canetas emagrecedoras alteram principalmente a relação com o paladar, a saciedade e o sistema de recompensa. Um paciente que tinha uma procura muito grande por doces, por exemplo, pode perceber que essa necessidade diminuiu bastante. Como paladar, olfato e outras experiências sensoriais estão interligados, essa mudança pode acabar repercutindo também na maneira como determinados aromas são percebidos Dra. Mariana Comério


Perfumes adocicados podem despertar desconforto

A associação com alimentos é um dos fatores que podem ajudar a explicar por que algumas fragrâncias se tornam desagradáveis durante o tratamento. Se determinados sabores ou comidas passaram a provocar náusea, aromas semelhantes também podem causar uma reação negativa.

Segundo a endocrinologista Dra. Maria Letícia Murba, não é possível separar completamente cheiro e sabor quando se trata da experiência sensorial.

“Quando o paciente passa a apresentar náuseas ou aversão a determinados alimentos, alguns cheiros também podem se tornar desagradáveis. Um perfume muito doce pode remeter a alimentos e sensações que naquele momento estão relacionados ao enjoo. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas relatam que fragrâncias que usavam normalmente passaram a incomodar durante o tratamento”, afirma.

O cheiro pode ficar associado ao enjoo

Uma fragrância não precisa ter sofrido nenhuma alteração para provocar uma reação diferente. O que pode mudar é a interpretação daquele estímulo pelo cérebro.

Se um determinado aroma passa a ser percebido próximo a episódios de náusea ou mal-estar, pode surgir uma associação entre o cheiro e a sensação desagradável. Com isso, a pessoa tende a evitá-lo.

“Se um cheiro muito doce começa a ser associado à comida, à náusea ou ao mal-estar que o paciente experimentou durante o tratamento, o organismo pode desenvolver uma resposta de aversão. Na prática clínica, ouvimos relatos como ‘não tolero mais aquele perfume’ ou ‘o cheiro daquele alimento me deixa nauseada’. Pode existir uma associação entre o estímulo sensorial e a possibilidade de passar mal, fazendo com que a pessoa naturalmente passe a evitá-lo”, explica Mariana Comério.

Não significa que o olfato tenha sido alterado

Embora os relatos existam, é importante diferenciar uma mudança na percepção dos aromas de uma alteração direta do olfato provocada pelo medicamento.

O endocrinologista Dr. Renato Reis destaca que os efeitos conhecidos dos medicamentos estão relacionados principalmente à fome, à saciedade e ao comportamento alimentar.

“Os medicamentos que atuam na via do GLP-1 interferem de maneira importante nos mecanismos relacionados à fome, à saciedade e ao comportamento alimentar. Quando o paciente percebe que determinados cheiros ou sabores passaram a incomodar, precisamos considerar todo esse contexto. Ainda não podemos afirmar que toda mudança de olfato seja provocada diretamente pela medicação. É um fenômeno que precisa ser mais estudado”, esclarece.

Quando é preciso procurar avaliação médica?

Uma alteração passageira, acompanhada de náusea ou diminuição do apetite durante o tratamento, pode estar relacionada às mudanças vivenciadas pelo organismo. Porém, sintomas fortes ou que continuam por um período prolongado merecem atenção.

A endocrinologista Dra. Patricia Gracitelli,  orienta que outras causas também precisam ser consideradas.

Se a pessoa percebe uma mudança importante depois de iniciar o tratamento, deve comunicar ao médico. Quando o sintoma é intenso, persiste por muito tempo ou continua mesmo depois da interrupção da medicação, é necessário investigar outras possibilidades. Alterações de olfato e paladar podem acontecer por diferentes motivos e não devem ser automaticamente atribuídas à caneta emagrecedora Dra. Patricia Gracitelli


Mariana Comério reforça que a duração e a intensidade do sintoma são importantes para decidir se há necessidade de investigação.

“Se for uma aversão leve, que surgiu durante o tratamento e acompanha as náuseas ou a redução do apetite, pode ser uma alteração transitória. Agora, se o paciente apresenta uma mudança muito forte, persistente ou que continua fora do tratamento, precisamos investigar. Existem outras condições capazes de provocar alterações de olfato e paladar, então a medicação não deve ser considerada automaticamente a única explicação”, conclui.

Assim, aquele perfume que passou a incomodar pode não indicar, necessariamente, uma mudança no olfato. A alteração pode estar relacionada à nova maneira como o organismo responde à comida, à saciedade, às náuseas e aos estímulos associados a essas experiências.

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