
A busca pelo emagrecimento rápido tem levado cada vez mais mulheres a recorrerem a medicamentos como a caneta emagrecedora.
Embora os resultados na balança sejam um dos principais atrativos, muitas pacientes têm relatado outro efeito durante o tratamento: o aumento da queda de cabelo.
Segundo especialistas, a perda dos fios nem sempre está relacionada diretamente ao medicamento, mas ao impacto que a rápida redução de peso provoca no organismo.
De acordo com o médico especialista em transplante capilar, Dr. Felipe Blanco, o fenômeno já era observado em pessoas que emagreciam de forma acelerada, independentemente da estratégia utilizada.
No entanto, pesquisas mais recentes indicam que, em alguns casos, os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1/GIP também podem influenciar um quadro de calvície que já existia.
Inicialmente, acreditava-se que a queda estivesse relacionada apenas ao emagrecimento acelerado. Hoje, já existem estudos que sugerem que, em alguns pacientes predispostos, esses medicamentos também podem agravar uma alopecia androgenética já existente Dr. Felipe Blanco
O especialista afirma que a perda rápida de peso representa um estresse metabólico para o organismo. Nesse período, podem surgir deficiências de nutrientes importantes, como proteínas, ferro, zinco e vitaminas, comprometendo o ciclo de crescimento dos fios. Em geral, a queda começa a ser percebida entre dois e quatro meses após o emagrecimento.
"O cabelo deixa de ser prioridade para o organismo nesse momento e, por isso, o ciclo dos fios acaba sendo afetado", afirma.
Apesar de o quadro ser temporário na maior parte dos casos, o acompanhamento médico desde o início do tratamento pode reduzir os impactos.
Além do profissional responsável pelo emagrecimento, a avaliação com um especialista em tricologia ajuda a identificar alterações nutricionais e possíveis problemas no couro cabeludo antes que a perda se intensifique.
"Quando avaliamos precocemente possíveis deficiências nutricionais e a saúde do couro cabeludo, conseguimos intervir antes que a queda se torne mais intensa", destaca Dr. Felipe Blanco.
O médico orienta que a persistência da queda merece atenção. Quando a perda dos fios dura mais de seis meses, há diminuição significativa da densidade capilar ou histórico familiar de calvície, é importante investigar outras causas.
Se a queda persistir por mais de seis meses, houver uma redução importante da densidade dos fios ou histórico de calvície, é fundamental procurar um especialista para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado Dr. Felipe Blanco
Segundo o especialista, quando o emagrecimento funciona como gatilho para acelerar uma alopecia androgenética já existente, a recuperação nutricional, por si só, pode não ser suficiente para restaurar completamente os fios.
Nesses casos, o tratamento é definido de forma individualizada e pode incluir medicamentos, terapias específicas e, em situações selecionadas, o transplante capilar.
"O tratamento clínico é sempre a primeira opção. Já o transplante capilar é indicado quando precisamos recuperar a densidade dos fios e devolver um resultado natural ao paciente", conclui Dr. Felipe Blanco.