
É comum que, durante os meses mais frios, muitas pessoas percebam um aumento na quantidade de fios deixados na escova, no travesseiro ou no ralo do banheiro.
Apesar da associação frequente entre o inverno e a perda capilar, especialistas alertam que a estação, por si só, não é a responsável pelo problema.
De acordo com Bruna Scharf, expert da rede Walter's Coiffeur, a queda costuma estar relacionada a uma combinação de fatores, enquanto o frio pode contribuir indiretamente ao alterar hábitos da rotina e favorecer condições que afetam a saúde dos cabelos.
"Existe uma percepção maior da queda durante o inverno, mas ela nem sempre está ligada apenas à estação. É preciso considerar também aspectos como estresse, alimentação, alterações hormonais, deficiências nutricionais e até a saúde do couro cabeludo. Cada caso precisa ser analisado de forma individual", explica.
Mudanças de rotina podem influenciar
No inverno, é comum que as pessoas tomem banhos mais quentes, reduzam a frequência das lavagens, utilizem mais secadores e consumam menos água. Segundo Bruna, essas mudanças favorecem o ressecamento do couro cabeludo, tornando a região mais sensível.
"O inverno pode deixar o couro cabeludo mais sensível e ressecado, favorecendo descamação e desconforto. Isso não significa necessariamente que ele seja a causa da queda, mas cria um ambiente menos favorável para o equilíbrio da saúde capilar", afirma.
Outro aspecto destacado pela especialista é a redução da exposição ao sol e o aumento do estresse físico e emocional, fatores capazes de interferir diretamente no ciclo natural de crescimento dos fios.
"O estresse influencia diretamente o ciclo de crescimento dos fios. Em muitos casos, ele funciona como um gatilho para a queda capilar, independentemente da estação."
Alimentação
A saúde dos cabelos também depende do consumo adequado de nutrientes. Deficiências de ferro, vitamina D, zinco, proteínas e vitaminas do complexo B podem comprometer o desenvolvimento dos fios.
Bruna ressalta que qualquer suplementação deve ser feita somente após avaliação profissional.
"Quando existe deficiência nutricional, o organismo prioriza funções vitais e o cabelo acaba sendo um dos primeiros a refletir esse desequilíbrio. Por isso, qualquer suplementação deve ser feita somente após avaliação de um profissional", orienta.
O que é mito e o que é verdade?
Entre as dúvidas mais frequentes durante o inverno está a ideia de que lavar menos os cabelos ajudaria a reduzir a queda. Segundo a especialista, isso não passa de um mito.
"O acúmulo de oleosidade e resíduos pode favorecer processos inflamatórios e comprometer a saúde da região. A frequência da lavagem deve respeitar a necessidade de cada pessoa."
Já os banhos muito quentes merecem atenção. A prática, bastante comum na estação, pode retirar a proteção natural do couro cabeludo e aumentar o ressecamento.
"O ideal é utilizar água morna e, sempre que possível, finalizar com um jato mais frio para preservar a hidratação e o brilho dos fios."
Outra crença equivocada é considerar normal qualquer aumento na perda de cabelo durante o frio.
"Quando a queda aumenta de forma significativa, surgem falhas, afinamento ou alterações no couro cabeludo, é importante procurar um especialista para identificar a causa."
Quando buscar orientação
Embora uma queda discreta possa fazer parte do ciclo natural de renovação dos fios, alguns sinais indicam a necessidade de investigação. Entre eles estão a persistência da queda por mais de três meses, afinamento progressivo, aumento da abertura da risca, falhas localizadas e sintomas como coceira, dor, vermelhidão ou descamação intensa.
Segundo Bruna, o cabeleireiro costuma ser um dos primeiros profissionais a perceber essas alterações durante os atendimentos.
"No salão, é muito comum receber clientes preocupados com a quantidade de fios que encontram no travesseiro ou durante a lavagem no inverno. Antes de qualquer conclusão, fazemos uma avaliação dos hábitos de cuidados, do couro cabeludo e do histórico de cada pessoa. Muitas vezes, pequenas mudanças na rotina já fazem uma grande diferença, mas quando identificamos sinais de alerta, orientamos a procura por um dermatologista ou tricologista para uma investigação mais aprofundada", explica.
Além de manter uma alimentação equilibrada e boa hidratação, a especialista recomenda evitar água muito quente, respeitar a frequência de lavagem adequada para cada tipo de cabelo, usar protetor térmico antes do secador e investir em hidratações regulares. Protocolos realizados em salão também podem complementar os cuidados.
"Tratamentos de hidratação do couro cabeludo, terapias capilares, massagens estimulantes e produtos específicos ajudam a preservar o equilíbrio da região e podem complementar a rotina de cuidados, sempre respeitando as necessidades individuais de cada cliente", destaca.
Na maioria dos casos, a perda percebida durante o inverno tende a ser temporária. Ainda assim, Bruna reforça que é importante acompanhar a evolução do quadro.
"O mais importante é observar o comportamento do cabelo ao longo do tempo. Nem toda queda representa um problema, mas ela nunca deve ser ignorada quando se torna persistente ou vem acompanhada de outros sintomas. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para preservar a saúde capilar", conclui.