Procedimentos como abdominoplastia, lipoaspiração, lipo HD e lipoenxertia têm atraído cada vez mais mulheres que atravessam a menopausa.
Mais do que uma busca por mudanças estéticas, especialistas observam que muitas pacientes procuram essas cirurgias como parte de um processo de reconexão com o próprio corpo em uma fase marcada por transformações hormonais importantes.
Segundo a cirurgiã plástica Dra. Heloise Manfrim, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a procura acompanha uma mudança de perspectiva sobre o cuidado com o corpo.
“O movimento acompanha uma mudança importante de mentalidade, indo além da estética, já que o objetivo é também melhorar o bem-estar, a funcionalidade corporal e a reconexão com a própria imagem em uma fase marcada por profundas transformações biológicas”, explica.
Nesse cenário, o preparo do organismo antes do procedimento ganha protagonismo.
“Nesse contexto, cresce também a compreensão de que preparar o organismo antes da cirurgia é tão importante quanto a técnica cirúrgica em si”, acrescenta a ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio.
Durante a menopausa, o organismo passa por mudanças que influenciam diretamente o resultado de uma cirurgia. A queda de estrogênio e progesterona altera o metabolismo, a distribuição de gordura, a elasticidade da pele e até a forma como o corpo responde à cicatrização.
“A mulher menopausada passa por alterações hormonais que afetam desde a distribuição de gordura até a elasticidade da pele e a recuperação tecidual. Ignorar esse cenário ao planejar uma cirurgia de grande porte pode comprometer tanto o resultado quanto o pós-operatório”, explica a ginecologista.
Por isso, o planejamento cirúrgico tem se tornado cada vez mais multidisciplinar. Para o cirurgião plástico Dr. Carlos Manfrim, também membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o acompanhamento conjunto entre especialidades ajuda a preparar melhor a paciente.
“É nesse ponto que o trabalho integrado entre ginecologia e cirurgia plástica se torna estratégico. Um protocolo de readequação hormonal individualizado, quando bem indicado, pode melhorar a qualidade da pele, favorecer a produção de colágeno, otimizar a resposta cicatricial e contribuir para uma recuperação mais previsível”, destaca.
Além das mudanças físicas, sintomas comuns da menopausa também entram no radar médico antes da cirurgia.
“Além disso, sintomas comuns da menopausa, como distúrbios do sono, fadiga, alterações de humor e ganho de gordura abdominal, podem ser controlados antes da cirurgia, reduzindo riscos e desconfortos no período pós-operatório”, acrescenta o especialista.
De acordo com a Dra. Ana Paula Fabricio, a avaliação ginecológica nesse contexto precisa ser mais abrangente do que a realizada em outras fases da vida.
“Na menopausa, é essencial entender como estão os níveis hormonais, a qualidade do sono, o estado inflamatório, a dieta e até a composição corporal dessa paciente. Quando fazemos esse ajuste antes da cirurgia, não estamos apenas preparando a mulher para o procedimento, mas protegendo sua saúde e favorecendo um pós-operatório mais seguro e eficiente” , afirma.
Para os cirurgiões plásticos, essa preparação faz diferença concreta no momento da cirurgia e na recuperação.
“Quando a mulher chega para uma cirurgia como abdominoplastia ou lipoaspiração com o metabolismo mais equilibrado e a pele em melhores condições biológicas, temos maior previsibilidade de resultados e uma recuperação mais tranquila”, explica a Dra. Heloise Manfrim.
Segundo os especialistas, técnicas modernas como lipo HD e transferência de gordura exigem tecidos saudáveis para alcançar resultados naturais.
Essa visão integrada também tem influenciado o planejamento dos procedimentos.
“As mulheres na menopausa estão notando que o corpo é um sistema integrado. Então, no geral, é feito um combo de procedimentos. Mas não se trata de rejuvenescer artificialmente e, sim, de respeitar a fisiologia dessa fase e oferecer condições reais para que o corpo responda melhor ao procedimento cirúrgico”, reforça a Dra. Ana Paula.
A preocupação com o preparo do organismo, segundo os médicos, contribui para mais segurança e resultados duradouros.
“Abdominoplastia, lipoaspiração, lipo HD e lipoenxertia exigem um organismo capaz de cicatrizar bem, responder ao trauma cirúrgico e manter os resultados ao longo do tempo. Quando a paciente passa por uma preparação hormonal adequada, conseguimos operar com mais segurança e oferecer resultados mais harmônicos, naturais e duradouros” , explica o Dr. Carlos.
Para muitas mulheres, esse período também representa uma nova etapa de autocuidado.
“Para muitas mulheres, a menopausa marca um novo começo, inclusive no cuidado com o corpo. E, cada vez mais, esse cuidado passa por decisões médicas conjuntas, em que ginecologista e cirurgião plástico caminham lado a lado para garantir segurança, saúde e resultados alinhados às necessidades reais de cada paciente”, finaliza a Dra. Heloise Manfrim.