Saiba como a Cirurgia Plástica funciona
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Saiba como a Cirurgia Plástica funciona

A decisão de realizar uma cirurgia plástica costuma envolver expectativa, planejamento e uma série de escolhas. Para a mulher que pretende passar por um procedimento, porém, os cuidados começam muito antes da entrada no centro cirúrgico.

Conhecer o profissional, informar o histórico de saúde e entender cada etapa do tratamento são medidas que ajudam a tornar o processo mais seguro.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Fernando Amato, a prevenção de complicações não depende de uma única atitude, mas de uma sequência de cuidados que começa ainda nas consultas iniciais.

Esses são passos fundamentais, mas não os únicos. A segurança de uma cirurgia plástica envolve uma jornada que se constrói ao longo de múltiplas consultas e exige o envolvimento do paciente em cada etapa Dr. Fernando Amato


A escolha do médico é o primeiro passo

Antes de marcar qualquer procedimento, a paciente deve verificar a formação do profissional, conferir se ele possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) e buscar referências. A avaliação também deve incluir uma conversa detalhada sobre o que pode ser feito e quais resultados são possíveis.

Para o especialista, o planejamento não deve ser resolvido em um único encontro. Ele recomenda pelo menos três consultas antes da cirurgia.

A primeira serve para conhecer a paciente, entender suas queixas e expectativas, definir a proposta e solicitar os exames pré-operatórios. Na segunda, os resultados são avaliados e o planejamento pode ser revisado.

Já a terceira oportunidade deve ser usada para esclarecer dúvidas e confirmar se a paciente está segura em relação à decisão.

“Sempre peço que um familiar, que estará à frente no pós-operatório, acompanhe em uma das consultas para evitar qualquer mal-entendido. Só agendo a cirurgia quando o paciente entendeu e concordou com a proposta cirúrgica, e quando os exames pré-operatórios já foram realizados. Acredito que é nessa fase inicial das consultas que começamos a minimizar possíveis complicações na cirurgia plástica”, detalha o especialista.

Consulta presencial ajuda no planejamento

Embora a telemedicina possa facilitar o contato entre médico e paciente, a avaliação presencial permite examinar a região que será operada, fazer novas avaliações quando necessário e registrar imagens para o acompanhamento.

A tecnologia também pode auxiliar nessa etapa. Ferramentas de simulação em 3D permitem visualizar possibilidades para o procedimento e ajudam a aproximar as expectativas daquilo que pode ser alcançado.

“Hoje, contamos com a tecnologia 3D, que permite fazer simulações e ter uma perspectiva de como será o resultado da cirurgia plástica. Isso contribui muito para a compreensão do procedimento. Ou seja, o paciente consegue mostrar o que espera e o médico pode explicar o que pode ser alcançado, ajustando as expectativas e chegando o mais próximo possível do resultado real”, explica Dr. Fernando.

O planejamento deve continuar até os dias que antecedem a cirurgia. De acordo com o médico, a equipe deve revisar o procedimento com a paciente pelo menos três dias antes.

Nesse momento, também é possível confirmar quais materiais serão utilizados e discutir eventuais mudanças no que havia sido planejado.

Medicamentos para emagrecimento precisam ser informados

Um cuidado que ganhou importância nos últimos anos envolve os medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Saxenda. A informação sobre o uso dessas substâncias deve chegar à equipe responsável pela cirurgia e pela anestesia.

Esses medicamentos podem retardar o esvaziamento do estômago, o que precisa ser considerado no planejamento anestésico. Por isso, além do nome e da dose utilizada, a paciente deve informar quando foi feita a última aplicação e se apresenta sintomas como náusea, sensação de estômago cheio ou refluxo.

Muitas vezes, o paciente não considera um medicamento para emagrecimento como um 'remédio' relevante para a cirurgia. Mas essa omissão pode levar a riscos graves durante a anestesia. É fundamental que o cirurgião, o anestesiologista e o médico que prescreveu o remédio estejam alinhados Dr. Fernando Amato


A orientação também vale para outros medicamentos de uso contínuo. Nenhum deles deve ser suspenso, alterado ou retomado por conta própria. A decisão precisa ser tomada pela equipe que acompanha a paciente.

Mais de um procedimento exige planejamento

Outra decisão comum é aproveitar uma mesma internação para realizar diferentes procedimentos. Abdominoplastia, mamoplastia, lipoaspiração, rinoplastia, blefaroplastia e ninfoplastia, por exemplo, podem ser consideradas em conjunto em alguns casos.

A associação, no entanto, precisa levar em conta o tempo total da cirurgia e as condições individuais da paciente. Segundo o Dr. Amato, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda limite máximo de seis horas para cirurgias combinadas.

“Se você pretende associar procedimentos, converse com seu médico. Procure fazer associações que possam ser realizadas em menos de 6 horas. Às vezes, o aumento da equipe pode viabilizar isso — colocar um cirurgião auxiliar extra pode melhorar o tempo cirúrgico. Evite associações desnecessárias ou combinações que inviabilizem o trabalho em equipe. Tudo isso deve ser explicado e conversado com o seu médico”, orienta.

Cuidados simples fazem diferença no dia da cirurgia

Na véspera e no dia do procedimento, algumas informações precisam estar bem definidas. A orientação sobre o jejum deve ser recebida por escrito, todos os medicamentos utilizados precisam ter sido informados e os contatos da equipe médica devem estar acessíveis.

O jejum, segundo o especialista, não deve ser encarado apenas como uma exigência pré-operatória, mas como uma medida relacionada à segurança da anestesia.

Também é importante evitar comparações com experiências de outras pessoas.

“Outro ponto muito importante e que reforço com os pacientes é não copiar a orientação de outra pessoa. O plano anestésico, a medicação e a conduta mudam conforme o caso de cada paciente. O que foi seguro para um amigo ou parente pode não ser para você”, alerta Dr. Fernando Amato.

A atenção continua depois da alta

O acompanhamento não termina quando a cirurgia acaba. Possíveis complicações devem ser explicadas antes do procedimento para que a paciente saiba quais sinais exigem contato com a equipe.

Ter profissionais que já conhecem o histórico e acompanharam todo o planejamento também pode facilitar a identificação e o tratamento de eventuais intercorrências.

“Às vezes, o médico está em cirurgia e não consegue se comunicar. Mas, se ele conta com uma equipe médica bem estabelecida e o suporte poderá ser dado ao paciente. Lidar e gerenciar possíveis complicações com uma equipe que acompanha o paciente desde antes da cirurgia é muito mais tranquilo, e o tratamento dessas complicações pode ser iniciado de forma mais precoce. A confiança do paciente no médico influencia muito no pós-operatório”, conta Dr. Fernando Amato.

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