Congelamento de óvulos: entenda como funciona
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Congelamento de óvulos: entenda como funciona

A decisão de adiar a maternidade tem levado mais mulheres a considerar uma alternativa para preservar as possibilidades de engravidar no futuro: o congelamento de óvulos.

No Brasil, o procedimento avançou especialmente entre pacientes mais jovens nos últimos anos.

Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostram que foram realizados 18.631 ciclos de coleta de óvulos para criopreservação em 2025. Em 2020, eram 7.872. O crescimento foi de 136,7% no período.

Entre as mulheres com menos de 35 anos, o aumento foi ainda maior. O número de ciclos passou de 2.193 para 6.142 em cinco anos, uma alta de 180,1%.

Para o especialista em reprodução humana Oscar Duarte, diretor médico do Fertgroup, o crescimento entre as pacientes mais jovens tem relação direta com o momento em que a preservação é realizada.

É um bom sinal, pois o momento no qual uma mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no futuro Oscar Duarte


Apesar do avanço nessa faixa etária, as mulheres com mais de 35 anos ainda concentraram cerca de dois terços dos procedimentos registrados em 2025.

Segundo Oscar, o dado mostra que a procura continua relevante entre pacientes que já passaram por parte do período de maior fertilidade biológica.

A popularização do tema também ganhou força com mulheres conhecidas que passaram a falar publicamente sobre reprodução assistida e planejamento familiar. Relatos de personalidades como Maju Coutinho, Jessi Alves e Isabelle Nogueira ajudaram a colocar o assunto em evidência e ampliar as conversas sobre preservação da fertilidade.

Como funciona

Apesar de ainda despertar dúvidas, o congelamento de óvulos é um procedimento realizado em etapas e acompanhado por uma equipe médica durante todo o ciclo.

"Um ciclo de congelamento inclui todas as etapas do procedimento, desde o uso de medicamentos hormonais para estimular a produção de óvulos até a coleta e a criopreservação destas células", explica Duarte.

O primeiro passo é uma avaliação da saúde reprodutiva. O médico pode solicitar exames de sangue, como a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH), além de uma ultrassonografia transvaginal para verificar a reserva ovariana e auxiliar no planejamento do tratamento.

Na sequência, começa a estimulação dos ovários. Enquanto em um ciclo natural geralmente apenas um óvulo chega à maturidade, os medicamentos hormonais utilizados no procedimento têm o objetivo de estimular o desenvolvimento de vários folículos simultaneamente.

Essa fase costuma durar entre 10 e 12 dias. As medicações são aplicadas diariamente por via subcutânea, geralmente pela própria paciente, seguindo a orientação da equipe médica.

Durante esse período, são realizados exames de acompanhamento, principalmente ultrassonografias transvaginais. Os retornos permitem observar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos medicamentos de acordo com a resposta de cada organismo.

Quando os folículos atingem o estágio adequado, a paciente recebe uma última medicação para induzir a maturação dos óvulos. A aplicação precisa ser feita no horário determinado pelo médico porque a coleta será programada a partir desse momento.

Retirada e preservação

A coleta é feita por meio de um procedimento minimamente invasivo. Com a paciente sedada, uma agulha fina é conduzida por ultrassom transvaginal até os folículos, permitindo a aspiração dos óvulos. Depois de um período de recuperação, a paciente normalmente pode voltar para casa no mesmo dia.

As células obtidas seguem para o laboratório de embriologia, onde são avaliadas. Nem todos os óvulos coletados necessariamente apresentam condições para serem congelados.

As células selecionadas passam então pela vitrificação, método de congelamento ultrarrápido utilizado para reduzir a formação de cristais de gelo que poderiam comprometer sua estrutura.

Os óvulos selecionados passam por vitrificação, uma técnica de congelamento ultra-rápido que evita a formação de cristais de gelo que poderiam danificar a célula. Essa tecnologia revolucionou o setor e permite a alta eficiência que temos hoje  Oscar Duarte


O procedimento não representa uma garantia de gravidez no futuro. As possibilidades de utilização dos óvulos congelados dependem de diversos fatores, entre eles a idade em que foram coletados, a quantidade e a qualidade das células preservadas e as condições reprodutivas no momento em que forem utilizados.

Por isso, a avaliação individual é considerada uma etapa importante antes da decisão pelo congelamento. O acompanhamento médico também permite definir a estratégia de estimulação e identificar possíveis riscos ou necessidades específicas de cada paciente.

Segundo Oscar, a escolha da clínica também deve fazer parte desse planejamento. A recomendação é procurar serviços de reprodução assistida regularizados e com estrutura adequada para realizar tanto a coleta quanto o armazenamento das células.

Com a maior procura pelo procedimento, o congelamento de óvulos passou a fazer parte das discussões sobre planejamento reprodutivo. A decisão, porém, envolve avaliação médica individual e deve considerar as circunstâncias e os objetivos de cada mulher.

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